quarta-feira, 29 de novembro de 2017

POR QUE NÓS POSTAMOS? SÉRIE MOSTRA SEMELHANÇAS ENTRE BRASIL, ÍNDIA E CHINA



Por que nós postamos? A pergunta norteou a série de livros Why we post do Departamento de Antropologia da University College London (UCL), no Reino Unido. Coordenada pelo antropólogo Daniel Miller, o esforço tem o ambicioso objetivo de mapear como as redes sociais estão mudando - e são mudadas - nos mais diferentes contextos em nove países, incluindo Brasil, China, Índia e Turquia. 
"É interessante ver como há semelhanças entre grupos culturalmente tão distantes como brasileiros, indianos e chineses, e há distancia entre brasileiros pobres e ricos quando o tema são o uso das redes sociais", diz Juliano Spyer, responsável pelo livro brasileiro do conjunto." Ele diz que, enquanto as camadas médias e as elites de alguns dos países entendem que as mídias sociais distraem seus filhos das obrigações escolares, nos setores populares de Brasil, na Índia ou na China, "ver o filho na lan house , de certo modo, representa um domínio de novas tecnologias que, para os pais, tem mais possibilidades de se converter em trabalho e dinheiro do que ir à escola." 
Todos os livros da série são gratuitos, incluindo o que faz a comparação entre os países.
Publicado por Flávia Marreiro em El País

terça-feira, 14 de novembro de 2017

AUMENTA NO BRASIL A INFLUÊNCIA DOS ROBÔS NO PROCESSO ELEITORAL

(Via CMSI - Comunicação & Marketing - Soluções Integradas - cmsi-solucoes.com)
O uso, cada vez maior de robôs nas eleições brasileiras, tem chamado a atenção de pesquisadores e alvo de estudos sobre a sua importância. A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP) tem divulgado alguns deles, uma fonte importante para entendermos como as chamadas “contas automatizadas” tem interferido com muita intensidade no debate político e no processo eleitoral. 
Essas interferências, que muitos creditavam apenas aos acontecimentos registrados em outros países, já são objeto de preocupação das autoridades brasileiras, principalmente pela possibilidade de propagação de noticias “fakes”, mas a ameaça dos robôs é bem maior que isso. E vamos vê-los atuando, queiram ou não nossas autoridades, com muito vigor nas próximas eleições.
O estudo da FGV revela que a maior ameaça das contas automatizadas está na manipulação dos debates nas redes sociais e a influência que podem exercer, levando a “audiência” a adotar até mesmo posições contrárias aos seus verdadeiros interesses. Nas últimas eleições presidenciais americanas, por exemplo, uma enorme quantidade de postagens (só possível com o auxilio das contas robôs) aparentemente geradas por eleitores de Bernie Sanders, aquela altura já derrotado, pregavam a abstenção como forma de protesto. Na verdade os posts, gerados pelos conservadores, tinham como objetivo diminuir a presença dos eleitores de Sanders, que poderiam optar pelo voto em Hillary Clinton, criando espaço mais confortável para a presença dos mais conservadores, os eleitores de Donald Trump. 
Os robôs não chegaram agora no Brasil. O estudo da FGV/DAPP demonstra que eles vem atuando mais fortemente no Brasil desde 2014, durante as eleições presidenciais, quando geraram mais de 10% dos debates nas redes. Em 2017, na greve geral de abril, foram mais de 20% das interações no Twitter, entre os usuários a favor da greve, provocadas por esse tipo de conta. 
A pesquisa da FGV/DAPP emite um alerta muito importante: “não estamos imunes aos robôs e devemos buscar entender, filtrar e denunciar o uso e a disseminação de informações falsas ou manipulativas por meio desse tipo de estratégia e tecnologia”.
O estudo leva a conclusões óbvias, mas extremamente importantes. Uma delas é que a proximidade das eleições de 2018, que definirão o próximo presidente da República, torna essencial mapear as ações dos robôs, como forma de evitar intervenções extremamente danosas e ilegítimas ao processo, como já aconteceu em inúmeros países recentemente.
Dar atenção ao perigo das contas automatizadas é importante, principalmente quando se constata que é crescente o número de pessoas que se informa por meio das redes sociais em todo o mundo. No Brasil, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, revela, por exemplo, que 49% das pessoas já se informam pela internet e que existe uma clara tendência de crescimento. É aí que atuam os robôs e, mais que isso, se proliferam.
Através da manipulação, como concluem os pesquisadores da FGV, “os robôs criam a falsa sensação de amplo apoio político a certa proposta, ideia ou figura pública, modificam o rumo de políticas públicas, interferem no mercado de ações, disseminam rumores, notícias falsas e teorias conspiratórias, geram desinformação e poluição de conteúdo, além de atrair usuários para links maliciosos que roubam dados pessoais, entre outros riscos”.
Desprezar o força, o poder e a influência dessas contas automatizadas é se entregar a manipulação, com perdas expressivas nas políticas públicas. Ainda que existam centenas de exemplos do uso positivo dos robôs no mundo online, as suas interferências no mundo da política podem muito rapidamente colocar a sociedade em situação de risco. Sem uma política intensa de fiscalização e combate as ações dos robôs, baseada no conhecimento das mais modernas tecnologias, as eleições de 2018 podem ter seus resultados manipulados, ameaçando seriamente a lisura do pleito e, o que é muito pior, ameaçando seriamente o nosso futuro.
>> Confira a íntegra do estudo em PDF
>> Leia também: Os robôs nas redes sociais, por Marco Aurelio Ruediger

