quinta-feira, 27 de outubro de 2016

3 TIPOS DE ELEITORES DECIDEM AS ELEIÇOES


Um estudo recente do Ibope concluiu que foram basicamente três, os grupos que compuseram o eleitorado nas campanhas para prefeito deste ano, com comportamento e ideias bem diferentes entre si.

 
O estudo, cuja síntese foi publicada por José Roberto Toledo, em sua coluna no Estadão, agrupa indivíduos com opiniões similares e depois separa esses grupos segundo divergências. É a tal análise cluster.



Mas vamos aos tipos:

-       o primeiro grupo (36% do eleitorado que foi votar) é composto por indivíduos que afirmam decidir o voto para prefeito mais cedo, assim passam a conhecer os nomes dos candidatos. Essa turma não anula e não vota em branco. E dois em cada três tem preferência por algum partido. E não se limitam a escolha dos seus candidatos, são ativos durante o período das campanhas, postando e compartilhando conteúdos, contra e a favor, nas redes sociais. Muitos participam pessoalmente da campanha do candidato que escolheram. Ativos no WhatsApp, costumam ler blogs. São mais frequentes no interior e nas cidades menores. O ibope constatou também que esse grupo raramente muda de opinião, no decorrer das campanhas. Compõem um eleitorado fiel, que funciona muito bem na decolagem das candidaturas.

-       o segundo grupo é mais maleável, ainda que tenha, praticamente, o mesmo interesse do primeiro por política. A diferença começa com o “time” para a decisão do voto, que é feita mais em cima da hora da eleição. Esse é um grupo que usa vários meios para se informar: TV (telejornais), sites de veículos, discussão com familiares e amigos, horário gratuito, debates... todos entram na ordem do dia como elementos para a tomada final de decisão. E estão sem abertos a possibilidade de mudar de ideia, sendo muito sensível a mensagem negativas, sobre o candidato preferido, oriundas das mídias sociais e/ou, mais uma vez, WhatsApp. Por se decidir apenas na undécima hora pode definir uma eleição, provocando as tais mudanças repentinas na intenção de voto. Juntos representam, em média, um quarto do eleitorado.

-       o terceiro e maior dos grupos é – digamos assim – avesso a política. São eleitores que não veem propaganda eleitoral, não assistem a debates, não possuem identificação com partidos políticos, e é grande a chance de votarem em branco ou nulo. Se não fosse obrigatório a maioria deste grupo sequer comparecia às zonas eleitorais. É o maior e o mais imprevisível. Seus integrantes podem votar em qualquer um, numa decisão repentina, baseada em um impulso qualquer, ou – simplesmente – em ninguém.

-       há um quarto e um quinto grupo, cujos perfis são difíceis, praticamente impossíveis de serem traçados: são compostos pelo pessoal que não votou. Em tese, esse quarto grupo comporia 10% do eleitorado, mas como a tal de abstenção foi bem maior (o dobro praticamente) supõe-se que a outra metade esteja perdida na burocracia, existindo apenas no sabidamente impreciso cadastro eleitoral, fantasmas que permanecem cadastrados, mas estão mortos (afinal vc conhece alguém que tenha ido a um cartório eleitoral, munido das respectivas certidões, informar sobre a morte de algum eleitor?).  

RENAN E OS JUIZECOS -

Ok, todo mundo sabe bem quem é Renan Calheiros e tem motivos para fazer os mais variados conceitos sobre o Presidente do Senado, principalmente depois das suas últimas declarações espinafrando um juiz de primeira instância e o atual Ministro da Justiça. Ok, ok. Mas não é muito estranho que a Presidente do STF tenha resolvido marcar para o próximo dia 3 o julgamento de uma ação que pode ameaçar a permanência de Renan na presidência do Senado? Todo mundo sabe, também, que o senador é alvo de ao menos 11 inquéritos no STF que até agora dormiam em berço esplêndido pela gavetas da Suprema Corte. E de repente... justo quando a ministra Carmen Lúcia sai em defesa do juiz de primeira instância, afirmando que "onde um juiz for destratado, eu também sou", ela encontre de súbito, como quem não quer nada, um espaço na agenda do tribunal, para acordar um dos inquéritos contra Renan. Tudo muito estranho. E ditadura do judiciário, é bem lembrar, que não é nada melhor, ou mais suportável que qualquer outra.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

SERIAM, POR ACASO, DEUSES OS NOSSOS JUÍZES?


