segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ROBERTO CARLOS DIZ QUE É A FAVOR DAS BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS

Famoso também na área das biografias, por censurar a comercialização de uma delas não autorizada por ele, o Rei afirma agora que concorda com o projeto de lei que pode mudar as normas para a publicação das biografias não autorizadas. Mas vai logo avisando: que isso tem que ser discutido: "sem autorização, porém com certos ajustes". "Isso (os ajustes) tem que se discutir, são muitas coisas, tem que haver equilíbrio. Que não fira a liberdade de expressão nem o direito a privacidade".

Na entrevista, divulgada no programa Fantástico, da TV Globo, veiculada no último domingo, Roberto aproveitou para anunciar que está gravando depoimentos sobre a sua vida para serem contados em uma biografia, onde vai "contar tudo o que eu acho que te sentido contar em relação ao que vivi". E ainda acrescentou que ele mesmo vai dar a forma final ao livro. 

Com as declarações de Roberto, ainda que com todas as ressalvas, sobrou para Caetano, Gil, Chico e demais aderentes à curriola do Procure Saber, comandado pela Paula Lavigne, o triste papel de continuar a luta contra as biografias não autorizadas. E assim Roberto Carlos, que nunca foi conhecido por suas posições políticas liberais, deixou para a turma que em tempos idos lutou contra a repressão o papel sujo de censores.

O biógrafo, diz o Rei, "pesquisa uma história que está sendo feita pelo biografado. Ele não cria a história, narra aquela história que não é a dele, que é o biografado, mas a partir de quando escreve, ele passa a ser dono daquela história. Isso não é certo"

A frase seria correta se estivéssemos falando de pessoas comuns. No momento em que a pessoa adquire uma personalidade pública, faz essa opção, influencia indivíduos, sua opinião tem força na sociedade, sua vida, para simplificar, se torna pública, passe a ter interesses e relevâncias para o público. Daí o conceito de intimidade vai por terra. Difamação e mentira são outros assuntos.

Roberto, como seus colegas, usam o argumento de que a justiça é lenta para punir, daí a necessidade de certos "ajustes", como diz o Rei, ou a censura prévia, como pregam os outros. Em vez de lutarem, usando sua influência pública, para agilizarem a lei, preferiram o caminho mais curto da repressão. 
Depois reclamam.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

ECOS DOS PROTESTOS: UMA BOMBA ARMADA NAS RUAS.

Artigo do jornalista Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa.

O leitor ou leitora que escrutinar o noticiário de quinta-feira (17/10) poderá achar um pouco confusa a descrição das ações do Estado, no Rio e em São Paulo, contra manifestantes acusados de promover depredações a atacar policiais.

Em São Paulo, dos 60 detidos após as manifestações violentas ocorridas na noite de terça-feira, 59 foram soltos por falta de provas e apenas um foi indiciado, por porte de maconha. No Rio, metade dos 190 detidos continuava presa e 27 haviam sido autuados pela nova Lei de Crime Organizado.

A diferença no comportamento das autoridades nos dois Estados, assim como a abordagem da imprensa, dificulta a compreensão do que se passa nas ruas. Basicamente, o governo paulista demonstra estar fazendo um esforço para identificar os adeptos da tática conhecida como “Black Bloc”, para compreender suas motivações e seus objetivos. Já o governo do Rio parece mais preocupado em conter a onda de violência, na tentativa de amenizar o estrago que o fenômeno poderá provocar em suas pretensões eleitorais do próximo ano.

O sistema de inteligência da polícia paulista registrou cerca de 400 suspeitos de protagonizar atos de vandalismo e está estudando seus perfis para tentar identificar lideranças e separar os diferentes grupos que se organizam e se desfazem continuamente durante as manifestações.

Os especialistas reunidos numa espécie de conselho procuram montar um quebra-cabeças em busca de um sentido para o comportamento desses jovens, considerando, de antemão, que eles precisam ter algo mais em comum do que o simples impulso da destruição para organizar suas ações aparentemente espontâneas, que, no entanto, revelam uma característica de sofisticada mobilidade e eficiência.