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

DESAPROVAÇÃO AOS POLÍTICOS PAROU DE CRESCER?


Mais uma pesquisa na praça, esta do instituto Ipsos revela que a desaprovação aos políticos está começando a dar sinais de refluxo.
Em alguns casos, como nas taxas de Geraldo Alckmin e Marina Silva, a redução na desaprovação é bastante significativa. Nos demais existe uma oscilação, ainda que não tão expressivas, mas só as próximas pesquisas poderão indicar se esses resultados são uma tendência ou apenas um resultado pontual.

Uma das teses levantadas atribui essa possível tendência à constatação, por parte do eleitorado, de que serão mesmo esses os nomes dos candidatos a presidente em 2018. E como um nome “fora da política”, um “salvador da pátria”, que seria o objeto de desejo da sociedade não apareceu e nem dá sinais de quem venha a acontecer, as pessoas estariam olhando o que existe de disponível, com um olhar mais realista e menos romântico.

Essa é mais ou menos a teoria do diretor do Ipsos, Danilo Cersosimo, que acredita na possibilidade dos eleitores estarem  começando a sair do sentimento de indignação para o resignação. É possível, mas uma olhada mais rigorosa dos números revela que ainda é cedo para uma aposta segura nessa teoria.

Seja como for, nem todos os pesquisados tiveram a sorte de uma pequena oscilação, para melhor, nas suas taxas de rejeição. Pelo contrário. O senador Aécio Neves bateu recordes negativos, quase um unanimidade, com nada menos que 93% de rejeição.  O ministro do Supremo, Gilmar Mendes, está entre os menos cotados, em curva ascendente, com 75%. Temer ainda lidera o time com 95%.


De uma forma geral o pessoal do PSDB, da Rede e do PT, têm o que comemorar com essa pesquisa do Ipsos. Alckmin viu cair a sua desaprovação de 75% para 67% e Serra de 80% para 75%. Lula viu seu índice de aprovação oscilar positivamente de 40% para 41%, a mais alta da série histórica do Ipsos, com a desaprovação oscilando de 59% para 58%. Ainda que dentro da margem de erro, mostra, pelo menos estabilidade. Marina Silva, que anda escondida, vem crescendo, de forma significativa, passando de 21% para 36%, com uma queda 11% nas suas taxas de desaprovação.   
Outro, que teve queda significativa foi o Bolsonaro, de 63% para 55%.

Em contraponto, vários especialistas da área de pesquisas, ainda que a boca pequena, têm feito críticas a essas pesquisas realizadas pelos grandes institutos. Um dos argumentos é que ainda é muito cedo para que essas pesquisas de intenção de voto reflitam de alguma forma a realidade e, que o mais sensato e útil, é investigar, neste momento, o que vai na cabeça do eleitorado. Alguns mais radicais põem em cheque também os questionários,  que estariam induzindo resultados. Se tem razão ou não, só o tempo nos dirá.


E TEMER, ACREDITE, FICOU POPULAR


 Não é piada nem notícia fake. Temer “bombou” no Google Trends. Desde o impeachment não havia tanta gente procurando por Temer no Google. E sim, nada a ver com o julgamento, pelo Congresso, das denúncias contra o presidente. Os internautas queriam saber de outro assunto e as buscas foram, em primeiro lugar para “Michel Temer passa mal”; “Michel Temer internado” em segundo, seguidos por “idade”, “hospital” , “saúde Temer” e ainda, graças ao grupo de sempre que vai atrás de qualquer notícia fake, “Temer morre”.