Não, por enquanto não me refiro aos heróis do momento, os doutos arautos da moralidade nacional. A minha questão é sobre a tal justiça eleitoral e o vale-tudo a que candidatos e campanhas estão expostos, dependentes apenas dos humores de suas excelências, os juízes eleitorais.

Pra começo de conversa a tal de Justiça Eleitoral, tal como é hoje, só existe no Brasil, onde além de organizar as eleições, que atualmente acontecem a cada dois anos, possui ainda a peculiaridade de normatizar, fiscalizar e julgar. E, é claro, com tantas atribuições possui um gigantesco quadro de funcionários, incluindo aí os deuses deste Olimpo, os juízes eleitorais.

E é sobre eles, este post. Recentemente o juiz da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, Marcelo Rubioli, ao conceder dois direitos de resposta ao candidato do PRB, Marcelo Crivella, dentro do programa de Marcelo Freixo, do PSOL, deu-se de falação, altamente subjetiva, para justificar os seus atos.

Para o juiz, a campanha no segundo turno está sendo conduzida por “conduta odiosa”, e Freixo tem usado o seu tempo para espalhar “ódio”. Em suas decisões sobre as peças que geraram os “direitos de resposta”, Rubioli faz considerações sobre a postura de Freixo, que ela considera “lamentável” e afirma que “flagrantemente um discurso antigo do representante (Crivella) foi desvirtuado para denegrir a sua imagem”.

“A transcrição e a reprodução da mídia demonstram ter sido reproduzida informação inverídica, esta utilizada como propaganda negativa do adversário dos representados, aliás conduta odiosa que tem sido a tônica da propaganda do segundo turno”, escreveu o juiz na sentença.

E o magistrado continua a filosofar, como ele mesmo admite: “É até de filosofar, eis que o mote do representado (o Marcelo Freixo) no primeiro turno seria que não possuía tempo de propaganda, garantido o mesmo por inflexível do subscritor, tal somente é utilizado para disseminar ódio e propaganda negativa”. (referindo-se ao fato – requer traduzir a empoladíssima linguagem – de ter sido negado, no segundo turno, o pedido das duas campanhas por uma redução do tempo.

Não vou entrar no mérito das peças, pois sequer as vi. Fico imaginando como seriam as campanhas eleitorais de inúmeros países, se tivessem que se submeter a tanto subjetivismo e ao verdadeiro cipoal de leis, instruções e normatizações da legislação brasileira. Nos EUA, então, provavelmente os dois atuais candidatos sequer poderiam abrir a boca.

O juiz do TRE/RJ não é uma exceção. Para ele, e boa parte dos seus colegas, o processo eleitoral deveria dar-se segundo as suas particulares posições e entendimentos. E como se isso não bastasse ainda vem aí uma reforma do Código Eleitoral, que será elaborada por uma comissão de juristas.

Hoje, essa legislação engloba leis, resoluções e instruções que muitas vezes confundem não só o eleitor, mas os candidatos e os partidos. Só para se ter ideia, para as últimas eleições, nada menos que menos que 21 normas, entre resoluções e instruções do Tribunal Superior Eleitoral, foram acrescentadas ao processo. Não é a toa, que faz parte do processo, uma especialização sui generis do direito, que são os advogados dedicados exclusivamente às questões eleitorais.

Acabar com a Justiça Eleitoral faria bem ao processo e as finanças do Estado. Melhor para a democracia seria seguir o exemplo de outras nações, onde a democracia é sólida, há muito e muitos anos, como nos Estados Unidos, onde a eleição é administrada pelo executivo ou por um órgão (PEQUENO) autônomo como na Alemanha e Espanha, onde representantes da sociedade e do governo participam.

A JUSTIÇA ELEITORAL MUNDO AFORA

No Chile – separação entre a atividade jurisdicional e a administração das eleições. A primeira está a cargo do Tribunal Qualificador das Eleições,. Já a administração do processo eleitoral é de responsabilidade do Serviço Eleitoral, órgão autônomo, não integrante de nenhum dos Poderes do Chile. O Diretor é nomeado pelo Presidente da República, com aprovação do Senado. O Serviço Eleitoral mantém Juntas Eleitorais em cada Província e Juntas lnscritoras em cada Comuna.

No Uruguaias questões eleitorais são de responsabilidade da Corte Eleitoral, que, apesar de exercer as atividades jurisdicionais, não integra o Poder Judiciário. É um órgão autônomo, composto por 9 membros, 5 dos quais eleitos pelo Congresso por dois terços de votos e 4 indicados pelos partidos políticos, sendo dois pelo que obteve maior número de votos e 2 pelo seguinte na ordem de votação.