Pelo que se pode depreender das reportagens, a estratégia do governo de São Paulo é usar essas informações para tomar medidas práticas, como obrigar os reincidentes a se apresentar a uma autoridade policial no horário dos protestos. O modelo é semelhante àquele que é aplicado contra os integrantes de torcidas organizadas de futebol que se envolvem continuamente em conflitos nos estádios.

Mistura explosiva
Pressionado por uma campanha avassaladora que promoveu até mesmo o bloqueio da rua onde mora, o governador do Rio, Sergio Cabral, é movido pela urgência: se quiser sobreviver politicamente, ele não pode chegar ao fim do ano sitiado pelos manifestantes.

As palavras de ordem dos primeiros protestos eram contra o custo e a má qualidade dos transportes públicos, depois evoluíram para a exigência de investigação sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo Alves de Souza e atualmente têm como estopim as reivindicações salariais dos professores do Estado. No entanto, o alvo pessoal dos manifestantes segue sendo o governador Cabral.

A perspectiva de eleições no horizonte próximo instiga à urgência e limita a disposição das autoridades para entender a natureza desse fenômeno. Afinal, o que move centenas, eventualmente milhares, de jovens a arriscar sua integridade física e seu futuro por uma pauta de demandas difusa e quase irreconhecível?

Pesquisadores reconhecidos pela imprensa apresentam teses eventualmente conflitantes, mas no geral há certo consenso em que o conjunto denominado genericamente de “Black Bloc” tem como objetivo chamar a atenção para o distanciamento entre o Estado e o cidadão. Segundo essa tese predominante, baseada em entrevistas selecionadas no calor dos protestos, há um mosaico de racionalidade por trás das atitudes destrutivas desses manifestantes.

No entanto, seria aconselhável que os pesquisadores e jornalistas tivessem algum cuidado ao analisar declarações feitas aos gritos, no meio do tumulto, por jovens bombados pela adrenalina do momento.

Da mesma forma que ninguém vai considerar que o pacato pai de família que se manifesta nas arquibancadas contra o juiz de futebol acredite mesmo que a mãe do árbitro seja necessariamente uma prostituta, não se pode interpretar linearmente o que diz um manifestante enquanto se desvia de uma bomba de efeito moral e acende seu “coquetel molotov”.

Esse é talvez o maior desafio para se compreender o momento por que passam as maiores cidades do País: encontrar um terreno sólido no campo da racionalidade para entender o comportamento aparentemente irracional.

Há uma enorme dose de concessão nas análises de acadêmicos e jornalistas sobre a natureza dessa violência. A mistura de universitários, mendigos, meninos abandonados e delinquentes profissionais no confronto com policiais viciados na arbitrariedade compõe uma receita explosiva.

Quem poderia desejar um desfecho trágico para esse enredo?

Luciano Martins Costa

* Jornalista, colaborador do Observatório da Imprensa e membro do conselho do Projor – Instituto Para o Desenvolvimento do Jornalismo.

Publicado no Observatório da Imprensa em 17/10/2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

PLANOS DE SAÚDE: UM MERCADO CONFUSO QUE VAI QUEBRAR.


Apelidados de “seguros saúde”, não são seguros coisa nenhuma. De iniciativa privada, teoricamente regidos pelo mercado, sofrem intervenções da ANS, que morde e assopra periodicamente. Ora força as operadoras a adotarem procedimentos e medicamentos, aparentemente a serviço do consumidor, ora autoriza aumentos escorchantes, que tornam inviável a participação de parcelas desse mesmo público que afirma proteger.

Um mercado confuso, mal regulamentado, que tende a quebradeira em breve, caso não se abra uma discussão séria sobre o assunto.

Em primeiro lugar “seguro” implica em análise de risco. Veja, por exemplo, o seguro de carro: se além de você um jovem dirige o seu veículo, você não possui garagem residencial nem no trabalho e mora em uma cidade com alto índice de roubos, o seu seguro é mais caro. O inverso é verdadeiro. Quando você faz um plano de saúde ninguém avalia suas condições médicas. No máximo são consideradas a idade e uma tal de doenças pré-existentes, essa última meramente declaratória.  Além disso não se avalia o histórico de riscos dos “segurados”. Uma pessoa vai todos os meses ao médico, costuma fazer exames sistematicamente e volta e meia é internado. Os custos desse individuo diferem de um outro que apenas faz os tais exames preventivos anuais e, quando muito, consulta um médico, pontualmente, uma duas ou três vezes ao ano. Se considerarmos os tais planos como seguro essas pessoas deveriam pagar mensalidades diferentes, mas como não se avalia nada, todo mundo paga a mesma coisa, não importam os fatores de risco individuais.

