segunda-feira, 21 de agosto de 2017

BOLSONARO LIDERA NO FACEBOOK. MUITO BEM. E DAÍ?


Bolsonaro é líder disparado nas interações no Facebook, com a página que gera mais compartilhamentos, comentários e reações, com nada menos que 93,4 millhões de interações com usuários, desde janeiro de 2014. Lula vinha em segundo lugar, com 66,4 milhões, mas perdeu o posto para o prefeito de São Paulo, João Doria.

A página de Bolsonaro tem mais seguidores do que as de todos os seus rivais na disputa para a presidência desde março de 2016. Eles somam 4,5 milhões contra os 3 milhões da de Lula. E mais o Facebook de Bolsonaro é mais constante e orgânica que os da maioria dos seus adversários, que registram crescimentos abruptos de uma vez para o outro, um sinal de que foram “bombadas” profissionalmente.

Bolsonaro distingue-se também pelo uso intensivo de vídeos. Nenhum dos seus adversários publicou mais vídeos do que ele, que já foram assistidos por 740 milhões de vezes. O candidato é líder também em reações (64 milhões), mais comentários (5,7 milhões) e compartilhamentos (24 milhões).

É certo que boa parte das reações (comentários) é negativa, mas é óbvio que os números indicam sem sombra de dúvida que – ao contrário dos seus adversários – Bolsonaro tem uma militância digital muito mais aguerrida e atuante.

O que isso significa de verdade para a transformação dessas interações e numero de seguidores em votos reais no mundo off-line só as urnas dirão com certeza. Mas é fato verdadeiro que – sejam quais forem os resultados – quem desejar fazer uma boa campanha não pode desprezar as redes sociais e muito menos usa-las amadoristicamente, sem a ajuda de profissionais da área.

(Números extraídos de reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 21 de agosto).



terça-feira, 18 de julho de 2017

AS TRÊS NARRATIVAS, RUINS, DA CRISE

Para “explicar” a crise e tentar arregimentar adeptos, as maiores correntes politicas do país oferecem três narrativas sem nenhuma proposta realista para o futuro ou indicação de rumos, centradas, todas três, na sobrevivência de curto ou- no máximo – de médio prazo.

Duas dessas narrativas são praticamente idênticas. Fui condenado e/ou estou sendo processado sem provas, ao contrário do meu adversário, acusado/condenado com base em fatos robustos e verdadeiros. A diferença é um já estar condenado e outro, por enquanto, apenas processado. A terceira é da turma do PSDB, cujo presidente também está na mira da Justiça, que não sabe se fica ou sai do Governo e não oferece aos seus eleitores nenhuma leitura realista e do interesse da população/eleitorado para a crise.

A vitimização esgrimida pelo PT e seus aliados é coerente com o momento, mas não pode estender-se ao infinito e além. Serve para energizar a militância, tentar despertar solidariedade, mas é um discurso datado, com prazo de validade e dependente do julgamento do Lula, na segunda instância. Falta a narrativa um projeto de superação da crise que vá além do recall, retomada, dos tempos positivos da primeira gestão do Lula. O ex-presidente aliás já se deu conta disso e inseriu no seu discurso os “bons tempos” das suas gestões, principalmente a primeira, embutindo a promessa de que eles podem voltar, com a sua volta a Presidência.

A defesa do Temer é semelhante, ainda que sem a ênfase na vitimização. O presidente quer se contrapor as denúncias, realçando as conquistas do seu curto governo e com a necessidade de mudar o foco para a aprovação das necessárias reformas para tirar o país da crise. Resta saber se as vitórias políticas que conseguiu até agora no Congresso serão repetidas na volta do recesso e o apoio que possui se manterá quando novas denuncias do PGR forem apresentadas.


No PSDB a liderança tradicional é sacudida do muro no qual sempre se refugia, por figuras novas, outras nem tanto, que desejam se desligar do governo, mas cujas propostas se resumem ao vago “apoio às reformas”, com ou sem Temer. Com o seu presidente e presidenciável maior, também abatido pelas acusações do PGR, afastado “provisoriamente” do cargo,  o que sobra são as indefinições de sempre. A exceção agora é que a briga interna está chegando às ruas, onde entram inclusive a pressão pela indicação do seu candidato às próximas eleições, vivenciando uma crise declarada, que não fazia parte, até agora, do seu modelo tradicional.

Correndo por fora temos o pessoal mais a direita, neste momento capitaneada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, que muitos apostam que não chega nem ao segundo turno, mas é sempre bom lembrar de exemplos recentes, de candidatos que ninguém apostava e que foram eleitos. Creio que Trump basta.  Os demais, Ciro Gomes, Marina Silva e etc., permanecem lá atrás, sem muita perspectiva e pior, sem um discurso que entusiasme o eleitorado.

O distinto público, os eleitores, por enquanto, pelo menos, não parecem se entusiasmar com nenhuma dessas narrativas ou personagens. Lula continua na dianteira das pesquisas com o seu piso tradicional de 30%. Até quando depende muito mais do Judiciário do que de qualquer outra coisa. 