O pico de “popularidade” deve-se à forma amadora com que a comunicação do Planalto tratou o assunto. Primeiro deixando que a notícia fosse dada como um “furo”, depois permitindo que ela fosse tratada como boato. Auxiliares do presidente trataram o assunto com adjetivos genéricos, tipo “mal estar” e até “procedimentos de rotina”. Os nobres profissionais e políticos próximos pareciam ter esquecido que a saúde de um presidente não é um assunto privado, muito pelo contrário, interessa a todo o país. Só bem mais tarde, quando Temer, coitado, já bombava no Google, resolveram dar uma nota oficial, ainda que apelando para terminologia médica.

Para os mais velhos, impossível não lembrar de episódio que começou assim, meio banal, com uma “internação de rotina do presidente recém eleito, Tancredo Neves, que terminou, tragicamente com a sua morte, lembrança estimulada pelos repetidos erros de comunicação que costumam ser cometidos pelos profissionais palacianos, sempre que os eventos saiam da confortável rotina.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ELEICÕES, ARTE, MORAL E BONS COSTUMES: TUDO JUNTO E MISTURADO.


Ao que tudo indica as próximas eleições serão mesmo polarizadas.
E a moral e os chamados “bons costumes” estarão presentes, nas suas mais diversas áreas e temas. Basta ver como repercutiram as postagens dos políticos que se expressaram de forma categórica, nas suas redes sociais, sobre exposições de arte em São Paulo e Porto Alegre, conquistando um expressivo engajamento dos seus públicos.

2o. colocado
Entre os possíveis presidenciáveis Bolsonaro foi o que maior proveito (em números) da polêmica. Foram nada menos que 348.721 as interações e 37,540 em comentários, compartilhamentos e reações em cliques em símbolos de apoio ou contrariedade. O segundo colocado foi o João Doria, com 104.142 e 12.312. Em terceiro Ronaldo Caiado com 82.103 e 5.413. 

O MAN não é meu
Ciro: contra a "censura"
Geraldo Alckmin, que se esquivou da discussão alegando que o Museu de Arte Moderna, o MAN não tem nada a ver com a exposição e Ciro Gomes, que publicou vídeos com professor de arte com críticas a “censura” da exposição em Porto Alegre ficou com 2.407 de interações e apenas 1.917 como média em comentários e reações em cliques.

Bolsonaro, Doria, Caiado usaram termos fortes para se posicionarem contra uma performance no MAN, com um modelo nu interagindo com uma criança e a exposição (Queermuseu) sobre diversidade sexual exibida inicialmente em Porto Alegre, patrocinada pelo Santander, que a cancelou diante das críticas e protestos.

Algumas coisas são certas: temas como direito de aborto, políticas de gênero, descriminalização de drogas, homofobias e tudo o mais que se relacione com a moral e os chamados bons costumes vão estar presentes, misturados com economia, impostos, politicas de saúde, previdência social e educação, entre outros na campanha para as eleições do próximo ano

Especialistas em marketing e cientistas políticos veem a inclusão desses temas na agenda política, como resultado do desencanto com a política e o período de incertezas em que vive a sociedade brasileira. Desta forma, o eleitor termina identificando-se com políticos cuja temática, além de familiar, combine com seus mais recônditos conceitos, principalmente quando outras questões, como a economia, estão muito longe das suas possibilidade de influir.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

PESQUISAS, AH AS PESQUISAS (AGAIN AND AGAIN)



Os últimos dias foram pródigos em pesquisas, de intenção de voto e avaliação, ainda que por vias transversas, de governo. Tivemos a da CNT, do Ipsos, do Poder360, da Folha, do Ibope... em todas elas o que mais chama a atenção é a rejeição a todo mundo. Sobrou até pro Luciano Huck e a recém empossada Procuradora Geral da República, Raquel Dodge. E o Temer, coitado, está prestes a se transformar na unanimidade da rejeição.

O problema, sempre tem um problema, é que pesquisas que misturam opinião sobre desempenho dos políticos com intenção de voto, levam – muitas e muitas vezes – o entrevistado a responder como se estivesse avaliando um candidato. É difícil de acreditar que o Brasil inteiro é contra o presidente e que a PGR, que sequer completou duas semanas no cargo, já carregue a rejeição de mais de 40% dos brasileiros.

A bem da verdade Temer, ao tomar posse como presidente interino, não era exatamente um campeão de popularidade. Na época contava com o apoio de apenas 13%, em pesquisa do Ibope, contra 39% dos que já o consideravam um presidente ruim. É preciso mais análise para entender os motivos de tamanha rejeição, considerando-se que em um pouco mais de um ano, sob o seu governo a taxa de juros recuou  em praticamente à metade, a inflação caiu de 9,28% para apenas 3%, a produção industrial e as vendas do varejo aumentaram e até o desemprego, ainda que lentamente, passou a dar sinais de recuperação, com novas contratações sendo registradas mês a mês.