Argentina – existe uma separação parcial entre a atividade jurisdicional e a administrativa. A Câmara Nacional Eleitoral, composta por três juízes, nomeados pelo Presidente da República, após aprovação do Senado, atua como segunda instância dos feitos eleitorais, que são decididos, em primeira instância, pelos juízes eleitorais. Esses juízes, um em cada província e na Capital Federal, são magistrados federais e carreira designados para atuar no campo eleitoral.

Estados Unidos – a administração das eleições, mesmo as federais, é considerada matéria de responsabilidade dos Estados. Há uma grande diversidade em seu desenho, refletindo a forte característica federativa daquela nação. Como regra, cada Estado possui administrador chefe das eleições, normalmente o respectivo Secretário de Estado. A coleta e contagem dos votos cabem aos condados que, via de regra, usam a estrutura dos Estados para fazer isso. O contencioso eleitoral cabe aos tribunais ordinários federais e não há nenhuma especialização na área jurisdicional.

Alemanha – a administração do processo eleitoral cabe ao Diretor Eleitoral Federal e à Comissão Eleitoral Federal. O Diretor Eleitoral Federal é nomeado pelo Ministro do Interior e escolhe os outros seis membros da Comissão Eleitoral Federal. Há, em cada Estado, um Diretor Eleitoral Estadual e uma Comissão Eleitoral Estadual, e, em cada Distrito, um Diretor Eleitoral e uma Comissão Eleitoral Distrital, escolhidos pelos Governos Estaduais.

Itália – a administração eleitoral é feita a partir dos governos locais ou comunais, encarregados do recrutamento eleitoral, havendo, junto a cada comuna uma comissão composta por representantes políticos locais que fiscaliza essa ação. A fiscalização é também feita pela Junta Comunal. Os trabalhos de recepção e contagem dos votos são feitos pela Comissão Eleitoral Comunal, fiscalizada pela Comissão Eleitoral Circunscricional, presidida sempre por um magistrado, o Presidente da Corte de Apelação.

França – cabe às prefeituras (mairies) a administração das eleições, desde a elaboração das listas eleitorais até a recepção e processamento dos votos. A correção das listas é checada mediante um fichário geral de eleitores elaborado pelo Instituto Nacional da Estatística e dos Estudos Econômicos. O Governo Nacional é responsável, entretanto, pelas despesas decorrentes do processo eleitoral.

Finlândia – a administração do processo eleitoral está a cargo do Ministério da Justiça. Cada circunscrição eleitoral conta com uma Comissão Eleitoral Distrital, encarregada de homologar as listas de candidatos elaborada pelos partidos políticos. A estrutura ainda conta com uma Comissão Eleitoral em cada Município e com as mesas eleitorais. O contencioso eleitoral é decidido pelo Poder Judiciário, inexistindo justiça eleitoral especializada.

OS LIMITES DO ESTADO E AS TETAS DA VACA


Todas as vezes em que se fala em limites do estado, no Brasil, ouve-se a mesma ladainha sobre os cortes dos investimentos nas questões sociais. 
Ninguém, em sã consciência vai aprovar cortes de gastos na saúde e na educação, mas é preciso saber de onde surge o dinheiro para custear não só a saúde e a educação como todos os demais setores que precisam do Estado, não para que ele ofereça graciosamente suas tetas para o projeto dos demagogos de sempre, em busca de um “emprego” numa boa repartição ou, de preferência, numa estatal bem fornida de dinheiro.

Está mais do que na hora de começarmos a fazer uma distinção clara do que é trabalho e o que é emprego. Ao se discutir limites do Estado, limites de gasto, vai ser preciso mudar nossa noção de competência e fazer uma gigantesca mudança nos inacreditáveis privilégios do funcionalismo público (aí incluídos políticos, seus afilhados, além de segmentos como a magistratura). E obrigar toda essa gente a prestar constas dos seus gastos. E governantes vão precisar entender que o governo não é propriedade dos eleitos eventualmente. E emprego tem que ter o mesmo significado de trabalho.

Nos limites do Estado e nos limites do gasto, hoje aleatórios das finanças públicas, mais do que nunca o exemplo tem que vir de cima. Com mais de 12 milhões de desempregados não é possível continuar postergando um saudável corte de gastos do andar de cima.