A economia dá sinais cambaleantes de melhora, mas nada que entusiasme, muito menos aos milhões de desempregados. As panelas estão mudas, as manifestações a esquerda ou a direita, restritas as torcidas organizadas.

Por enquanto é torcer para que apareça algo melhor do que está colocado e nos dê esperanças de dias realmente melhores

domingo, 16 de julho de 2017

Por quanto tempo vc sobreviverá se não se adaptar as mudanças?


Nos últimos anos foram muitas as mudanças que alteram nosso modo de vida e as relações de trabalho. (Aqui embaixo vai uma lista, bem pequena, só pra ilustrar).

E vc tem prestado atenção ao que está acontecendo no mundo?  Vc realmente pensa que pode continuar a viver como vivia há 10 anos? Já se perguntou por quando tempo conseguirá sobreviver se não se adaptar?  Por quanto tempo seu emprego/trabalho na forma atual, vai durar?

Depois de refletir um pouco sobre isso, você ainda quer viver como vivia há 10 anos?

Melhor começar a se reinventar diariamente para continuar no jogo. O negócio é ir em frente. Não porque atrás vem gente, mas porque já tem muita gente na frente. E se você nem sabe o significado de boa parte dos nomes aí em negrito tem que se apressar ainda mais. 

O Spotify praticamente faliu as gravadoras;  O Netflix faliu as locadoras; O Booking complicou a vida das agências de viagens;  O Google faliu a Listel, Páginas Amarelas e as enciclopédias;  O Airbnb está complicando a vida dos hotéis;  O WhatsApp complicou a vida das operadoras de telefonia;  As Mídias Sociais estão complicando a vida dos veículos tradicionais de comunicação;  O Uber e afins complicou a vida dos taxistas. E em breve os carros autônomos vão complicar a vida de todos os motoristas;  A OLX acabou com os classificados dos jornais;  Os Smartphones acabaram com as revelações dos filmes fotográficos e com as câmeras amadoras;  O Zip Car está deixando as locadoras de veículos de cabelo em pé;  A Tesla está complicando a vida das montadoras de automóveis; O e-mail e a má gestão complicaram a vida dos Correios;  O Waze acabou com o GPS; O Original e o Nubank ameaçam o sistema bancário tradicional;  A Nuvem complicou a vida dos Pen Drive;  O YouTube complica cada vez mais a vida das TVs. Muita gente nem sabe mais da existência dos canais abertos;   O Facebook complicou a vida dos portais de conteúdo;  O Coaching mudou a forma de aprender, pensar e agir de muita gente; Tinder e similares está complicando baladas e afins;  Com os bancos online quase ninguém precisa ir as agências, diminuindo o mercado dos bancários.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A ESQUERDA BRASILEIRA PRECISA APRENDER A PENSAR. Consegue reunir cerca de 30 mil "militantes" numa manifestação, mas entrega tudo para os sempre presentes "mascarados" que a transforma, também como sempre, em baderna e vandalismo, pois não consegue parar para pensar em como manter sobre controle a minoria do tanto pior melhor.
Os ilustres deputados não ficam atrás: tomam de assalto a mesa da Câmara, com seus cartarzinhos e impedem a continuidade dos trabalhos. Não satisfeitos ainda protagonizam a velha cena dos empurrões e pontapés no plenário.
 
Será que 25/30 mil militantes não são capazes de controlar a turma do quebra-quebra, totalmente previsíveis, mas que ontem foram além das provocações a polícia para tentar destruir, incendiando prédios públicos e vandalizando equipamentos e computadores, atirados pela janelas dos ministérios.
Acham mesmo que os funcionários que fazem hoje faxina nos seus locais de trabalho e que passarão um bom tempo tendo que recuperar tudo o que foi perdido, quer queiram quer não, vão ficar felizes s solidários coma turba?
Hoje, em vez de estarem felizes e sorridentes com a demonstração de força de sua militância, colheram uma bela associação com a baderna e a esculhambação.
Será que não enxergam um potencial espetacular de possíveis apoiadores no mais de 10 milhões de desempregados, mais infelizes que os demais com o atual governo e que poderiam engrossar a tropa dos insatisfeitos, mas que não estão nem um pingo dispostos a apanhar da polícia e nem acham que a melhor solução para as suas vidas está na destruição do patrimônio público?
 