O caso da PGR é ainda mais curioso. A procuradora fez apenas uns dois ou três discursos, absolutamente protocolares, até a data do fechamento das pesquisas, nada justificando tão alto índice de rejeição. A de Luciano Huck é outra mal explicada. O apresentador é o típico bom moço, bem casado, não se mete em encrenca e até tem aparecido em pesquisas de outros institutos como o segundo colocado em intenções de voto para presidente, logo atrás de Joaquim Barbosa.
Outra possibilidade, ainda que apenas uma impressão, é que cada um desses institutos esteja servindo a causas não muito republicanas.

O que se pode concluir, talvez, é que a irritação dos brasileiros com os políticos e a política, insuflada, é bom que fique claro pela mídia, principalmente a televisa, pode ter chegado ao máximo, voltando-se contra qualquer que se apresente como ligado ao sistema, à política.

Sempre que qualquer notícia boa é conhecida, ouve-se, assiste-se, a ressalva: apesar da política, apesar do Congresso, apesar dos políticos... Estão todos prestando um perigosíssimo favor ao populismo, às ideias do atraso, as soluções de força. Sem a política, sem os políticos, gostemos ou não dos que aí estão, neste momento, não existe democracia, não existe liberdade. Além disso, é bom não esquecer, que essa turma aí não foi colocada lá pelos marcianos. Todos foram eleitos, foram postos nos cargos que ocupam, pela força do voto. Os brasileiros os elegeram. Cabe aos brasileiros, pela força do voto, fazer a renovação que acharem necessário. Unicamente pelo voto, unicamente de acordo com as suas consciências e convicções. E, por favor, não deleguem essa função para os nobres ocupantes do Judiciário


terça-feira, 26 de setembro de 2017

AS PESQUISAS, AH AS PESQUISAS....



É só sair uma dessas pesquisas de intenção de voto, que começam as especulações e as interpretações, a maioria delas equivocadas. Vejamos as últimas três  recentemente divulgadas:  da CNT, do Poder360 e do Ipsos.

Todas as atenções voltadas para o fato de Lula continuar na liderança, com cerca de 30% das intenções e Bolsonaro “na cola” com 20% e em franco crescimento. Daí para dar como certo que os dois já tem um lugar assegurado num hipotético segundo turno é um pulo e que não é, em absoluto verdadeiro. Já a do Ipsos, a mais recente, o que chama a atenção é o “todo mundo” com percentuais altíssimos de rejeição. Não escapa ninguém, nem mesmo a nova PGR, Raquel Dodge, que em menos de uma semana de função já chegou a casa dos 46% de rejeição.

Esquecem, no caso da CNT, principalmente os jornalistas e os comentaristas políticos, dos outros dados da pesquisa, tão o mais importante que o fato de fulano ou beltrano estarem em primeiro ou segundo lugar. Se somados as intenções de votos nesses dois, temos 50%. Os dois quartos restantes são ocupados por todos os demais presidenciáveis colocados, que juntos somam 25% das intenções e, o que é mais interessante, temos no outro quarto o pessoal que não pretende votar em nenhum deles. Está aí algo bem interessante, um enorme contingente de eleitores que eventualmente podem ser motivados por algum candidato. Um outsider? Talvez.

REJEIÇÃO NAS NUVENS PRA TODO MUNDO

Mas as tabelas mais reveladores do humor do eleitorado e do quanto vão ter que ralar os candidatos, são as dos números da rejeição. Praticamente todos estão lá pelos 50%, na pesquisa da CNT. Da turma que afirma não votar de jeito nenhum nos presidenciáveis que se apresentaram. Incluídos aí os dois que lideram a pesquisa.

A pesquisa do Poder360 é telefônica, o que exclui todos os que não possuem celular e mais um tanto de gente que não interage com gravações, revela que Lula depois de oscilar positivamente, de 26% para 32% teria retornado ao 27% tão logo acabou a caravana pelo Nordeste e o ex-presidente retornado ao noticiário negativo com as suas audiências com o juiz Sérgio Moro.
Na do Ipsos, onde todo mundo é rejeitado, o Lula obteve sinais positivos. O percentual dos não concordam com a atuação do ex-presidente caiu de 66% para 59% e a parcela que o aprova teria subido espetacularmente de 32% para 40%.

