quarta-feira, 29 de março de 2017

MANIFESTAÇOES: O DISTINTO PÚBLICO SUMIU



Para felicidade geral das “esquerdas” o público rareou nas últimas manifestações, como era de se esperar. Ir às ruas protestar ou apoiar o que exatamente?  Além de uma convocação em torno de ideias difusas, os organizadores não levaram em conta o cansaço das pessoas comuns com o atual estado das coisas. Sem ideias- força, sintonizadas com os sentimentos reais da população, não é possível amealhar participantes para manifestações. As pessoas vão às ruas se conseguirem enxergar objetivos concretos. E objetivos concretos estavam em falta nessas últimas manifestações.

Apoio a Lava Jato, solidariedade ao juiz Moro, um mal disfarçado apoio ao Governo Temer não são exatamente assuntos capazes de mobilizar multidões, principalmente se as pessoas estão cansadas, de saco cheio. Ninguém a sério, ainda, acredita que a Lava Jato esteja de fato ameaçada ao ponto de precisar apoio nas/das ruas. O juiz Sérgio Moro continua onde está e nada o ameaça, noves fora os desaforos de mais exaltados de figuras carimbadas. E apoiar o Governo Temer...

As pessoas, com exceção daquelas “organizadas”, só vão as ruas diante de questões graves, absolutamente claras, que lhes estejam incomodando fortemente. E, quando acreditam sincera e inequivocamente, que a suas presenças nas ruas pode ter o poder de mudar alguma coisa.

Aos organizadores faltou o entendimento: sem uma motivação clara e forte manifestações de rua não atraem multidões. As pessoas estão preocupadas com seus empregos, com o empobrecimento, com os diários escândalos políticos, mas não acreditam que as pressões das ruas façam agora a diferença. Quanto ao governo... sai Temer e entra quem? Qual a perspectiva real de mudança? A sensação é que talvez, mais dia – menos dia, as coisas comecem a se normalizar, ainda que os sinais de melhora ainda sejam tênues. Talvez seja melhor esperar mais um pouco e ver no que pode dar.

Por outro lado, o pessoal que comemorou com muito entusiasmo o esvaziamento, deveriam por as barbas de molho. Ainda é cedo para achar que as águas vão rolar em sentido contrário. As manifestações contrárias ao governo continuam mobilizando os mesmos de sempre. A ausência nas ruas não significa apoio ao pessoal que é contra “tudo isso que está aí”.

Os brasileiros comuns estão cansados e perplexos. Mas é uma gente acostumada a passar por inúmeros dissabores (basta lembrar de alguns governo de antanho) e costuma apostar que passado algum tempo as coisas tendem a melhorar. Quando afinal se derem conta de que vão ser necessários algo em torno de uns vinte anos para voltarmos ao patamar mais recente e que, gostemos ou não, estamos todos – e vamos permanecer por um bom tempo – mais pobres, talvez as coisas mudem.

Por enquanto é mais ou menos a velha máxima: deixa quieto que talvez passe.
É pagar para ver.

REFORMA POLITICA: UMA GERINGONÇA.


Continuam lá pelo Congresso a tentativa (mais uma) de uma reforma política, cuja estrela maior é a tal de lista fechada, que promete criar mais confusão e caos  que melhorar o processo. Noves fora a intenção - clara -  de continuar mantendo o foro privilegiado para o pessoal que está na mira da Lava Jato e seus filhotes, ela tem tudo para ser um elefante movendo-se em loja de cristais. Com 35 partidos registrados, até o momento, como é que o eleitor (que diga-se de passagem não acompanha tanto a política como se imagina) vai votar em partidos e não em nomes, como já acostumado a fazer há mais de 50 anos, pelo menos?

O voto em lista fechado é aquele em que o cidadão escolhe representantes de partidos com os quais compartilha de algum ideário, tem alguma sintonia com as  suas propostas. Normalmente a escolha é feita entre um partido mais conservador, um outro de centro e um mais a esquerda. Como escolher entre mais de 30 partidos, cujas ideias sequer somos capazes de adivinhar? Fiquemos, por exemplo, apenas nos três mais importantes: PT, PSDB e PMDB. Saberia o nobre leitor distinguir, com clareza, as plataformas de cada um desses? Imagine então este exercício feito entre os 35 atuais e a fila que existe a espera do registro, quando chegaremos aos 40 ou mais agremiações partidárias.

E tem mais jabuticaba nessa parada. Ao que tudo indica pretendem manter a coligação partidária, uma coisa completamente absurda de existir num processo de lista fechada. O eleitor vai votar numa coligação, no ideário de uma coligação, formada por partidos cujos programas ele não faz a menor ideia, muito menos do que reúne os seus coligados.