Em segundo lugar é preciso chegar a um acordo: ou são empresas privadas que oferecem determinados serviços, sendo reguladas pelo mercado (é claro que com as salvaguardas todas legais) ou é uma espécie estranha, misto de empresa pública e privadas, onde o governo, quando quer intervém, ditando regras e autorizando percentuais de aumento.  Ah, mais de trata de saúde, dirão alguns. Serviços básicos de saúde são obrigação do Estado. O que se poderia propor, no máximo, seria a criação de um plano básico, obrigatório, para todas as pessoas. O governo entrava pagando um x e o elemento, dependendo das suas condições financeiras outro x, por exemplo. Mas isso não é o SUS?

Outra coisa: as leis brasileiras não permitem a entrada de empresas estrangeiras nesse mercado, sabe-se lá quais os motivos. Só empresas de grande porte podem operar direito numa área desse tipo. É coisa para cachorro grande. Não é a toa que volta e meia planos vão a quebradeira. Os exemplos são já inúmeros.

E por fim: paga-se muito as operadoras, que por sua vez pagam pouco aos profissionais, médicos e terapeutas, e às empresas, como hospitais, clínicas etc.

O resultado disso não vai ser bom a longo prazo. Não dá para recolher um monte de dinheiro, colocar num saco de onde são retiradas quantias (quanto?) para pagar despesas aleatórias dos “sócios do saco” e ainda lucrar com isso. É um tipo de negócio que tem tudo para dar errado, isso sem contar com as interferência “reguladoras” do governo.

São mais de 40 milhões de brasileiros – e o número está sempre aumentando – que dependem desses “planos”. Mais cedo ou mais tarde esse caldo vai entornar. E aí? Está mais do que na hora das entidades de defesa dos consumidores, médicos, usuários dos planos e entidades da área de saúde, incluso aí o nosso governo, começarem a pensar sobre isso. Antes que dê merda. Grande.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

VEJA QUANTO VC PAGA DE IMPOSTO. PRODUTO POR PRODUTO.


IBPT - INSTITUTO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
Percentual de Tributos sobre O Preço Final
PRODUTO % Tributos/preço final
Passagens aéreas
8,65%
Transporte Aéreo de Cargas
8,65%
Transporte Rod. Interestadual Passageiros
16,65%
Transporte Rod. Interestadual Cargas
21,65%
Transp. Urbano Passag. - Metropolitano
22,98%
Vassoura
26,25%
CONTA DE ÁGUA
29,83%
Mesa de Madeira
30,57%
Cadeira de Madeira
30,57%
Armário de Madeira
30,57%
Cama de Madeira
30,57%
Sofá de Madeira/plástico
34,50%
Bicicleta
34,50%
Tapete
34,50%
MEDICAMENTOS
36%
Motocicleta de até 125 cc
44,40%
CONTA DE LUZ
45,81%
CONTA DE TELEFONE
47,87%
Motocicleta acima de 125 cc
49,78%
Gasolina
57,03%
Cigarro
81,68%

PRODUTOS ALIMENTÍCIOS BÁSICOS
Carne bovina
18,63%
Frango
17,91%
Peixe
18,02%
Sal
29,48%
Trigo
34,47%
Arroz
18,00%
Óleo de soja
37,18%
Farinha
34,47%
Feijão
18,00%
Açúcar
40,40%
Leite
33,63%
Café
36,52%
Macarrão
35,20%
Margarina
37,18%
Margarina
37,18%
Molho de tomate
36,66%
Ervilha
35,86%
Milho Verde
37,37%
Biscoito
38,50%
Chocolate
32,00%
Achocolatado
37,84%
Ovos
21,79%
Frutas
22,98%
Álcool
43,28%
Detergente
40,50%
Saponáceo
40,50%
Sabão em barra
40,50%
Sabão em pó
42,27%
Desinfetante
37,84%
Água sanitária
37,84%
Esponja de aço
44,35%