Ou seja, tem números para agradar e desagradar a Deus e o mundo.
Apenas uma coisa é comum a todas elas. O distinto público está com muita, muita má vontade com relação a todos os atores da vida pública. Basta aparecer, ser cogitado para alguma coisa, que lá vem a avaliação negativa.

CANDIDATURAS AVULSAS

A conclusão é das mais óbvias: serão eleições difíceis, muito difíceis para todo mundo, com exceção, talvez para algum outsider que apareça por aí. Mas mesmo assim, tão logo se apresente atrairá desconfianças e rejeição, principalmente se vier atrelado a algum dos partidos que estão na mira da sociedade. O melhor dos mundos para esse “senhor(a) desconhecido(a)” seria a candidatura independente. A possibilidade talvez exista. O ministro Barroso, do Supremo liberou para julgamento uma ação sobre a possibilidade de pessoas sem filiação partidária concorrerem em eleições.

De resto espera-se, seja lá de quem for, um projeto de nação, coisa que até agora os presidenciáveis postos não apresentaram. Cientistas políticos acreditam que nas próximas eleições o voto será mais conservador e que o eleitor será, também, mais exigente. Ou seja, não vai adiantar sair por aí dizendo que vai resolver tudo na base da truculência que não vai adiantar. Os próximos meses serão bastante decisivos para ver que tem fôlego para continuar na disputa e se este tal de “desconhecido apartidário” aparecerá e será convincente. A ver.

sábado, 16 de setembro de 2017

BRASIL É CAMPEÃO MUNDIAL EM REFORMAS POLÍTICAS



Fala-se tanto de reforma política atualmente, que ficamos com a impressão de que se trata não só de uma grande novidade, como também  que ela seja capaz, como num passe de mágica, acabar de vez com todos com os nossos problemas relacionados com as eleições e a representatividade, tanto do legislativo como do executivo. E, desta vez, pretende-se inclusive incluir o judiciário.

Todos parecem esquecidos de que somos verdadeiros campeões em reformas políticas e que, na verdade, a média nacional é de uma minirreforma a cada 18 meses, começando em 1993, quando acabou o prazo para a implantação das disposições transitórias da Constituição de 1988.

E mais: todas essas alterações foram feitas sempre em véspera de ano eleitoral, atendendo às circunstâncias do momento, perfazendo nada menos que 14 alterações importantes ao longo de 22 anos, noves fora as menos relevantes. Basicamente todas elas revelam conveniências eleitorais do momento e a busca pura e simples de sobrevivência política.

Para os maior interessado, o distinto público, fica a confusão na hora de votar, sem que ninguém conheça de fato quais são as regras e o destino real do voto, principalmente nas eleições proporcionais, onde – no modelo atual, por exemplo – é possível eleger um determinado candidato votando em outro.

Neste momento um dos problemas que mais chama a atenção é de onde virá e de quanto será o dinheiro para financiar as campanhas. Mas uma série de outros estão na fila dos que serão votados/decididos por uma classe política fragilizada, acuada pelo judiciário e desacreditada pela maioria da população.

Nesse ambiente o mais provável e que, mais um vez, sejam feitas mudanças de afogadilho, que serão revistas, num ciclo vicioso, em 2020. E assim prosseguiremos, testando e mudando a legislação a cada nova eleição.

Além disso, a ingerência, cada vez maior, do Judiciário no assunto também não ajuda, ainda que boa parte dela seja provocada pelos políticos que recorrem a Justiça para resolver questões que deveriam solucionadas politicamente.

O mais sensato seria discutir projetos de reformas políticas como plataformas/propostas, a serem apresentadas e discutidas na próxima campanha de 2018. Temas fundamentais como coligações, número de agremiações partidárias,  financiamento (público, privado ou misto), formato de campanhas, voto obrigatório etc., etc. deveriam ser discutidos e aprovados ou não pela população, afinal ninguém sabe ao certo o que desejam os eleitores.

Distritão, distrital misto, financiamento público, na casa dos bilhões, 27 artigos, alterados há 2 anos, que estão de volta, entre muitos outros que estão sendo discutidos no Congresso, podem fazer suas estreias no próximo pleito. São mudanças  que terão de ser bem explicadas aos eleitores, cuja boa vontade com os políticos está no rés do chão.

É esse o clima que os candidatos terão que enfrentar.
Ou seja não será uma eleição fácil para ninguém.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ESTÁ NA HORA DOS BONS MOSTRAREM "O SEU VALOR"

 
“Tem esquema em todo lugar: na universidade, nos bombeiros, no Legislativo, no Executivo, na iniciativa privada...”O lamento está, hoje, no Fórum dos Leitores do Estadão. (Eu acrescentaria no Judiciário...) Mas esse é o tipo de lamento/constatação, que se constitui no maior dos perigos que ameaçam o País.