Outra maluquice que está embutida nessa pseuda reforma. O eleitorado brasileiro, dos que estão votando pela primeira vez agora ao pessoal na casa dos 60/70 anos, nunca conheceu outro sistema de eleição que não fosse o atual, onde se vota em pessoas e não em partidos. Há mais de 50 anos, pelo menos. A coisa mais ou menos parecida com a lista fechada estaria no período da ditadura militar, onde o pessoal do MDB eram os contra e os da Arena a favor, mas ainda assim um exemplo imperfeito. A pergunta é; como vai se comportar este eleitor ao descobrir nas vésperas do pleito que o sistema mudou? E que mudou para uma coisa que ele não tem como compreender?

É tolice imaginar que o conjunto da população esteja acompanhando de perto as tentativas de mudar as regras, como sempre, às vésperas das eleições. O eleitor, a população em geral, estão preocupados com as coisas do dia-a-dia. Preocupados com a crise econômica, com o desemprego, com os intermináveis problemas que afetam as suas vidas e não veem na classe política, essa que está aí, nenhuma condição de resolver, de forma efetiva, os seus problemas.


Seja como for, se essa coisa de lista fechada vier a vigorar o partido que deve-se se beneficiar mais com esta nova jabuticaba é o PT. Não é a toa, embora o pessoal da direita ainda não tenha se dado conta, que deputados e senadores petistas estejam vendo com muita simpatia essa parte da reforma.  Em praticamente todos os municípios do País, o PT é o único partido que existe com um mínimo de organização partidária, com militantes aguerridos, prontos a lutar pela sobrevivência e retorno ao protagonismo político. Com isso pode se beneficiar muito bem com o voto em partido e não em nomes, cada vez mais queimados o que, diga-se de passagem, não sua exclusividade.

Fala-se ainda, como justifica para essa reforma de ocasião, que ela vai baratear as campanhas. É uma conversa que se supõe agrade ao eleitor. Uma conversa tocada pela mídia, inclusive. O argumento tosco é: as campanhas são caras e por isso existem os caixas 1, 2, 3... Campanhas, nos moldes da legislação atual, custam realmente caro, mas – vamos combinar – roubalheira é outro assunto. O dinheiro que rola, teoricamente, para cobrir gastos de campanha, cobririam campanhas e mais campanhas. É dinheiro destinado ao enriquecimento ilícito ou ao suborno. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E, ao que se sabe, o eleitor nunca se preocupou muito com os custos das campanhas. Ficou ressabiado agora, quando descobriu a montanha de dinheiro, que rola para lá e para cá, entra no como financiamento de campanhas, mas em muitos e muitos casos, trata-se, na verdade, como acobertamento para outros assuntos.
 
O voto em lista vai de encontro, também, a uma outra realidade que passa desapercebida, ou é propositalmente ignorada, que é a renovação das casas legislativas. Qualquer pesquisa rápida no Tio Google demonstra que o eleitor brasileiro manda para casa, a cada eleição, nada menos que 50% dos eleitos anteriormente. É uma tendência constatada há anos. As razões são muitas, mas aqui o que interessa vai ser a surpresa do eleitorado, ao constatar que não podem mais fazer isso e que – pelo novo sistema – vai perpetuar os mesmos de sempre ocupando as cadeiras dos parlamentos.

Como reagirá o distinto público a todas essas mudanças só vendo para crer, mas que não vai ser uma eleição tranquila, com certeza não será. É pagar para ver. Ou sair correndo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

CARNE FRACA ESPETÁCULO FORTE


Já virou rotina a Polícia Federal e o Ministério Público virem a público para divulgar as suas últimas operações.  Nada contra essa ou qualquer outra investigação, mas é preciso dar um basta na espetacularização, no vazamentos sempre presentes e até mesmo na forma na forma como elas vem sendo divulgadas.

Do jeito que estão as coisas sobra munição para os envolvidos diretamente nas investigações e outros, não tão diretamente, começarem a contestar as ações da PF e MP. Com isso investigações importantes podem parar no limbo, sem avanços e punições. As duas instituições deveriam lembrar uma  divulgação, também  atrapalhada, quando munidos de um PowerPoint  tentaram demonstrar a existência de uma rede de falcatruas onde o ex-presidente Lula aparecia como chefe de quadrilha. Não resultou concretamente em nada contra o ex-presidente, mas deu a ele argumentos, legítimos, para se apresentar como vítima de perseguições.

