domingo, 24 de abril de 2016

NAO A DEMOCRACIA


Seria bom que a moçada, contra ou a favor do impeachment ou do golpe, conforme as preferências, atentasse, por um minuto que seja, para a insatisfação dos brasileiros com a democracia. Nada menos que 49%, a metade praticamente da população, revelam-se “nada satisfeitos” com a democracia. É o maior índice desde 2008, quando o Ibope começou a medir a satisfação dos brasileiros com o nosso regime. Somam-se a estes outros 34%, que se dizem “pouco satisfeitos” com o sistema democrático. É uma maioria, mais que absoluta, com um pé atrás quanto a avaliação da nossa democracia.

Vale ressaltar ainda que só 40% concordam com a frase: “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”. Mas, por outro lado, ainda que 34% concordem com a frase que “para as pessoas em geral, dá na mesma se um regime é democrático ou não”, vale a boa notícia: a fatia dos simpatizantes com o totalitarismo diminuiu. A concordância com a frase “em algumas circunstâncias, um governo totalitário pode ser preferível a um governo democrático” saiu dos 20% em 2014 para os 15% atuais. E isso certamente não se deve ao método cusparadas criado pelo deputado Jean Willys, na sua luta incansável “contra” o seu fiel parceiro Jair Bolsonaro, o defensor mor do regime militar.

O que isso significa afinal? Na real é que os brasileiros estão pouco preocupados, ou quase nada preocupados, com o regime democrático. A democracia não é valor, porque ela não é – de fato – exercida plenamente pela maioria absoluta da população. Ela não se sente atendida, assistida, integrada, beneficiada por esta tal de democracia.  Culpa de quem, perguntará, certamente, o caro leitor. De todos, indistintamente penso eu. Em primeiro lugar dos políticos, que tanto falam na dita cuja, mas não levam ninguém a almejar por ela. Culpa da própria sociedade, cujos políticos, goste-se ou não, são espelho. Imperfeitos até que sejam. Concordemos. Mas espelhos.

Vivendo em meio a uma crise político-econômica, sem precedentes na história recente do país, as preocupações definitivamente são outras. A ditadura não está na lembrança dos mais jovens. Ou melhor, só está na lembrança dos mais velhos. Boa ou má, tanto faz. É coisa do passado, infelizmente. A nossa questão é que não temos perspectivas de futuro. O dia a dia das pessoas está voltado para a resolução dos seus problemas imediatos. Vivemos num salve-se quem puder. Difícil estar entusiasmado com este ou aquele regime, se o regime não nos nutre, afinal. Se deixa todo mundo na mão... por que exalta-lo?