Ladroagem e “esquemas” existem em todos os segmentos das sociedades, modernas ou não, em qualquer lugar do planeta. A diferença está na impunidade e no grau de contaminação, do controle que possam exercer sobre a população.

Denúncias de toda a sorte, prisões de figurões até bem pouco tempo tidos com intocáveis, delações, premiadas ou não a roldo, depoimentos teatrais de condenados... todos os dias somos surpreendidos por toda sorte de “mal feitos”, cada um mais espetaculoso, mais grave e insuspeitado que os outros.

Com isso vamos concluindo, com uma ajudinha dos meios de comunicação e seus comentaristas especializados, que ninguém presta, que a prática de crimes, nos seus mais variados graus, é uma característica inata da política e dos políticos e, o que é bem pior, que a corrupção é algo entranhado na sociedade brasileira, onde apenas a oportunidade de cometer delitos separa os honestos dos desonestos.

Por tudo isso está mais que na hora das pessoas de bem, dos políticos honestos (sim, eles existem sim senhor), saírem da toca, transformarem a vergonha e o medo em esperança real para o País. Sim, País com letra maiúscula mesmo.

A descrença total na política e nos políticos costuma levar à ditaduras. Não importa se da direita ou da esquerda, populistas ou não. A democracia, para sobreviver, precisa da política e dos políticos. E ela, neste momento do Brasil, precisa de uma renovação total.
 
Não é a toa que começam a surgir outsiders, dispostos a concorrer em todos os cargos eletivos, cuja plataforma principal está no fato de não serem políticos, de não praticarem a política tradicional.

São bem-vindos, sem dúvida nenhuma, como um fator de renovação necessário. Mas o fato de serem apenas outsiders, neste momento, não é uma credencial completa e definitiva para que ocupem cargos, relevantes ou não. 

O Brasil precisa de pessoas, de políticos, novos ou velhos, que tenham projetos, que defendam causas, capazes de mobilizar a sociedade.

E essas pessoas, esses políticos precisam dialogar e muito com a sociedade. Menos falatórios sobre quem são e mais ideias para serem discutidas. As redes sociais estão aí e são um ótimo instrumento para oxigenação do debate, sobre os caminhos que devemos trilhar, para sair desse atoleiro e chegarmos ao lugar que merecemos entre as demais nações do planeta.

E a hora é essa. Quem se atrasar vai perde o bonde da história

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

BOLSONARO LIDERA NO FACEBOOK. MUITO BEM. E DAÍ?


Bolsonaro é líder disparado nas interações no Facebook, com a página que gera mais compartilhamentos, comentários e reações, com nada menos que 93,4 millhões de interações com usuários, desde janeiro de 2014. Lula vinha em segundo lugar, com 66,4 milhões, mas perdeu o posto para o prefeito de São Paulo, João Doria.

A página de Bolsonaro tem mais seguidores do que as de todos os seus rivais na disputa para a presidência desde março de 2016. Eles somam 4,5 milhões contra os 3 milhões da de Lula. E mais o Facebook de Bolsonaro é mais constante e orgânica que os da maioria dos seus adversários, que registram crescimentos abruptos de uma vez para o outro, um sinal de que foram “bombadas” profissionalmente.

Bolsonaro distingue-se também pelo uso intensivo de vídeos. Nenhum dos seus adversários publicou mais vídeos do que ele, que já foram assistidos por 740 milhões de vezes. O candidato é líder também em reações (64 milhões), mais comentários (5,7 milhões) e compartilhamentos (24 milhões).

É certo que boa parte das reações (comentários) é negativa, mas é óbvio que os números indicam sem sombra de dúvida que – ao contrário dos seus adversários – Bolsonaro tem uma militância digital muito mais aguerrida e atuante.

O que isso significa de verdade para a transformação dessas interações e numero de seguidores em votos reais no mundo off-line só as urnas dirão com certeza. Mas é fato verdadeiro que – sejam quais forem os resultados – quem desejar fazer uma boa campanha não pode desprezar as redes sociais e muito menos usa-las amadoristicamente, sem a ajuda de profissionais da área.

(Números extraídos de reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 21 de agosto).



terça-feira, 18 de julho de 2017

AS TRÊS NARRATIVAS, RUINS, DA CRISE

Para “explicar” a crise e tentar arregimentar adeptos, as maiores correntes politicas do país oferecem três narrativas sem nenhuma proposta realista para o futuro ou indicação de rumos, centradas, todas três, na sobrevivência de curto ou- no máximo – de médio prazo.