A sociedade quer ver punidos todos os meliantes, não importa a cor do colarinho, mas não se pode, ao arrepio da lei, fazer acusações, a torto e a direito, sobre as quais não se pode provar ou que sequer estejam concluídas.

Bonitinha nos super mercados e açougues
Um bom exemplo disso é essa tal de Operação Carne Fraca. Ao que tudo indica o objetivo era o combate a funcionários corruptos do Ministério da Agricultura que estavam recebendo propinas para fechar os olhos a trambicagens dos frigoríficos. Por meio de escutas tomaram conhecimento de outras estripulias e, em vez de se assegurarem, inclusive com auxilio de técnicos, resolveram tornar tudo público, precipitadamente, comprometendo o resultado das investigações e dando força aos elementos contrários ao avanço das investigações contra a corrupção entranhada em todas as esferas públicas e privadas.

Com a credibilidade do país posta em suspeição mundo afora, não é de estranhar que inúmeros países para os quais exportamos a nossa carne e derivados, tenham suspendido a compra desses produtos à espera de informações consistentes do tais órgãos competentes. Como se não bastasse assombraram os consumidores brasileiros, com informações genéricas, sobre a possibilidade de estarmos todos consumindo carne e derivados podres e com aditivos extremamente prejudiciais a saúde.
Uma grande porcança no abate país afora

Choveram críticas, algumas sensatas e outras nitidamente defensivas. A PF deixou vazar, em óbvio off, que isso tudo seria apenas a ponta de um iceberg. Que seja, mas diante da gravidade do assunto (a saúde e bem estar de todos os brasileiros e os prejuízos incalculáveis a nossa economia) ou esperam para ter mais elementos ou divulguem tudo sobre o assunto. Afinal, como todo mundo já desconfia, no fundo do nosso poço ainda tem um alçapão.

Não são poucos, agora, os que se aproveitam do episódio para tentar anular as delações relacionadas a Odebrecht e pelo que dizem, inclusive, ministros do Supremo, que não se cansam de atuar politicamente, não será surpresa se isso acontecer.

Polícia Federal, Ministério Público, juízes de todas as instâncias, a mídia e cidadãos interessados no andamento das operações destinadas ao combate da corrupção generalizada e, quase esqueci, os políticos todos precisamos ficar mais atentos. O que menos precisamos agora é incluir a Polícia e o Judiciário no rol dos poderes que se julgam acima de qualquer crítica, que olham apenas para os seus próprios umbigos e interesses. O que menos precisamos é de motivos que coloquem em risco a limpeza que se pretende fazer no país, combatendo a corrupção no âmbito das instituições públicas e privadas. O que menos precisamos é que os órgãos à frente dessas investigações de portem como ungidos pela sociedade para fazerem qualquer coisa, sem o cuidado necessário, sem atropelar as leis e os fatos. Oxalá as duas instituições façam uma autocritica e passem a se comportar de forma mais responsável, com menos espetáculo e mais ação.

segunda-feira, 20 de março de 2017

TODO POLÍTICO QUER SER UM DORIA


Nos últimos anos temos assistido a grandes mudanças no comportamento do eleitorado e no perfil dos políticos, principalmente com a ascensão de uma direita mais radical e lideranças populistas, cuja característica mais marcante, em todos eles é o desprezo pelos políticos e a política tradicionais.

No Brasil, não tem sido muito diferente. Com o Mensalão, e mais recentemente com a Lava Jato e seus filhotes, novas lideranças começam a surgir e encantam o eleitorado, desiludido com os políticos tradicionais, apresentando-se como “gestores apolíticos” e/ou defendendo ideias radicais, que até pouco tempo só atraiam segmentos muito específicos da sociedade.

Assustados com a crise e embalados por ideias moralistas milhares de pessoas foram as ruas pedir o impeachment de Dilma, acreditando, piamente, que tudo melhoria (e muito rapidamente) com a saída da ex-presidente. As manifestações de rua minguaram, mas a indignação com os políticos não.

NOVAS CANDIDATURAS NA ESTEIRA DA LAVA JATO

Escândalos e mais escândalos, operações policiais, prisões, delações, listas e mais listas de envolvidos em todo o tipo de maracutaias, envolvendo praticamente todos os mais de 30 partidos constituídos formalmente em nosso País confirmam, diariamente, a desilusão do eleitorado com os atuais atores políticos.

Na Forbes, apresentado como o CEO de São Paulo
É neste cenário que começam a surgir, com sucesso, candidaturas que até pouco tempo não se viabilizariam, como a de João Doria, em São Paulo. Eleito o prefeito faz questão de continuar sendo visto como gestor e não como político, embora respire política por todos os poros.