A discrepância existente entre os trabalhadores do setor privado e os do serviço público precisam acabar, incluindo aí a farra da magistratura e a ocupação desavergonhada da estrutura do estado pelos eventualmente eleitos.

Quando os governos passarem a investir no que realmente interessa poderemos começar a ver uma verdadeira justiça social. Afinal, como disse Roberto da Matta, em um artigo recente “num Brasil dos demagogos, estamos todos fartos de Robin Hoods ao contrário, do banco que se elege com os pobres e vira compadre dos ricos.

As tetas da vaquinha devem servir para alimentar apenas aqueles que realmente precisam ser alimentados pelo estado. E apenas enquanto adquirem forças para se alimentarem através dos seus próprio esforços.

REFORMA POLÍTICA NÃO É REFORMA FINANCEIRA


O Congresso volta a discutir a tal reforma política. Com umas mudanças aqui outras acolá, nada de muito importante ou substancial, o que domina mesmo as discussões é o tal de financiamento das campanhas.

Sobre o modelo, o formato das campanhas, por enquanto poucas ideias. Parece que ninguém se toca sobre a importância do formato na composição dos custos. Para os incautos, de sempre, que exaltaram o fim das contribuições empresariais como um freio a corrupção e a abertura de oportunidades para os menos afortunados fica a lição dessa última eleição: candidatos milionários se autofinanciaram e/ou doaram para seus aliados, criando uma rede de dependência semelhante com as bancadas ainda identificadas pelo financiamento empresarial no Congresso.

A simples e boa consulta ao eleitorado e umas rápidas conversas com profissionais de comunicação e cientistas políticos poderiam orientar os ilustres parlamentares sobre o que desejam os eleitores como fonte de informação para decidirem os seus votos. Uma boa dose de transparência também seria muito bem vinda.

É preciso sair desse esquema de cada eleição uma nova legislação, um novo modelo, uns mais radicais, outros menos, mas tem sempre alguma inovação/invenção, cujos tiros disparados normalmente saem pela culatra.

É preciso que questões para melhorar a representação, como o debate do sistema eleitoral sejam abordadas e discutidas com a sociedade, assim como tudo que está relacionado com a quantidade absurda de partidos, incluindo-se a tal cláusula de barreira e a proibição das coligações, pelo menos nas eleições proporcionais.

O Congresso não pode ficar restrito apenas as medidas que facilitem a permanência das mesmas figuras no sistema político, muito pelo contrário, precisa de uma vez por todas trabalhar no interesse da democracia, o que significa trabalhar no interesse dos eleitores. E a população aprender, rapidamente, a se fazer ouvir, a defender os seus interesses.

ELEITORES ESTÃO DEFININDO VOTO NA ÚLTIMA HORA


As “flutuações” nas pesquisas que registram, em cima da hora, mudanças radicais nas eleições tem uma explicação: pelo menos um em cada três eleitores decidiram o voto próximo ou mesmo no dia da eleição. Esse opção, pelo voto na reta final foi constatado em pesquisa realizada pelo Ibope, publicada no jornal O Estado de São Paulo, por José Roberto de Toledo, no último dia 24, revelando que 19% do eleitorado escolheu seu candidato no dia da eleição, juntando-se a outros 15% que disseram ter feito a escolha em dias próximos a ida às urnas. Ou seja, nada menos que um terço do eleitorado deixa para decidir o voto em cima da hora.

E é justamente este terço dos eleitores que está derrubando candidatos e elegendo aparente “azarões”. A pesquisa revela que este percentual varia de acordo com o número de habitantes das cidades. Chega a 45% naquelas com mais de 500 mil habitantes, a mesma taxa média das capitais, enquanto nos municípios menores, uma sólida maioria (63%) decide o voto já no início da campanha.

Há um dado sobre o qual é preciso se debruçar: nas grandes cidades, e nas capitais, os eleitores declaram que a TV é a sua principal fonte de informação: nada menos que 36% afirmam que a TV é o maior influenciador do voto. Já nas cidades menores a papel da TV é secundário. Conversas com amigos e parentes são consideradas importantes, decisivas mesmo, para a escolha em quem votar.

A questão a ser aprofundada é consequência direta desta informação: quando a TV entra em cena como a principal fonte de informação, quais seriam os motivos para que essa parcela do eleitorado, que usa essa fonte para se decidir, só o faça nas vésperas da eleição?