Duas dessas narrativas são praticamente idênticas. Fui condenado e/ou estou sendo processado sem provas, ao contrário do meu adversário, acusado/condenado com base em fatos robustos e verdadeiros. A diferença é um já estar condenado e outro, por enquanto, apenas processado. A terceira é da turma do PSDB, cujo presidente também está na mira da Justiça, que não sabe se fica ou sai do Governo e não oferece aos seus eleitores nenhuma leitura realista e do interesse da população/eleitorado para a crise.

A vitimização esgrimida pelo PT e seus aliados é coerente com o momento, mas não pode estender-se ao infinito e além. Serve para energizar a militância, tentar despertar solidariedade, mas é um discurso datado, com prazo de validade e dependente do julgamento do Lula, na segunda instância. Falta a narrativa um projeto de superação da crise que vá além do recall, retomada, dos tempos positivos da primeira gestão do Lula. O ex-presidente aliás já se deu conta disso e inseriu no seu discurso os “bons tempos” das suas gestões, principalmente a primeira, embutindo a promessa de que eles podem voltar, com a sua volta a Presidência.

A defesa do Temer é semelhante, ainda que sem a ênfase na vitimização. O presidente quer se contrapor as denúncias, realçando as conquistas do seu curto governo e com a necessidade de mudar o foco para a aprovação das necessárias reformas para tirar o país da crise. Resta saber se as vitórias políticas que conseguiu até agora no Congresso serão repetidas na volta do recesso e o apoio que possui se manterá quando novas denuncias do PGR forem apresentadas.


No PSDB a liderança tradicional é sacudida do muro no qual sempre se refugia, por figuras novas, outras nem tanto, que desejam se desligar do governo, mas cujas propostas se resumem ao vago “apoio às reformas”, com ou sem Temer. Com o seu presidente e presidenciável maior, também abatido pelas acusações do PGR, afastado “provisoriamente” do cargo,  o que sobra são as indefinições de sempre. A exceção agora é que a briga interna está chegando às ruas, onde entram inclusive a pressão pela indicação do seu candidato às próximas eleições, vivenciando uma crise declarada, que não fazia parte, até agora, do seu modelo tradicional.

Correndo por fora temos o pessoal mais a direita, neste momento capitaneada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, que muitos apostam que não chega nem ao segundo turno, mas é sempre bom lembrar de exemplos recentes, de candidatos que ninguém apostava e que foram eleitos. Creio que Trump basta.  Os demais, Ciro Gomes, Marina Silva e etc., permanecem lá atrás, sem muita perspectiva e pior, sem um discurso que entusiasme o eleitorado.

O distinto público, os eleitores, por enquanto, pelo menos, não parecem se entusiasmar com nenhuma dessas narrativas ou personagens. Lula continua na dianteira das pesquisas com o seu piso tradicional de 30%. Até quando depende muito mais do Judiciário do que de qualquer outra coisa. 

A economia dá sinais cambaleantes de melhora, mas nada que entusiasme, muito menos aos milhões de desempregados. As panelas estão mudas, as manifestações a esquerda ou a direita, restritas as torcidas organizadas.

Por enquanto é torcer para que apareça algo melhor do que está colocado e nos dê esperanças de dias realmente melhores

domingo, 16 de julho de 2017

Por quanto tempo vc sobreviverá se não se adaptar as mudanças?


Nos últimos anos foram muitas as mudanças que alteram nosso modo de vida e as relações de trabalho. (Aqui embaixo vai uma lista, bem pequena, só pra ilustrar).

E vc tem prestado atenção ao que está acontecendo no mundo?  Vc realmente pensa que pode continuar a viver como vivia há 10 anos? Já se perguntou por quando tempo conseguirá sobreviver se não se adaptar?  Por quanto tempo seu emprego/trabalho na forma atual, vai durar?

Depois de refletir um pouco sobre isso, você ainda quer viver como vivia há 10 anos?

Melhor começar a se reinventar diariamente para continuar no jogo. O negócio é ir em frente. Não porque atrás vem gente, mas porque já tem muita gente na frente. E se você nem sabe o significado de boa parte dos nomes aí em negrito tem que se apressar ainda mais. 

