terça-feira, 7 de março de 2017

ESQUERDA DE DIREITA, DIREITA DE ESQUERDA.


A rigor isto aí do título parece uma maluquice, mas é o que acontece na sociedade brasileira, onde esquerdistas têm ideias nitidamente de direita e vice versa, coisa difícil de acreditar, mas é  o que revela uma pesquisa – O Brasileiro e a Política – realizada recentemente pelo Instituto Locomotiva. Vão aí alguns números, definitivamente assustadores, com conceitos que valem a pena conhecer e que só um grande pacto, sobre como gerir a sociedade, pode superar esse caldeirão de ideias conflitantes e o gigantesco fosse entre a opinião pública e políticos.

É o que está embutido nas pesquisa, na opinião de Renato Meirelles, economista do instituto, em entrevista a Sonia Racy, do Estadão, quando aponta duas grandes conclusões geradas pela pesquisa: um deles é o distanciamento abissal entre os cidadãos e a classe política, o que não é novo, mas que cresceu – e muito – nos últimos anos. O outro é o cenário difuso, com ideias muitas vezes conflitantes, de uma nova opinião pública forjada nas redes sociais, mais uma vez ignorada pelos políticos.

Meirelles acredita que tem muita gente “olhando a sociedade contemporânea com olhos do século 20”e cita as eleições para prefeito em São Paulo, onde João Doria venceu no primeiro turno e Donald Trump, para presidente dos EUA para perguntar: Quantos analistas previram foram capazes de prever esses resultados e explica-los a tempo e a hora.

O economista explora muito bem a questão dos “três terços” que dividem a sociedade brasileira e cita as últimas eleições para presidente para ilustrar: Dilma tinha um terço do eleitorado, Aécio um outro terço e o terceiro formado pelos votos nulos, brancos e abstenções. Ou seja dois terços do eleitorado não tinham votado na chapa vencedora.   

Em outro exemplo, ele chama a atenção a nova formação da família brasileira, aquela reunida no café da manhã, papai, mamãe e a prole, corresponde hoje apenas a um terço do total das famílias brasileiras. Temos hoje milhões de indivíduos que moram sozinhos e nada menos que 54 milhões de internautas nos últimos 10 anos.

O que isso significa? Uma nova formação na sociedade, ainda que gerada ao longo dos últimos anos, precisa ainda ser entendida na sua complexidade, principalmente pela classe política, mas – pelo andar da carruagem, acho que isso sequer tenha sido captado, ainda que de muito longe pelo radar dos políticos.

Alguns dos números da pesquisa

64% acham que a democracia é o melhor regime, mas ao mesmo tempo, 51% acreditam que tudo estaria melhor se não existissem partidos.

47% que se dizem de esquerda afirmam que “direitos humanos não valem para bandidos”. E 64% dos  que se classificam como de direita gostariam de um governo com estatais fortes.

Nada menos que 84% dizem que o País “está no rumo errado”, mas a política é relegada a um oitavo ou nono lugar entre as prioridades de cada um.