Será que ninguém nas hostes esquerdista consegue pensar que o "Fora Temer" não galvaniza ninguém entre as pessoas comuns, pelo simples fato de que a maioria absoluta da população não vê o presidente com bons olhos e só não vai na onda porque simplesmente não vislumbra ninguém para substitui-lo?
Ah, mas temos o Lula, acreditam. E quanto mais depressa coloca-lo lá melhor, pois assim escapa das garras do Moro. Será que não pensam que os atuais 30% de apoiadores não são suficientes para colocar o Lula lá, sem mais motivos que o de livra-lo da cadeia?
Ninguém se dá conta que é preciso apresentar um projeto, um plano de governo que vá além do recall dos dois mandatos do Lula, por mais positivas que sejam as lembranças dos seus dois governos?
"Eleições Diretas Já", va lá, mas com quem? É essa a pergunta que interessa a população. E muito provavelmente Lula não será uma atração capaz de amealhar uma maioria ampla, geral e quase irrestrita do eleitorado. Será que acreditam também que os demais candidatos de plantão vão deixar Lula correr solto numa campanha onde, gostem ou não, ele entra com um espetacular rabo de palha?
E o projeto? Temos algo melhor que a vingança do "fora Temer", "volta Lula" e "não as reformas"e "tudo o que está aí" é que o País tanta deseja e precisa?
Acham mesmo que, seja lá quem for, o vencedor dessas hipotéticas eleições vai conseguir tocar o País pra frente sem fazer nenhuma dessas reformas?
O Brasil está a deriva, num mar tempestuoso, a espera de um comandante que tenha mais que a vontade de tomar o leme pelas mãos. Seja lá quem for precisa de um plano, um projeto crível e viável para a chegada, mais ou menos incólume, ao próximo porto. É preciso alguém, que consiga conectar pelo menos dois neurônios e pense bem no que fazer. E que convença os passageiros desta nau desgovernada do que fazer, que rota vai adotar. Nos transformarmos numa próxima Venezuela é que não vai dar.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ABRINDO A TIME LINE ÀS BESTAS DO APOCALIPSE



Prestes a publicar uma nova página no Face, como “Figura Pública”, me deparei com um velho dilema. Não foram poucas as vezes em que dei “likes”, alguns acompanhados de comentários solidários, para muitos amigos,  irritados com posts de conteúdo ofensivo, não só às suas ideias, como pela forma grosseira com que se referem a qualquer um que lhes ofereça um contraditório. Fartos, decidiram não só apaga-los, como deletar, também, essas pessoas de suas vidas no Face.

Eu mesmo, confesso, já fiz isso também. Mas, nesse momento, decidi ir em sentido contrário: vou abrir a minha página, assim como o Blog do Mena, para qualquer um que queira comentar qualquer coisa, mesmo correndo o risco de transformar a time line em um ringue. Preservarei a minha página pessoal, fechada aos amigos e familiares, com questões – digamos assim – mais brandas.

A razão é, de certo modo, simples: Estamos perto, muito perto, de uma campanha eleitoral que será, com toda certeza, demasiadamente acirrada, marcada pela carência de lógica e pela polarização. E aí você deve estar se perguntando: vai abrir espaço para isso? Sim, essa é a ideia. Abrir não só para o debate político, não importa o nível, e para outras ideias que na maioria das vezes o destino seria a lata de lixo.

Sim, o radicalismo derruba a democracia, a boa convivência entre as pessoas e passa longe da verdade. A opção pelo ódio e a recusa ao contraditório é atraente, pois fica fácil jogar a culpa de tudo de ruim nos outros, nas pessoas que discordam dos seus argumentos. É o que talvez explique, a quantidade de indivíduos que esgrimem esse tipo de ideias, que os deixam confortavelmente imune às críticas.

Apesar disso, quero, de forma absolutamente otimista, abrir espaço para reflexões e diálogos até mesmo com as “bestas do apocalipse”, aquele tipo de gente que só enxerga o paraíso nas suas ideias e o apocalipse nas dos outros.  Quero acreditar – sem a pretensão de convencer ninguém – que refletir, dialogar, perguntar, sem adjetivos, sem insultos, com honestidade, pode ser uma pequena semente para, no mínimo, deixarmos florescer o conhecimento do outro. No momento em que, no nosso País, os projetos de nação, de convivência humana e cidadã, sequer reconhecem a existência legitima do outro, acho que vale, pelo menos, experimentar a possibilidade de um encontro de ideias sobre a possibilidade de um futuro de bem-estar que inclua todos nós e não apenas aqueles mais próximos dos nossos narizes.


Vamos ver, então, o quanto será possível. Que venham as bestas do apocalipse e também os anjos. O espaço vai estar aberto. Quem sabe, pelo menos uns dois ou três podem tirar proveito disso.

Veremos.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

STF UMA CORTE POLÍTICA –


Pelo visto uma das estratégias utilizadas na Operação Lava Jato de utilizar as prisões preventivas para forçar as tais de delações está com os seus dias contados. Pelo menos no que depender dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.

O que há por trás do Gilmar?
O que se observa é que, desde a morte do ministro Teori Zavascki, as decisões do STF tem ido de encontro, mais claramente, à política de prisões preventivas. Ao longo dos últimos anos, ao contrário do que começa a se desenhar, o STF adotou soluções jurídicas que deram suporte a Lava Jato. O que mudou agora, nas decisões mais recentes, capitaneadas pelo ministro boquirroto Gilmar Mendes?

