segunda-feira, 20 de março de 2017

TODO POLÍTICO QUER SER UM DORIA


Nos últimos anos temos assistido a grandes mudanças no comportamento do eleitorado e no perfil dos políticos, principalmente com a ascensão de uma direita mais radical e lideranças populistas, cuja característica mais marcante, em todos eles é o desprezo pelos políticos e a política tradicionais.

No Brasil, não tem sido muito diferente. Com o Mensalão, e mais recentemente com a Lava Jato e seus filhotes, novas lideranças começam a surgir e encantam o eleitorado, desiludido com os políticos tradicionais, apresentando-se como “gestores apolíticos” e/ou defendendo ideias radicais, que até pouco tempo só atraiam segmentos muito específicos da sociedade.

Assustados com a crise e embalados por ideias moralistas milhares de pessoas foram as ruas pedir o impeachment de Dilma, acreditando, piamente, que tudo melhoria (e muito rapidamente) com a saída da ex-presidente. As manifestações de rua minguaram, mas a indignação com os políticos não.

NOVAS CANDIDATURAS NA ESTEIRA DA LAVA JATO

Escândalos e mais escândalos, operações policiais, prisões, delações, listas e mais listas de envolvidos em todo o tipo de maracutaias, envolvendo praticamente todos os mais de 30 partidos constituídos formalmente em nosso País confirmam, diariamente, a desilusão do eleitorado com os atuais atores políticos.

Na Forbes, apresentado como o CEO de São Paulo
É neste cenário que começam a surgir, com sucesso, candidaturas que até pouco tempo não se viabilizariam, como a de João Doria, em São Paulo. Eleito o prefeito faz questão de continuar sendo visto como gestor e não como político, embora respire política por todos os poros.

Doria não perde tempo, nem descansa, em criar fatos para demonstrar que trabalha muito, que põe a mão, literalmente, na massa e que tem soluções rápidas para todos os problemas, graças as suas qualidades de gestor, nunca as de político. Já marcou alguns tentos, como a diminuição drástica da fila para fazer exames médicos,  criou confusão com pichadores, grafiteiros e muralistas e não perdeu tempo em aumentar a velocidade dos veículos nas marginais, outro tema controverso. A sua popularidade continua em curva ascendente, assim como a polêmica sobre assuntos controversos, que não faz nenhuma questão de evitar.

DORIALIZAÇÃO: UM NOVO FENOMENO.

Com mais de 2,1 milhões de seguidores no Facebook e uma taxa de aprovação em torno dos 44%, Doria tem sido aplaudido nas ruas e – surpresa das surpresas – até dá autógrafos. Já criaram até um nome para esta súbita adesão ao estilo do novo prefeito: Dorialização”, que vem entusiasmando políticos iniciantes e figurinhas carimbadas.

É provável que “colar” em Doria produza algum resultado para políticos estreantes, para os outros nem tanto. Quanto isso pode durar e quanto vai beneficiar os “dorializados” só o tempo dirá. Seriam bem mais saudável que esses afoitos imitadores refletissem primeiro sobre o que de fato faz de Doria um sucesso e em que medida o seu “estilo” vai de encontro aos desejos e expectativas do eleitorado, em vez de “colarem” no prefeito e partirem para uma imitação pura e simples do seu estilo.

O eleitor brasileiro quer ação. Quer ver seus problemas serem resolvidos e, de preferência, rapidamente. Está farto de políticos de gabinete, que falam muito e fazem pouco. Quer novas ideias, um estilo novo, gente que ponha a mão na massa.  Mas não basta sair por aí, vestido de gari, ou quaisquer outros uniformes de funcionários da linha de frente da prefeitura. É preciso um plano de ação, um plano de governança. E é isso que faz de Doria, até agora pelo menos, um sucesso. Ele, gostem ou não do estilo, está colocando em prática e muito rapidamente, as ideias defendidas na campanha, transformando-as em projetos. E é isso que os atuais e futuros gestores da administração pública precisam aprender. E já.

