terça-feira, 25 de outubro de 2016

I LIKE TO TRUMP AND BOLSONARO


Escrevi recentemente sobre o meu interesse em tudo que envolve Donald Trump. Seus comentários racistas, xenófobos, machistas, sua inexperiência enquanto político, as acusações de sonegação de impostos e os abusos sexuais tudo me interessa, principal e basicamente por ter descoberto que nada menos de 40 milhões de americanos estão se lixando para tudo isso, mantendo-se fiel à sua candidatura. O que faz com que todas essas pessoas, abracem, sem qualquer constrangimento, ideias que há bem pouco tempo estavam apenas nos sussurros e nas entrelinhas de candidatos e eleitores? Classificar, genericamente, todas essas pessoas como reacionárias e direitistas não esclarece nada. Afinal quem são elas e será que vivem apenas nos Estados Unidos?

Leandro Mohallen, Edson Salomão, Paulo Enéas e Denis Heiderich
E esse meu interesse só aumentou – e muito – quando tomei conhecimento que ex-petistas e ex-MPL organizaram ato pró-republicanos para evitar uma “nova Dilma” nos EUA. O advogado Leandro Mohallem (sim, um descendente de árabe) e Dennis Henrique Possani Heiderich (que faz questão de se declarar gay) são membros do movimento Juntos pelo Brasil e organizadores de uma manifestação de apoio a Donald Trump. Juntos, estão o professor de matemática e dono do site Crítica Nacional, Paulo Enéas e o corretor de seguros do grupo Direita São Paulo, Edson Salomão. Heiderich e Mohallen participaram das manifestações junto com o Movimento Passe Livre e estiveram próximos ao PT (Heiderich chegou, inclusive, a se filiar ao partido).

Os quatro rebatem uma por uma as acusações contra Trump e acreditam que os Estados Unidos correm, de fato o risco de “eleger uma nova Dilma”. E mais, no caso da democrata Hillary Clinton vencer, estariam se “rendendo ao bolivarianismo. Ah, e o que considero mais do nosso interesse: são adeptos do deputado Jair Bolsonaro, que publicamente prefere ficar à margem das eleições americanas, mas não se furtou em postar um vídeo, no Facebook, exaltando Donald Trump.

Tá, a gente pode simplificar tudo chamando esse pessoal de reacionários, pertencentes a grupelhos com uma visão enraivecida da realidade e cheia de clichês, uma bando de deploráveis, como os classificou Hillary Clinton, ainda que voltando atrás depois. Ok, mas as classificações e adjetivos não os farão saírem de cena.

O meu interesse – e torcida – para que mais gente abrace abertamente essas ideias, com as quais comungam, geralmente em silêncio, vem de acreditar que é melhor para o país e para a nossa democracia que assumam claramente suas posições.

Quando ideias, como as defendidas por Trump e Bolsonaro e afins, são defendidas abertamente descobrimos que não são coisas de malucos solitários, essa, sem dúvida, a pior forma de se precaver/classificar. Para combate-las nada melhor que saibamos muito bem quem são e quantos são os seguidores. Mais ainda se conseguirmos entender, com clareza, o que há por trás desses apoios. Classificar esse povo como malucos simplesmente não vai ajudar.

É salutar que saibamos que no Brasil, existe um eleitorado, bem significativo, capaz de abraçar ideias "exóticas", como as Trump e do deputado Jair Bolsonaro. As evidências estão aí para quem quiser ver.. O que penso é que seria saudável para a nossa democracia que todos se assumissem, sem medo. Eleitores e candidatos.

Chega de tanta gente escorregadia. No Brasil, praticamente, não temos ninguém se assumindo como de direita. Todos são progressistas, todos são democratas e afins. E quanto mais cedo acordamos para o fato de que muitos de direita e de esquerda desejam apenas instalar um regime opressor, que deve ser combatido no seu nascedouro e absolutamente às claras, melhor para a nossa democracia. É difícil combater um inimigo oculto. Não precisamos, nem devemos tolerar que a esquerda, a lá Maduro, e a direita, fã de Donald Trump, se estabeleçam no poder. A história está aí para nos ensinar que todos começam de fininho, sem serem levados muito a sério. Os exemplos de povos que sofreram com a chegada desta gente ao poder estão ainda por aqui. E fazer de conta que não existem é a pior política que podemos adotar.