Toffoli: o fiel escudeiro
O Supremo vai admitir que errou no passado? Não se espera muitas flexibilidades de uma corte suprema. Para funcionar adequadamente ela tem que funcionar com critérios jurídicos sólidos e o mais permanentes possíveis. Não dá para compreender e respeitar um Supremo que muda de ideias, que interpreta leis de acordo com as conveniências e/ou da postura política, momentânea ou não, dos seus ministros.

Fachin, derrotado tres vezes
Nos bastidores, procuradores e o juiz Sérgio Moro, já travam uma guerra silenciosa com alguns dos ministros. Quem sairá vencedor? O certo é que hoje temos um Supremo que só pode ser visto e analisado, em suas decisões pela via política. O Direito começa (?) a ser deixado de lado. E o resultado disso não fará nenhum bem ao País.


COMO EDUCAR AS NOSSAS FILHAS PARA SEREM FEMINISTAS




É um desafio e tanto, principalmente para evitarmos radicalismos ou ficarmos apenas num feminino light, que não leva a lugar nenhum. Num mundo onde as mulheres são constantemente discriminadas, recebem menos que os homens,  muitas ainda tendo de cumprir uma dupla jornada de trabalho e onde o tema igualdade de gênero, mais que nunca está em pauta, um pequeno livro (apenas 79 páginas) da consagrada escritora nigeriana Chimamanda Adichiei– PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS – UM MANIFESTO traz conselhos simples de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, independentemente de gênero.

No livro escrito, no formato de uma carta a uma amiga, que acaba de se tornar mãe de uma menina, Chimamanda lembra como é extremamente urgente discutirmos novas maneiras de criarmos os nossos filhos, preparando-os para serem pessoas melhores e a como enfrentarem, com sucesso, o mundo atual, cidadãos conscientes do que é preciso fazer para mudarmos a sociedade e fortalecermos as relações entre homens e mulheres.

São apenas 15 sugestões para criar filhos dentro de uma perspectiva feminista, mas acima de tudo libertária, que podem ajudar muito às pessoas que ainda acreditam que a educação é o passo inicial para a construção de uma sociedade mais justa e plural.

Chimamanda é autora de três livros fantásticos, que recomendo com entusiasmo: Meio Sol Amarelo de 2008, Hibisco Roxo (2011) e Americanah (2014). Ela assina também  uma coleção de contos (The Thing araound Your Neck de 2009) e um manifesto Sejamos todos feministas, http://yedxtalks.ted.com/video/We-should-all-be-feminist-Chim)  e musicado por Beyoncé (http://www.youtube.com/watch?v=IyuUWOnS9BY) Tem ainda uma segundo conferencia sobre os perigos de uma história única, onde ela chama a atenção para o fato de nossas  vidas, nossas culturas serem compostas de muitas histórias sobrepostas. Se ouvimos apenas uma história, seja sobre uma pessoas, um país, uma cultura, corremos o risco de gerar grandes mal=entendidos. As duas valem muito, muitíssimo a pena.
uma adaptação de discurso feito por ela no TEDx Euston, que já foi visualizado por mais de um milhão e meio de pessoas. (

quarta-feira, 5 de abril de 2017

VADIAR PARA PRODUZIR MAIS


Executivos em geral, jornalistas e publicitários, entre muitos outros, são vítimas da produtividade de aparência e das reuniões improdutivas do mercado de trabalho. Até aí nenhuma novidade. Mas já tem gente contestando tudo isso e advogando o ócio produtivo.

Pesquisas informais indicam que os dias de trabalho dos brasileiros são muito mais longos que seus pares em outros países. E, é claro, muito menos produtivos.

Discute-se em longas reuniões assuntos que poderiam ser substituídas por uma simples troca de e-mails e outros recursos. A conexão eletrônica é outra vilã, ao invadir a vida pessoal com trabalho, na maior parte do tempo, com questões que poderiam, sem nenhum problema, ser tratado durante o expediente normal. A falto de foco é outro problema apontado para explicar, também, o tempo excessivo dos brasileiros no trabalho.

Para quem estiver disposto a mudar de vida há alento. Lucia Guimarães,
colunista do Estadão, que mora em Nova York, comentando o assunto, trouxe depoimentos de algumas personalidades mundiais, bem sucedidas, que incluem horas de ócio como fator de aumento da produtividade, como Charles Darwin e Ingmar Bergman. Os dois trabalhavam apenas algumas horas por dia, mas deixaram uma produção alentada.

Alex Soojung-Kim Pang, um autor americano, acredita que algumas grandes figuras históricas deveriam ser estudadas não apenas por suas conquistas, mas também pela maneira como descansavam. Alex, um veterano do Vale do Silício e fundador da Restful Company, uma consultoria que se debruça sobre o problema do excesso de trabalho e seus efeitos na produtividade, é autor do livro Rest, Why You Get More Done When You Work Less (Descanso, Por Que Você Faz Mais Quando Trabalha Menos).

