quarta-feira, 13 de abril de 2016

IMPEACHMENT NÃO É “A SOLUÇÃO”



Me preocupa a “fé” depositada no impeachment como “a solução” para todos os nossos problemas. Sai Dilma e tudo, como num passe de mágica,  estará resolvido?  Poucos dedicam, um mínimo de tempo que seja, para pensar no “day after”.  Volta e meia ouço o “veja o exemplo da Argentina, bastou o Macri ser empossado que muita coisa mudou. E para melhor”.  Esquecem essas pessoas que Macri foi eleito. Apresentou um programa, propôs soluções, boas ou não, não importa aqui, para os gigantescos problemas dos nossos hermanos. Que tudo melhorou por lá, neste momento, é certo, se o seu governo será um êxito só o tempo dirá.
 
Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa outra coisa.

Ok, dificilmente, qualquer um que assuma o presidência, hoje no Brasil, será tão trapalhão quanto a atual presidente, que mais parece biruta de aeroporto, movendo-se ao sabor dos ventos. Mas seja lá quem for que assuma (sim, o caminho natural das coisas é que seja o Temer) não foi ungido pelas urnas e, pior, não tem a mesma unanimidade com a qual foi agraciado Itamar Franco, no impeachment de Collor, único exemplo histórico que temos para nos guiarmos.

A Dilma, por mais trapalhona que seja, e é, tem uma base de apoio significativa, que fará de tudo e mais um tanto para infernizar a vida de quem assumir. Além disso, com a economia em frangalhos, não vai bastar boas intenções ou ideias gerais sobre como conduzir o país. Ainda por cima sem levar em conta que os remédios para a situação serão amargos e precisarão de tempo para produzirem algum efeito.

Impaciente por soluções rápidas, totalmente desiludidos com os políticos, quaisquer um, é bem provável que os brasileiros não tenham muita paciência com um eventual novo governo. Nunca é demais lembrar que Itamar teve nada menos que 6 ministros da Fazenda, uma média de 1 ministro a cada 136 dias, um a cada 4 meses e uns poucos dias, e com o país vivendo uma hiperinflação.

O país teve toda a paciência do mundo com ele e com seus inúmeros planos para por ordem na economia. Teremos a mesma paciência com um hipotético governo pós impeachment? Duvido muito. Ainda mais com as viúvas de Dilma pressionando sem descanso. E, como se não bastasse, os saudosos dos bons tempos do ex-presidente Lula, não são um banco de gatos pingados. É um bom e sólido contingente da população.

Temo que estejamos longe, muito longe, ainda, de uma solução para os nossos problemas. Dilma é incapaz de governar, de criar qualquer solução que agregue pelo menos uma boa maioria da população em torno de um programa de salvação nacional. É fato. Resta saber se quem a sucederá será capaz de apresentar ao país um projeto realista, crível, viável, capaz de restaurar a confiança e fazer girar a roda da economia e trazer de volta a esperança em dias melhores. Para todos. É ver para crer.

Por enquanto o certo é que o impeachment não é a solução mágica que o imaginário brasileiro tanto deseja para resolver seus problemas.