SEM INTELIGÊNCIA NADA DÁ CERTO

Sem uma inteligência por trás, não há maquiagem mercadológica que se sustente por muito tempo. E inteligência é basicamente pesquisa, conhecimento. É preciso conhecer o que o eleitorado, a população deseja. Conhecer as suas dores. E planejar realisticamente o que pode ser feito, o mais rapidamente possível, para resolve-los. O cidadão hoje quer ser ouvido. E quer ser ouvido de maneira clara. Quer saber que existe uma preocupação, clara e objetiva, dos gestores em conhecer seus problemas, suas preocupações e desejos.

E, como se faz isso? Quais são os passos para sair da mesmice e se transformar em um case de sucesso?

Pesquisa e planejamento são irmãos siameses e indispensáveis para um gestão bem sucedida. Pesquisar, pesquisar, pesquisar. Conhecer e tomar o pulso do eleitor, da população, cotidianamente, para municiar um projeto é o único caminho para ser bem sucedido.

Por outro lado não basta só fazer. É preciso mostrar que está fazendo. Não importa se a cidade é pequena, média ou grande. Os meios para mostrar trabalho podem variar, mas a necessidade de mostrar é a mesma. E é um mostrar que exige, também, presença. E presença real, física.

O TUDO OU NADA NAS REDES SOCIAIS

As redes socais são um excelente instrumento para isso, incluindo aí o site oficial do órgão ou da administração e postagens, quando for o caso, no YouTube. O gestor também precisa ter canais próprios para dialogar e informar a população dos seus passos. Pesquisas, novamente elas, determinam quais são os meios mais adequados para serem explorados.

Para que essas atividades obtenham êxito, usadas corretamente, é fundamental ter uma assessoria de imprensa forte e atuante. Aqui é importante ressaltar que não se trata de um grupo de jornalistas a entupirem os veículos com o cotidiano do administrador. Uma assessoria de imprensa,  antenada com os novos tempos, é responsável pelas redes sociais e cuida também do relacionamento direto do administrador com os seus funcionários e, principalmente, no contato direto com a população.

POR ONDE COMEÇAR PARA SER UM SUCESSO?

Primeiro reunindo um “núcleo duro”, um grupo de pessoas da mais absoluta confiança do gestor, que vai ajuda-lo na “tomada de pulso” da população em geral e do eleitorado mais especificamente. É o pessoal da linha de frente do gestor e/ou do candidato, que vai trabalhar diretamente com os profissionais que compõem a “inteligência”. O segundo são as pesquisas. São elas que vão dizer quais são e, o mais importante, qual o conteúdo dos próximos passos. Em seguida elaborar um projeto de governança ou, caso já tenha um, verificar se ele está adequado ou não aos anseios da população.

São esses os caminhos para quem deseja fazer uma administração bem sucedida ou se candidatar a um novo patamar na política. Aqui voltamos novamente ao exemplo do João Doria: o “tempo” para agir e obter sucesso, sejam lá quais forem as pretensões, é agora. Com poucos meses à frente da prefeitura, Doria já é cogitado como candidato ao governo do Estado e até da Presidência da República! Exageros à parte, incluindo aí a falta de senso e os enormes riscos de uma empreitada deste porte, o que fica claro é a necessidade de começar a trabalhar corretamente a comunicação. E a compreensão correta do que é comunicação.

Comunicação hoje é algo muito mais amplo. Até pouco tempo as pessoas se informavam pelos jornais, pelo rádio e pela TV. Hoje, além desses veículos, existem muito outros, disponibilizados pelo fenômeno da internet, conectando todo o mundo a todo mundo. E entender isso, começando a trabalhar de maneira inteligente essas novas oportunidades de contato permanente com a população e os eleitores, com inteligência e planejamento, é que vai fazer a diferença. Quem acha que para ser um “Doria” basta apenas vestir uma farda de gari e sair por aí, vai se dar mal. Com certeza.