Segundo Alex, pessoas talentosas vão longe, não apesar do lazer e/ou do descanso, mas – para surpresa geral – por causa deles. Ressalta, no entanto, a necessidade de uma disciplina, de manter o foco, durante o trabalho e ao mesmo tempo administrar corretamente as horas, os momentos de lazer e descanso, distribuindo-os de forma correta, deliberada e consciente.

Faço coro a Lúcia Guimarães: mais ócio, menos reuniões, mais produtividade.


JAIR DORIA X JOÃO BOLSONARO


Ainda que em formatos e conteúdos diferentes, o prefeito de São Paulo, João Doria e o deputado federal Jair Bolsonaro tem conseguido espaço na mídia, como potenciais candidatos à Presidência da República. Em comum, os dois, registram em pesquisas recentes um índice alto de desconhecimento, algo em torno dos 30%, do eleitorado brasileiro. Com essas taxas, supõe-se, teriam ainda grandes possibilidades de crescimento, seja na aprovação ou rejeição de suas eventuais candidaturas.

Os dois tem mais coisas em comum: “somos diferentes dos demais políticos”, como bem observou Bolsonaro, em um evento militar, realizado em São Paulo, onde estiveram frente à frente pela primeira vez e trocaram delicadezas.

Bolsonaro é candidato declarado a Presidência. Doria é frequentemente citado como um potencial candidato, por amigos (ou seriam inimigos) e ultimamente abusa dos discursos com um tom nacional, criando inimizades entre as hostes do seu padrinho, o governador Geraldo Alckmin.

Mas o que torna atraentes os dois, capazes de mobilizar um exército bastante significativo de eleitores que os aprovam? Bolsonaro é nitidamente de direita. Ou melhor da extrema direita, o tipo de político que ameaça consertar “tudo isso que está aí” usando a força. Doria apresenta-se como gestor, afastando-se, sempre que tem oportunidade, das características dos políticos tradicionais.

Se Bolsonaro abandonar, pelo menos em parte, o seu discurso ultra radical, pode sem dúvida aumentar e diversificar o seu grupo de apoiadores. Não é difícil encontrar eleitores enfurecidos com os políticos e com a política em geral, que podem ser atraídos pela retórica belicosa do deputado. Vale ressaltar que mesmo radical, o seu discurso encontra eco, inclusive, em setores aparentemente refratários ao tipo de ideias defendidas pelo deputado. Em palestra na Hebraica do Rio de Janeiro falou em acabar com as reservas indígenas e quilombolas, além de restringir a entrada de “qualquer tipo de pessoa” no País e foi aplaudido.

Doria faz o tipo gestor, bem ao gosto dos eleitores cansados das estrepolias e ineficiências dos políticos tradicionais. Prestes a completar 100 das à frente da maior e mais rica prefeitura do País, apesar do sucesso de algumas de suas intervenções e de outra nem tanto, ainda falta muito chão para consolidar ( e ser testado) o seu jeito de governar.

O fato é que os dois retratam, cada um no seu quadrado, o desalento da sociedade com os seus atuais representantes, no executivo e no legislativo. Resta saber para que lado penderá a balança, se os votos, no futuro irão para o modelo “gestor anti-político” ou para a direita mais radical.

A lançamento de Doria como presidenciável é de uma precipitação obvia. Já a de Bolsonaro, no momento, parece longínqua de se consolidar, mas sem dúvida as suas ideias encontram cada vez mais ressonância entre o eleitorado insatisfeito.

É esperar para ver.

terça-feira, 4 de abril de 2017

UMA IDEIA MUITO BEM VINDA DO PT


Alvíssaras! Um boa notícia vinda do PT pode dar um fim nesse mimimi de golpe, golpe, golpe. Fora, fora, fora tudo e iniciar um processo muito interessante de compreensão do que deseja esse pobre coitado, sempre relegado ao segundo plano, o eleitor brasileiro. As boas novas vem de uma pesquisa de profundidade, uma prima mais nobre das qualitativas, intitulada Percepções e Valores Políticos nas Periferias de São Paulo, realizada pela Fundação Perseu Abramo.

O foco esteve nos ex-eleitores do partido e revelou dados muito interessantes. Mas o que vale ressaltar, sejam quais forem os resultados, é o fato de um partido político decidir ouvir direito o que pensam as pessoas e com isso balizar as suas políticas. Se o exemplo for seguido e – o que é mais importante – servir para o PT repensar as suas políticas, podemos ter uma novidade realmente significativa na política nacional. Outra novidade importantíssima, que vale ressaltar, principalmente em se tratando do PT,  é o desejo da Fundação Perseu Abramo de ampliar a discussão sobre os resultados da pesquisa, com pesquisadores de “posições políticas diversas das nossas para um debate aberto”, nas palavras do seu presidente, Marcio Pochmann. A iniciativa foi vista como “positiva” pelo vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, que demonstrou interesse em um debate entre a fundação do PT e o Instituto Fernando Henrique Cardoso.