Doria não perde tempo, nem descansa, em criar fatos para demonstrar que trabalha muito, que põe a mão, literalmente, na massa e que tem soluções rápidas para todos os problemas, graças as suas qualidades de gestor, nunca as de político. Já marcou alguns tentos, como a diminuição drástica da fila para fazer exames médicos,  criou confusão com pichadores, grafiteiros e muralistas e não perdeu tempo em aumentar a velocidade dos veículos nas marginais, outro tema controverso. A sua popularidade continua em curva ascendente, assim como a polêmica sobre assuntos controversos, que não faz nenhuma questão de evitar.

DORIALIZAÇÃO: UM NOVO FENOMENO.

Com mais de 2,1 milhões de seguidores no Facebook e uma taxa de aprovação em torno dos 44%, Doria tem sido aplaudido nas ruas e – surpresa das surpresas – até dá autógrafos. Já criaram até um nome para esta súbita adesão ao estilo do novo prefeito: Dorialização”, que vem entusiasmando políticos iniciantes e figurinhas carimbadas.

É provável que “colar” em Doria produza algum resultado para políticos estreantes, para os outros nem tanto. Quanto isso pode durar e quanto vai beneficiar os “dorializados” só o tempo dirá. Seriam bem mais saudável que esses afoitos imitadores refletissem primeiro sobre o que de fato faz de Doria um sucesso e em que medida o seu “estilo” vai de encontro aos desejos e expectativas do eleitorado, em vez de “colarem” no prefeito e partirem para uma imitação pura e simples do seu estilo.

O eleitor brasileiro quer ação. Quer ver seus problemas serem resolvidos e, de preferência, rapidamente. Está farto de políticos de gabinete, que falam muito e fazem pouco. Quer novas ideias, um estilo novo, gente que ponha a mão na massa.  Mas não basta sair por aí, vestido de gari, ou quaisquer outros uniformes de funcionários da linha de frente da prefeitura. É preciso um plano de ação, um plano de governança. E é isso que faz de Doria, até agora pelo menos, um sucesso. Ele, gostem ou não do estilo, está colocando em prática e muito rapidamente, as ideias defendidas na campanha, transformando-as em projetos. E é isso que os atuais e futuros gestores da administração pública precisam aprender. E já.

SEM INTELIGÊNCIA NADA DÁ CERTO

Sem uma inteligência por trás, não há maquiagem mercadológica que se sustente por muito tempo. E inteligência é basicamente pesquisa, conhecimento. É preciso conhecer o que o eleitorado, a população deseja. Conhecer as suas dores. E planejar realisticamente o que pode ser feito, o mais rapidamente possível, para resolve-los. O cidadão hoje quer ser ouvido. E quer ser ouvido de maneira clara. Quer saber que existe uma preocupação, clara e objetiva, dos gestores em conhecer seus problemas, suas preocupações e desejos.

E, como se faz isso? Quais são os passos para sair da mesmice e se transformar em um case de sucesso?

Pesquisa e planejamento são irmãos siameses e indispensáveis para um gestão bem sucedida. Pesquisar, pesquisar, pesquisar. Conhecer e tomar o pulso do eleitor, da população, cotidianamente, para municiar um projeto é o único caminho para ser bem sucedido.

Por outro lado não basta só fazer. É preciso mostrar que está fazendo. Não importa se a cidade é pequena, média ou grande. Os meios para mostrar trabalho podem variar, mas a necessidade de mostrar é a mesma. E é um mostrar que exige, também, presença. E presença real, física.

O TUDO OU NADA NAS REDES SOCIAIS

As redes socais são um excelente instrumento para isso, incluindo aí o site oficial do órgão ou da administração e postagens, quando for o caso, no YouTube. O gestor também precisa ter canais próprios para dialogar e informar a população dos seus passos. Pesquisas, novamente elas, determinam quais são os meios mais adequados para serem explorados.

Para que essas atividades obtenham êxito, usadas corretamente, é fundamental ter uma assessoria de imprensa forte e atuante. Aqui é importante ressaltar que não se trata de um grupo de jornalistas a entupirem os veículos com o cotidiano do administrador. Uma assessoria de imprensa,  antenada com os novos tempos, é responsável pelas redes sociais e cuida também do relacionamento direto do administrador com os seus funcionários e, principalmente, no contato direto com a população.

POR ONDE COMEÇAR PARA SER UM SUCESSO?