Ao que tudo indica o acesso às candidaturas, exclusivamente pela TV, revela uma dificuldade de conhecer de perto os candidatos e a inexistência de uma discussão sobre política, com amigos e familiares, que – provavelmente – aumenta o desinteresse pelo processo eleitoral, favorecendo essa mutabilidade das intenções de voto.

São questões como essas que os ilustres parlamentares deveriam se preocupar quando começam a desenhar as tais reformas políticas, cujo formato, mais uma vez no melhor estilo Frankenstein, começa a ocupar as discussões no Congresso e nos artigos de jornais.

I LIKE TO TRUMP AND BOLSONARO


Escrevi recentemente sobre o meu interesse em tudo que envolve Donald Trump. Seus comentários racistas, xenófobos, machistas, sua inexperiência enquanto político, as acusações de sonegação de impostos e os abusos sexuais tudo me interessa, principal e basicamente por ter descoberto que nada menos de 40 milhões de americanos estão se lixando para tudo isso, mantendo-se fiel à sua candidatura. O que faz com que todas essas pessoas, abracem, sem qualquer constrangimento, ideias que há bem pouco tempo estavam apenas nos sussurros e nas entrelinhas de candidatos e eleitores? Classificar, genericamente, todas essas pessoas como reacionárias e direitistas não esclarece nada. Afinal quem são elas e será que vivem apenas nos Estados Unidos?

Leandro Mohallen, Edson Salomão, Paulo Enéas e Denis Heiderich
E esse meu interesse só aumentou – e muito – quando tomei conhecimento que ex-petistas e ex-MPL organizaram ato pró-republicanos para evitar uma “nova Dilma” nos EUA. O advogado Leandro Mohallem (sim, um descendente de árabe) e Dennis Henrique Possani Heiderich (que faz questão de se declarar gay) são membros do movimento Juntos pelo Brasil e organizadores de uma manifestação de apoio a Donald Trump. Juntos, estão o professor de matemática e dono do site Crítica Nacional, Paulo Enéas e o corretor de seguros do grupo Direita São Paulo, Edson Salomão. Heiderich e Mohallen participaram das manifestações junto com o Movimento Passe Livre e estiveram próximos ao PT (Heiderich chegou, inclusive, a se filiar ao partido).

Os quatro rebatem uma por uma as acusações contra Trump e acreditam que os Estados Unidos correm, de fato o risco de “eleger uma nova Dilma”. E mais, no caso da democrata Hillary Clinton vencer, estariam se “rendendo ao bolivarianismo. Ah, e o que considero mais do nosso interesse: são adeptos do deputado Jair Bolsonaro, que publicamente prefere ficar à margem das eleições americanas, mas não se furtou em postar um vídeo, no Facebook, exaltando Donald Trump.

Tá, a gente pode simplificar tudo chamando esse pessoal de reacionários, pertencentes a grupelhos com uma visão enraivecida da realidade e cheia de clichês, uma bando de deploráveis, como os classificou Hillary Clinton, ainda que voltando atrás depois. Ok, mas as classificações e adjetivos não os farão saírem de cena.

O meu interesse – e torcida – para que mais gente abrace abertamente essas ideias, com as quais comungam, geralmente em silêncio, vem de acreditar que é melhor para o país e para a nossa democracia que assumam claramente suas posições.

Quando ideias, como as defendidas por Trump e Bolsonaro e afins, são defendidas abertamente descobrimos que não são coisas de malucos solitários, essa, sem dúvida, a pior forma de se precaver/classificar. Para combate-las nada melhor que saibamos muito bem quem são e quantos são os seguidores. Mais ainda se conseguirmos entender, com clareza, o que há por trás desses apoios. Classificar esse povo como malucos simplesmente não vai ajudar.

É salutar que saibamos que no Brasil, existe um eleitorado, bem significativo, capaz de abraçar ideias "exóticas", como as Trump e do deputado Jair Bolsonaro. As evidências estão aí para quem quiser ver.. O que penso é que seria saudável para a nossa democracia que todos se assumissem, sem medo. Eleitores e candidatos.