O inimigo é o Estado ineficaz e perdulário.

A pesquisa revela dados bem interessantes. O eleitor da periferia tem uma visão extremamente negativa do Estado, um “inimigo” responsável por se apropriar do dinheiro dos impostos e oferecer serviços de péssima qualidade . Além disso, não cria políticas que ajudem na ascensão social. Para “subir na vida” a única forma é o mérito pessoal, cuja melhor representação estaria, na visão desses eleitores, em personagens como Lula, Silvio Santos e João Doria.
Em muitas circunstâncias, pausa para se surpreender, a figura de Lula é admirada menos pelas políticas implantadas nos seus dois governos e mais pelo que ele representa em termos de ascensão social.

Conceitos como luta de classes, tão a gosto de militantes e da literatura política de esquerda, foram postos abaixo pela pesquisa, onde o Estado é visto como principal inimigo e obstáculo, com suas políticas ineficazes e incompetentes. Com isso abre-se espaço para teorias mais chegadas ao liberalismo popular, onde a adoção de métodos empresariais na gestão pública passam a ser bem vindos.

As cotas x capacidade individual

Dados curiosos, muito insuspeitados, como a visão da população de baixa renda sobre, por exemplo, a política de cotas, também foram revelados. Ao contrário do que se poderia supor, as cotas nem sempre são bem vistas. Ainda que não neguem a sua importância, como garantia de acesso a oportunidades, rejeitam todas que aparentem lançar “dúvidas” sobre as capacidades individuais das pessoas.

O PT surpreende

No que diz respeito ao PT, mais especificamente, o dado mais surpreendente é o desejo de ampliar a discussão com outros segmentos, inclusive adversários políticos. Se isso vier a acontecer estaremos vivenciando uma mudança de comportamento extremamente saudável para a política brasileira. Resta saber se acontecerá. Vamos torcer, inclusive para que este exemplo seja seguido pelas outras agremiações, que parecem não se dar conta que o discurso atual não tem a menor aderência entre o eleitorado. Basta ver a repetição enfadonha das inserções (comerciais) dos partidos que não dizem nada sobre nada, repetindo uma mesma ladainha que não interessa a ninguém, noves fora o partido de cumprir tabela no horário e assegurar as suas cotas no Fundo Partidário.

Para o PT, mais especificamente, segundo Pochmann, e as esquerda em geral o desafio, hoje, é oferecer serviços novos e melhores, inclusive do que os que foram criados nos governos petistas. Pochmann acha também que o partido vai ter que se aproximar fisicamente para reconquistar esses eleitores, com – além da oferta de novos serviços – prestando mais atenção, valorizando, a capacidade de ouvir.

quarta-feira, 29 de março de 2017

MANIFESTAÇOES: O DISTINTO PÚBLICO SUMIU



Para felicidade geral das “esquerdas” o público rareou nas últimas manifestações, como era de se esperar. Ir às ruas protestar ou apoiar o que exatamente?  Além de uma convocação em torno de ideias difusas, os organizadores não levaram em conta o cansaço das pessoas comuns com o atual estado das coisas. Sem ideias- força, sintonizadas com os sentimentos reais da população, não é possível amealhar participantes para manifestações. As pessoas vão às ruas se conseguirem enxergar objetivos concretos. E objetivos concretos estavam em falta nessas últimas manifestações.

Apoio a Lava Jato, solidariedade ao juiz Moro, um mal disfarçado apoio ao Governo Temer não são exatamente assuntos capazes de mobilizar multidões, principalmente se as pessoas estão cansadas, de saco cheio. Ninguém a sério, ainda, acredita que a Lava Jato esteja de fato ameaçada ao ponto de precisar apoio nas/das ruas. O juiz Sérgio Moro continua onde está e nada o ameaça, noves fora os desaforos de mais exaltados de figuras carimbadas. E apoiar o Governo Temer...

As pessoas, com exceção daquelas “organizadas”, só vão as ruas diante de questões graves, absolutamente claras, que lhes estejam incomodando fortemente. E, quando acreditam sincera e inequivocamente, que a suas presenças nas ruas pode ter o poder de mudar alguma coisa.

Aos organizadores faltou o entendimento: sem uma motivação clara e forte manifestações de rua não atraem multidões. As pessoas estão preocupadas com seus empregos, com o empobrecimento, com os diários escândalos políticos, mas não acreditam que as pressões das ruas façam agora a diferença. Quanto ao governo... sai Temer e entra quem? Qual a perspectiva real de mudança? A sensação é que talvez, mais dia – menos dia, as coisas comecem a se normalizar, ainda que os sinais de melhora ainda sejam tênues. Talvez seja melhor esperar mais um pouco e ver no que pode dar.