O Spotify praticamente faliu as gravadoras;  O Netflix faliu as locadoras; O Booking complicou a vida das agências de viagens;  O Google faliu a Listel, Páginas Amarelas e as enciclopédias;  O Airbnb está complicando a vida dos hotéis;  O WhatsApp complicou a vida das operadoras de telefonia;  As Mídias Sociais estão complicando a vida dos veículos tradicionais de comunicação;  O Uber e afins complicou a vida dos taxistas. E em breve os carros autônomos vão complicar a vida de todos os motoristas;  A OLX acabou com os classificados dos jornais;  Os Smartphones acabaram com as revelações dos filmes fotográficos e com as câmeras amadoras;  O Zip Car está deixando as locadoras de veículos de cabelo em pé;  A Tesla está complicando a vida das montadoras de automóveis; O e-mail e a má gestão complicaram a vida dos Correios;  O Waze acabou com o GPS; O Original e o Nubank ameaçam o sistema bancário tradicional;  A Nuvem complicou a vida dos Pen Drive;  O YouTube complica cada vez mais a vida das TVs. Muita gente nem sabe mais da existência dos canais abertos;   O Facebook complicou a vida dos portais de conteúdo;  O Coaching mudou a forma de aprender, pensar e agir de muita gente; Tinder e similares está complicando baladas e afins;  Com os bancos online quase ninguém precisa ir as agências, diminuindo o mercado dos bancários.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A ESQUERDA BRASILEIRA PRECISA APRENDER A PENSAR. Consegue reunir cerca de 30 mil "militantes" numa manifestação, mas entrega tudo para os sempre presentes "mascarados" que a transforma, também como sempre, em baderna e vandalismo, pois não consegue parar para pensar em como manter sobre controle a minoria do tanto pior melhor.
Os ilustres deputados não ficam atrás: tomam de assalto a mesa da Câmara, com seus cartarzinhos e impedem a continuidade dos trabalhos. Não satisfeitos ainda protagonizam a velha cena dos empurrões e pontapés no plenário.
 
Será que 25/30 mil militantes não são capazes de controlar a turma do quebra-quebra, totalmente previsíveis, mas que ontem foram além das provocações a polícia para tentar destruir, incendiando prédios públicos e vandalizando equipamentos e computadores, atirados pela janelas dos ministérios.
Acham mesmo que os funcionários que fazem hoje faxina nos seus locais de trabalho e que passarão um bom tempo tendo que recuperar tudo o que foi perdido, quer queiram quer não, vão ficar felizes s solidários coma turba?
Hoje, em vez de estarem felizes e sorridentes com a demonstração de força de sua militância, colheram uma bela associação com a baderna e a esculhambação.
Será que não enxergam um potencial espetacular de possíveis apoiadores no mais de 10 milhões de desempregados, mais infelizes que os demais com o atual governo e que poderiam engrossar a tropa dos insatisfeitos, mas que não estão nem um pingo dispostos a apanhar da polícia e nem acham que a melhor solução para as suas vidas está na destruição do patrimônio público?
 
Será que ninguém nas hostes esquerdista consegue pensar que o "Fora Temer" não galvaniza ninguém entre as pessoas comuns, pelo simples fato de que a maioria absoluta da população não vê o presidente com bons olhos e só não vai na onda porque simplesmente não vislumbra ninguém para substitui-lo?
Ah, mas temos o Lula, acreditam. E quanto mais depressa coloca-lo lá melhor, pois assim escapa das garras do Moro. Será que não pensam que os atuais 30% de apoiadores não são suficientes para colocar o Lula lá, sem mais motivos que o de livra-lo da cadeia?
Ninguém se dá conta que é preciso apresentar um projeto, um plano de governo que vá além do recall dos dois mandatos do Lula, por mais positivas que sejam as lembranças dos seus dois governos?
"Eleições Diretas Já", va lá, mas com quem? É essa a pergunta que interessa a população. E muito provavelmente Lula não será uma atração capaz de amealhar uma maioria ampla, geral e quase irrestrita do eleitorado. Será que acreditam também que os demais candidatos de plantão vão deixar Lula correr solto numa campanha onde, gostem ou não, ele entra com um espetacular rabo de palha?
E o projeto? Temos algo melhor que a vingança do "fora Temer", "volta Lula" e "não as reformas"e "tudo o que está aí" é que o País tanta deseja e precisa?
Acham mesmo que, seja lá quem for, o vencedor dessas hipotéticas eleições vai conseguir tocar o País pra frente sem fazer nenhuma dessas reformas?
O Brasil está a deriva, num mar tempestuoso, a espera de um comandante que tenha mais que a vontade de tomar o leme pelas mãos. Seja lá quem for precisa de um plano, um projeto crível e viável para a chegada, mais ou menos incólume, ao próximo porto. É preciso alguém, que consiga conectar pelo menos dois neurônios e pense bem no que fazer. E que convença os passageiros desta nau desgovernada do que fazer, que rota vai adotar. Nos transformarmos numa próxima Venezuela é que não vai dar.