Chega de tanta gente escorregadia. No Brasil, praticamente, não temos ninguém se assumindo como de direita. Todos são progressistas, todos são democratas e afins. E quanto mais cedo acordamos para o fato de que muitos de direita e de esquerda desejam apenas instalar um regime opressor, que deve ser combatido no seu nascedouro e absolutamente às claras, melhor para a nossa democracia. É difícil combater um inimigo oculto. Não precisamos, nem devemos tolerar que a esquerda, a lá Maduro, e a direita, fã de Donald Trump, se estabeleçam no poder. A história está aí para nos ensinar que todos começam de fininho, sem serem levados muito a sério. Os exemplos de povos que sofreram com a chegada desta gente ao poder estão ainda por aqui. E fazer de conta que não existem é a pior política que podemos adotar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

I LIKE TRUMP

Descobri que sou um adepto do "trumpismo". Sigo com entusiasmo pronunciamentos, debates, noticiário sobre escândalos... Tudo que se refere a Donald Trump procuro tomar conhecimento. E estou convencido que Donald pode até sair de cena (o que provavelmente acontecerá), mas o seu legado, o trumpismo permanecerá. 

Mas afinal a que se deve o meu entusiasmo? Em primeiro lugar ao fato de Donald Trump escancarar ideias, conceitos e um monte de coisas consideradas até então como bizarrices, colocando-as na ordem do dia, de uma forma, vale frisar, sem qualquer comedimento. Seus comentários racistas, xenófobos, machistas, sua inexperiência política e acusações de sonegação de impostos e de abusos sexuais, tudo às claras. Em segundo lugar por ter descoberto que nada disso foi capaz de incomodar ou de diminuir o entusiasmo de mais de 40 milhões de pessoas que mantêm-se fiéis a sua candidatura. Algo equivalente a população de vários países, como as da Espanha e Argentina, por exemplo. 

Sou daqueles que vibram quando ideias desse tipo são apresentadas abertamente e nos permitem descobrir que não são coisas de um maluco solitário qualquer. Gente como Donald Trump fazem, em minha opinião, falta ao Brasil. Aqui, noves fora uns dois ou três, ninguém se apresenta com um ideário tão a direita como Trump. Seria bom, saudável para a tal da nossa democracia. No mínimo para percebermos com clareza quantos, entre nós, professam os mesmos ideias. Mas, por aqui, alguns dos maiores direitista envergonham-se do seu ideário e se apresentam, quando muito de "centro".

Boa parte dos analistas políticos insiste na tese de que os eleitores de Trump são compostos por uma gente irritada e farta dos políticos tradicionais, com baixo nível de escolaridade e "majoritariamente brancos". Noves fora esses aí, os tais de "brancos", vamos encontrar paralelos em praticamente todos os lugares e em candidatos aparentemente insuspeitos. Aqui, inclusive.

Existe, com toda certeza, aqui no Brasil, um eleitorado, bem significativo, capaz de abraçar ideias "exóticas", como as Trump. Indícios há. E muitos. O que penso é que seria saudável para a nossa democracia que todos se assumissem, sem medo. Eleitores e candidatos. Ajudaria termos mais claramente definidos, o que pensam, uns e outros.

Uma das coisas que precisamos, e com certa urgência, é a declaração de lados, como um todo. Chega de tanta gente escorregadia, todos se fingindo de progressitas, democratas e afins, quando na verdade o que desejam é nada mais que um regime/candidato muito a direita ou a esquerda, com todas ideias ruins que os extremos oferecem.


 

DE VOLTA COM O BLOG DO MENA

Depois de muitas semanas, quase meses, estamos de volta com o Blog. Foi um tempo para refletir melhor sobre conteúdos e o que pretendemos com ele. Vai continuar sendo, prioritariamente um blog relacionado com o noticiário político, com ênfase, no entanto, com  questões relacionadas ao marketing político e eleitoral. Mas comentários e noticias relacionados a comportamento social também marcarão presença, além de comentários (ainda que minoritariamente) sobre propaganda.

Pra começar vamos de propaganda mesmo: a notícia li no Blog do Brain O lado B da Propaganda, ótima leitura para quem quer se informar sobre propaganda fugindo dos estereótipos. No último post, segue o link  (http://blogdobrain.com.br/desculpe-o-trocadilho-mas-agora-…/ ) a questão abordada é um novo modelo de remuneração para as agência, deflagrado pelo MacDonalds, diretamente relacionado a uma política de retorno do investimento proporcionado pela veiculação das campanhas. Deu resultado? Paga-se. Ficou no zero a zero? Nada de dim-dim. Custos de criação, produção, BV... nada disso entra no jogo. Só os resultados interessam. Detalhes, curiosos, com verve sempre cortante do Brain, de autoria de um publicitário reconhecido no marcado, com anos de experiência como redator e diretor de criação, você vai achar no link aí acima. Vale.