Por outro lado, o pessoal que comemorou com muito entusiasmo o esvaziamento, deveriam por as barbas de molho. Ainda é cedo para achar que as águas vão rolar em sentido contrário. As manifestações contrárias ao governo continuam mobilizando os mesmos de sempre. A ausência nas ruas não significa apoio ao pessoal que é contra “tudo isso que está aí”.

Os brasileiros comuns estão cansados e perplexos. Mas é uma gente acostumada a passar por inúmeros dissabores (basta lembrar de alguns governo de antanho) e costuma apostar que passado algum tempo as coisas tendem a melhorar. Quando afinal se derem conta de que vão ser necessários algo em torno de uns vinte anos para voltarmos ao patamar mais recente e que, gostemos ou não, estamos todos – e vamos permanecer por um bom tempo – mais pobres, talvez as coisas mudem.

Por enquanto é mais ou menos a velha máxima: deixa quieto que talvez passe.
É pagar para ver.

REFORMA POLITICA: UMA GERINGONÇA.


Continuam lá pelo Congresso a tentativa (mais uma) de uma reforma política, cuja estrela maior é a tal de lista fechada, que promete criar mais confusão e caos  que melhorar o processo. Noves fora a intenção - clara -  de continuar mantendo o foro privilegiado para o pessoal que está na mira da Lava Jato e seus filhotes, ela tem tudo para ser um elefante movendo-se em loja de cristais. Com 35 partidos registrados, até o momento, como é que o eleitor (que diga-se de passagem não acompanha tanto a política como se imagina) vai votar em partidos e não em nomes, como já acostumado a fazer há mais de 50 anos, pelo menos?

O voto em lista fechado é aquele em que o cidadão escolhe representantes de partidos com os quais compartilha de algum ideário, tem alguma sintonia com as  suas propostas. Normalmente a escolha é feita entre um partido mais conservador, um outro de centro e um mais a esquerda. Como escolher entre mais de 30 partidos, cujas ideias sequer somos capazes de adivinhar? Fiquemos, por exemplo, apenas nos três mais importantes: PT, PSDB e PMDB. Saberia o nobre leitor distinguir, com clareza, as plataformas de cada um desses? Imagine então este exercício feito entre os 35 atuais e a fila que existe a espera do registro, quando chegaremos aos 40 ou mais agremiações partidárias.

E tem mais jabuticaba nessa parada. Ao que tudo indica pretendem manter a coligação partidária, uma coisa completamente absurda de existir num processo de lista fechada. O eleitor vai votar numa coligação, no ideário de uma coligação, formada por partidos cujos programas ele não faz a menor ideia, muito menos do que reúne os seus coligados.

Outra maluquice que está embutida nessa pseuda reforma. O eleitorado brasileiro, dos que estão votando pela primeira vez agora ao pessoal na casa dos 60/70 anos, nunca conheceu outro sistema de eleição que não fosse o atual, onde se vota em pessoas e não em partidos. Há mais de 50 anos, pelo menos. A coisa mais ou menos parecida com a lista fechada estaria no período da ditadura militar, onde o pessoal do MDB eram os contra e os da Arena a favor, mas ainda assim um exemplo imperfeito. A pergunta é; como vai se comportar este eleitor ao descobrir nas vésperas do pleito que o sistema mudou? E que mudou para uma coisa que ele não tem como compreender?

É tolice imaginar que o conjunto da população esteja acompanhando de perto as tentativas de mudar as regras, como sempre, às vésperas das eleições. O eleitor, a população em geral, estão preocupados com as coisas do dia-a-dia. Preocupados com a crise econômica, com o desemprego, com os intermináveis problemas que afetam as suas vidas e não veem na classe política, essa que está aí, nenhuma condição de resolver, de forma efetiva, os seus problemas.


Seja como for, se essa coisa de lista fechada vier a vigorar o partido que deve-se se beneficiar mais com esta nova jabuticaba é o PT. Não é a toa, embora o pessoal da direita ainda não tenha se dado conta, que deputados e senadores petistas estejam vendo com muita simpatia essa parte da reforma.  Em praticamente todos os municípios do País, o PT é o único partido que existe com um mínimo de organização partidária, com militantes aguerridos, prontos a lutar pela sobrevivência e retorno ao protagonismo político. Com isso pode se beneficiar muito bem com o voto em partido e não em nomes, cada vez mais queimados o que, diga-se de passagem, não sua exclusividade.

Fala-se ainda, como justifica para essa reforma de ocasião, que ela vai baratear as campanhas. É uma conversa que se supõe agrade ao eleitor. Uma conversa tocada pela mídia, inclusive. O argumento tosco é: as campanhas são caras e por isso existem os caixas 1, 2, 3... Campanhas, nos moldes da legislação atual, custam realmente caro, mas – vamos combinar – roubalheira é outro assunto. O dinheiro que rola, teoricamente, para cobrir gastos de campanha, cobririam campanhas e mais campanhas. É dinheiro destinado ao enriquecimento ilícito ou ao suborno. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E, ao que se sabe, o eleitor nunca se preocupou muito com os custos das campanhas. Ficou ressabiado agora, quando descobriu a montanha de dinheiro, que rola para lá e para cá, entra no como financiamento de campanhas, mas em muitos e muitos casos, trata-se, na verdade, como acobertamento para outros assuntos.
 
