terça-feira, 4 de abril de 2017

UMA IDEIA MUITO BEM VINDA DO PT


Alvíssaras! Um boa notícia vinda do PT pode dar um fim nesse mimimi de golpe, golpe, golpe. Fora, fora, fora tudo e iniciar um processo muito interessante de compreensão do que deseja esse pobre coitado, sempre relegado ao segundo plano, o eleitor brasileiro. As boas novas vem de uma pesquisa de profundidade, uma prima mais nobre das qualitativas, intitulada Percepções e Valores Políticos nas Periferias de São Paulo, realizada pela Fundação Perseu Abramo.

O foco esteve nos ex-eleitores do partido e revelou dados muito interessantes. Mas o que vale ressaltar, sejam quais forem os resultados, é o fato de um partido político decidir ouvir direito o que pensam as pessoas e com isso balizar as suas políticas. Se o exemplo for seguido e – o que é mais importante – servir para o PT repensar as suas políticas, podemos ter uma novidade realmente significativa na política nacional. Outra novidade importantíssima, que vale ressaltar, principalmente em se tratando do PT,  é o desejo da Fundação Perseu Abramo de ampliar a discussão sobre os resultados da pesquisa, com pesquisadores de “posições políticas diversas das nossas para um debate aberto”, nas palavras do seu presidente, Marcio Pochmann. A iniciativa foi vista como “positiva” pelo vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, que demonstrou interesse em um debate entre a fundação do PT e o Instituto Fernando Henrique Cardoso.

O inimigo é o Estado ineficaz e perdulário.

A pesquisa revela dados bem interessantes. O eleitor da periferia tem uma visão extremamente negativa do Estado, um “inimigo” responsável por se apropriar do dinheiro dos impostos e oferecer serviços de péssima qualidade . Além disso, não cria políticas que ajudem na ascensão social. Para “subir na vida” a única forma é o mérito pessoal, cuja melhor representação estaria, na visão desses eleitores, em personagens como Lula, Silvio Santos e João Doria.
Em muitas circunstâncias, pausa para se surpreender, a figura de Lula é admirada menos pelas políticas implantadas nos seus dois governos e mais pelo que ele representa em termos de ascensão social.

Conceitos como luta de classes, tão a gosto de militantes e da literatura política de esquerda, foram postos abaixo pela pesquisa, onde o Estado é visto como principal inimigo e obstáculo, com suas políticas ineficazes e incompetentes. Com isso abre-se espaço para teorias mais chegadas ao liberalismo popular, onde a adoção de métodos empresariais na gestão pública passam a ser bem vindos.

As cotas x capacidade individual

Dados curiosos, muito insuspeitados, como a visão da população de baixa renda sobre, por exemplo, a política de cotas, também foram revelados. Ao contrário do que se poderia supor, as cotas nem sempre são bem vistas. Ainda que não neguem a sua importância, como garantia de acesso a oportunidades, rejeitam todas que aparentem lançar “dúvidas” sobre as capacidades individuais das pessoas.

O PT surpreende

No que diz respeito ao PT, mais especificamente, o dado mais surpreendente é o desejo de ampliar a discussão com outros segmentos, inclusive adversários políticos. Se isso vier a acontecer estaremos vivenciando uma mudança de comportamento extremamente saudável para a política brasileira. Resta saber se acontecerá. Vamos torcer, inclusive para que este exemplo seja seguido pelas outras agremiações, que parecem não se dar conta que o discurso atual não tem a menor aderência entre o eleitorado. Basta ver a repetição enfadonha das inserções (comerciais) dos partidos que não dizem nada sobre nada, repetindo uma mesma ladainha que não interessa a ninguém, noves fora o partido de cumprir tabela no horário e assegurar as suas cotas no Fundo Partidário.

Para o PT, mais especificamente, segundo Pochmann, e as esquerda em geral o desafio, hoje, é oferecer serviços novos e melhores, inclusive do que os que foram criados nos governos petistas. Pochmann acha também que o partido vai ter que se aproximar fisicamente para reconquistar esses eleitores, com – além da oferta de novos serviços – prestando mais atenção, valorizando, a capacidade de ouvir.