segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O PCC FALOU TÁ FALADO


Ao contrário de outras “instituições” da nossa República, o PCC não vacila, não emite ordens dúbias, nem permite interpretações à gosto. A última, foi ordenar o fim das brigas das torcidas organizadas, feita no dia em que as quatro dos grandes times de São Paulo, prestaram uma homenagem à Chapecoense e firmaram um acordo de paz nos estádios. Na mídia cenas jamais registradas: bandeiras do Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, agitadas, lado a lado, na mistura de torcedores, juntos, sem nenhuma animosidade registrada.

Sem querer, querendo, ser gaiato, taí um bom exemplo de como as coisas poderiam funcionar melhor, nas esculhambadas instâncias oficiais do nosso país, onde até o “salve” da Suprema Corte é alvo de chacota e descumprimento às claras.

Os porta-vozes da organização disparam ordens, em áudios, que circularam nas redes sociais e cuja veracidade está sendo investigada pela Polícia Civil. Em duas delas, os homens, que participam das conversas, afirmam que a ordem para a pacificação das torcidas partiu do Marcola, dado como o chefe máximo da organização.

“Receberam ordem do Marcola, que é pra não ter briga nenhuma de torcida. Nem morte, nem briga, nem nada. O cara que brigar vai apanhar, o cara que matar vai morrer. É ordem do PCC, entendeu?” Na outra gravação, mais no estilo do PCC, um suposto líder de torcida deixa tudo, também, bem claro: “Quem deu o salve foi maninho Marcola, acabou a briga, acabou guerra de torcida, mano. Se tiver quem vai (morrer) são os líderes aí, os caras (da zona) norte estavam falando. Acabou mano”.

Um chefe de torcida expressa suas preocupações: “Isso cabe pra todas quebradas, mano. Não estou brincando. É referente ao comando. Pôs a pedra em cima do bagulho, tá ligado? Se brigou na zona norte, a gente brigou, o que acontece? O bagulho vai berrar para nós que somos lideranças. Matou um moleque que é inimigo, nós vamos morrer também”.

O PCC não é uma organização para se levar na brincadeira e muito menos com o desleixo com que as autoridades agem contra ela. Hoje ela passa por uma reestruturação (olha aí mais uma lição, esta para os partidos políticos) e se prepara para adotar um novo modelo de organização.

Os responsáveis pela “lei e a ordem” afirmam que estão se mexendo. No mês passado nada menos que 33 advogados foram presos. Eles atuavam como mensageiros do PCC, fazendo a ligaçãoo entre os presídios e os que atuam fora deles. Médicos, enfermeiras e dentistas também estão sendo presos, por atuarem do mesmo jeito dos advogados.

Hoje o PCC atua em 22 dos 27 Estados. Em alguns deles está em luta contra facções rivais, em busca do monopólio do crime, estendendo, também, os seus tentáculos em países vizinhos, como o Paraguai.

O PCC vem demonstrando a sua força e audácia há mais de duas décadas, sem que as “otoridades” consigam vitórias expressivas contra a organização. Até quando isso vai durar ninguém sabe. Fica a dúvida e uma ironia sem igual: no Brasil o que funciona mesmo são as organizações criminosas.