O voto em lista vai de encontro, também, a uma outra realidade que passa desapercebida, ou é propositalmente ignorada, que é a renovação das casas legislativas. Qualquer pesquisa rápida no Tio Google demonstra que o eleitor brasileiro manda para casa, a cada eleição, nada menos que 50% dos eleitos anteriormente. É uma tendência constatada há anos. As razões são muitas, mas aqui o que interessa vai ser a surpresa do eleitorado, ao constatar que não podem mais fazer isso e que – pelo novo sistema – vai perpetuar os mesmos de sempre ocupando as cadeiras dos parlamentos.

Como reagirá o distinto público a todas essas mudanças só vendo para crer, mas que não vai ser uma eleição tranquila, com certeza não será. É pagar para ver. Ou sair correndo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

CARNE FRACA ESPETÁCULO FORTE


Já virou rotina a Polícia Federal e o Ministério Público virem a público para divulgar as suas últimas operações.  Nada contra essa ou qualquer outra investigação, mas é preciso dar um basta na espetacularização, no vazamentos sempre presentes e até mesmo na forma na forma como elas vem sendo divulgadas.

Do jeito que estão as coisas sobra munição para os envolvidos diretamente nas investigações e outros, não tão diretamente, começarem a contestar as ações da PF e MP. Com isso investigações importantes podem parar no limbo, sem avanços e punições. As duas instituições deveriam lembrar uma  divulgação, também  atrapalhada, quando munidos de um PowerPoint  tentaram demonstrar a existência de uma rede de falcatruas onde o ex-presidente Lula aparecia como chefe de quadrilha. Não resultou concretamente em nada contra o ex-presidente, mas deu a ele argumentos, legítimos, para se apresentar como vítima de perseguições.

A sociedade quer ver punidos todos os meliantes, não importa a cor do colarinho, mas não se pode, ao arrepio da lei, fazer acusações, a torto e a direito, sobre as quais não se pode provar ou que sequer estejam concluídas.

Bonitinha nos super mercados e açougues
Um bom exemplo disso é essa tal de Operação Carne Fraca. Ao que tudo indica o objetivo era o combate a funcionários corruptos do Ministério da Agricultura que estavam recebendo propinas para fechar os olhos a trambicagens dos frigoríficos. Por meio de escutas tomaram conhecimento de outras estripulias e, em vez de se assegurarem, inclusive com auxilio de técnicos, resolveram tornar tudo público, precipitadamente, comprometendo o resultado das investigações e dando força aos elementos contrários ao avanço das investigações contra a corrupção entranhada em todas as esferas públicas e privadas.

Com a credibilidade do país posta em suspeição mundo afora, não é de estranhar que inúmeros países para os quais exportamos a nossa carne e derivados, tenham suspendido a compra desses produtos à espera de informações consistentes do tais órgãos competentes. Como se não bastasse assombraram os consumidores brasileiros, com informações genéricas, sobre a possibilidade de estarmos todos consumindo carne e derivados podres e com aditivos extremamente prejudiciais a saúde.
Uma grande porcança no abate país afora

Choveram críticas, algumas sensatas e outras nitidamente defensivas. A PF deixou vazar, em óbvio off, que isso tudo seria apenas a ponta de um iceberg. Que seja, mas diante da gravidade do assunto (a saúde e bem estar de todos os brasileiros e os prejuízos incalculáveis a nossa economia) ou esperam para ter mais elementos ou divulguem tudo sobre o assunto. Afinal, como todo mundo já desconfia, no fundo do nosso poço ainda tem um alçapão.

Não são poucos, agora, os que se aproveitam do episódio para tentar anular as delações relacionadas a Odebrecht e pelo que dizem, inclusive, ministros do Supremo, que não se cansam de atuar politicamente, não será surpresa se isso acontecer.

Polícia Federal, Ministério Público, juízes de todas as instâncias, a mídia e cidadãos interessados no andamento das operações destinadas ao combate da corrupção generalizada e, quase esqueci, os políticos todos precisamos ficar mais atentos. O que menos precisamos agora é incluir a Polícia e o Judiciário no rol dos poderes que se julgam acima de qualquer crítica, que olham apenas para os seus próprios umbigos e interesses. O que menos precisamos é de motivos que coloquem em risco a limpeza que se pretende fazer no país, combatendo a corrupção no âmbito das instituições públicas e privadas. O que menos precisamos é que os órgãos à frente dessas investigações de portem como ungidos pela sociedade para fazerem qualquer coisa, sem o cuidado necessário, sem atropelar as leis e os fatos. Oxalá as duas instituições façam uma autocritica e passem a se comportar de forma mais responsável, com menos espetáculo e mais ação.