Primeiro reunindo um “núcleo duro”, um grupo de pessoas da mais absoluta confiança do gestor, que vai ajuda-lo na “tomada de pulso” da população em geral e do eleitorado mais especificamente. É o pessoal da linha de frente do gestor e/ou do candidato, que vai trabalhar diretamente com os profissionais que compõem a “inteligência”. O segundo são as pesquisas. São elas que vão dizer quais são e, o mais importante, qual o conteúdo dos próximos passos. Em seguida elaborar um projeto de governança ou, caso já tenha um, verificar se ele está adequado ou não aos anseios da população.

São esses os caminhos para quem deseja fazer uma administração bem sucedida ou se candidatar a um novo patamar na política. Aqui voltamos novamente ao exemplo do João Doria: o “tempo” para agir e obter sucesso, sejam lá quais forem as pretensões, é agora. Com poucos meses à frente da prefeitura, Doria já é cogitado como candidato ao governo do Estado e até da Presidência da República! Exageros à parte, incluindo aí a falta de senso e os enormes riscos de uma empreitada deste porte, o que fica claro é a necessidade de começar a trabalhar corretamente a comunicação. E a compreensão correta do que é comunicação.

Comunicação hoje é algo muito mais amplo. Até pouco tempo as pessoas se informavam pelos jornais, pelo rádio e pela TV. Hoje, além desses veículos, existem muito outros, disponibilizados pelo fenômeno da internet, conectando todo o mundo a todo mundo. E entender isso, começando a trabalhar de maneira inteligente essas novas oportunidades de contato permanente com a população e os eleitores, com inteligência e planejamento, é que vai fazer a diferença. Quem acha que para ser um “Doria” basta apenas vestir uma farda de gari e sair por aí, vai se dar mal. Com certeza.




terça-feira, 7 de março de 2017

ESQUERDA DE DIREITA, DIREITA DE ESQUERDA.


A rigor isto aí do título parece uma maluquice, mas é o que acontece na sociedade brasileira, onde esquerdistas têm ideias nitidamente de direita e vice versa, coisa difícil de acreditar, mas é  o que revela uma pesquisa – O Brasileiro e a Política – realizada recentemente pelo Instituto Locomotiva. Vão aí alguns números, definitivamente assustadores, com conceitos que valem a pena conhecer e que só um grande pacto, sobre como gerir a sociedade, pode superar esse caldeirão de ideias conflitantes e o gigantesco fosse entre a opinião pública e políticos.

É o que está embutido nas pesquisa, na opinião de Renato Meirelles, economista do instituto, em entrevista a Sonia Racy, do Estadão, quando aponta duas grandes conclusões geradas pela pesquisa: um deles é o distanciamento abissal entre os cidadãos e a classe política, o que não é novo, mas que cresceu – e muito – nos últimos anos. O outro é o cenário difuso, com ideias muitas vezes conflitantes, de uma nova opinião pública forjada nas redes sociais, mais uma vez ignorada pelos políticos.

Meirelles acredita que tem muita gente “olhando a sociedade contemporânea com olhos do século 20”e cita as eleições para prefeito em São Paulo, onde João Doria venceu no primeiro turno e Donald Trump, para presidente dos EUA para perguntar: Quantos analistas previram foram capazes de prever esses resultados e explica-los a tempo e a hora.

O economista explora muito bem a questão dos “três terços” que dividem a sociedade brasileira e cita as últimas eleições para presidente para ilustrar: Dilma tinha um terço do eleitorado, Aécio um outro terço e o terceiro formado pelos votos nulos, brancos e abstenções. Ou seja dois terços do eleitorado não tinham votado na chapa vencedora.   

Em outro exemplo, ele chama a atenção a nova formação da família brasileira, aquela reunida no café da manhã, papai, mamãe e a prole, corresponde hoje apenas a um terço do total das famílias brasileiras. Temos hoje milhões de indivíduos que moram sozinhos e nada menos que 54 milhões de internautas nos últimos 10 anos.

O que isso significa? Uma nova formação na sociedade, ainda que gerada ao longo dos últimos anos, precisa ainda ser entendida na sua complexidade, principalmente pela classe política, mas – pelo andar da carruagem, acho que isso sequer tenha sido captado, ainda que de muito longe pelo radar dos políticos.

Alguns dos números da pesquisa

64% acham que a democracia é o melhor regime, mas ao mesmo tempo, 51% acreditam que tudo estaria melhor se não existissem partidos.

47% que se dizem de esquerda afirmam que “direitos humanos não valem para bandidos”. E 64% dos  que se classificam como de direita gostariam de um governo com estatais fortes.

Nada menos que 84% dizem que o País “está no rumo errado”, mas a política é relegada a um oitavo ou nono lugar entre as prioridades de cada um.