PRODUTOS BÁSICOS DE HIGIENE
Sabonete
42%
Xampu
52,35%
Condicionador
47,01%
Desodorante
47,25%
Aparelho de barbear
41,98%
Papel Higiênico
40,50%
Pasta de Dente
42,00%

MATERIAL ESCOLAR
Caneta
48,69%
Lápis
36,19%
Borracha
44,39%
Estojo
41,53%
Pastas plásticas
41,17%
Agenda
44,39%
Papel sulfite
38,97%
Livros
13,18%
Papel
38,97%
Agenda
44,39%
Mochilas
40,82%
Régua
45,85%
Pincel
36,90%
Tinta plástica
37,42%

BEBIDAS
Refresco em pó
38,32%
Suco
37,84%
Água
45,11%
Cerveja
56,00%
Cachaça
83,07%
Refrigerante
47,00%
CD
47,25%
DVD
51,59%
Brinquedos
41,98%

LOUÇAS
Pratos
44,76%
Copos
45,60%
Garrafa térmica
43,16%
Talheres
42,70%
Panelas
44,47%

PRODUTOS DE CAMA, MESA E BANHO
Toalhas - (mesa e banho)
36,33%
Lençol
37,51%
Travesseiro
36,00%
Cobertor
37,42%
Automóvel
43,63%

ELETRODOMÉSTICOS
Sapatos
37,37%
Roupas
37,84%
Aparelho de som
38,00%
Computador
38,00%
Fogão
39,50%
Telefone Celular
41,00%
Ventilador
43,16%
Liquidificador
43,64%
Batedeira
43,64%
Ferro de Passar
44,35%
Refrigerador
47,06%
Vídeo-cassete
52,06%
Microondas
56,99%

MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
Fertilizantes
27,07%
Tijolo
34,23%
Telha
34,47%
Móveis (estantes, cama, armários)
37,56%
Vaso sanitário
44,11%
Tinta
45,77%
Casa popular
49,02%
Mensalidade Escolar
37,68% (ISS DE 5%)
ALÉM DESTES IMPOSTOS, VC PAGA DE 15% A 27,5% DO SEU SALÁRIO A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA,
PAGA O SEU PLANO DE SAÚDE, O COLÉGIO DOS SEUS FILHOS, IPVA, IPTU, INSS, FGTS ETC.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

SÃO PAULO, UMA NOVA DETROIT?

Cidades podem ir a falência ou, na melhor das hipóteses, perderem a sua importância econômica graças a políticas equivocadas da iniciativa privada e/ou dos seus governantes.

Em Detroit a falência da grandes montadoras de veículos levou a uma decadência cruel daquela cidade americana que já foi vitrine de progresso e desenvolvimento. Milhares de trabalhadores nas ruas, bairros abandonados, índices de criminalidade alarmantes. As autoridades não quiseram ou não souberam reagir a tempo e vai ser muito difícil, senão impossível, aquela cidade recuperar o brilho de antes.

Em São Paulo os esforços para quebrar a economia da cidade veem da Prefeitura, com seu absurdo aumento de IPTU, de 30% para residências e 45% para o comércio. O Prefeito quer compensar, sacrificando quem paga IPTU, os recursos que perdeu, inclusive com a volta a trás do aumento nas tarifas dos ônibus, pressionado pelas manifestações de junho.

Esqueçam, por momentos, as grandes empresas, que talvez possam arcar com o aumento abusivo, mas a tal de classe média e os pequenos comerciantes como reagirão? (aqueles que o partido do Prefeito tanto se ufana de ter elevado padrões e de renda). Como repassar para o consumidor, esse eterno sacrificado, os custos escorchantes desse imposto?.

Se começarmos a fechar negócios, se empresas começarem a sair de São Paulo em busca de ambientes mais acolhedores a cidade vai perder, vai trilhar caminhos de outras, como Detroit, que perderam a sua importância econômica. Empregos serão perdidos, é uma seqüência cruel e desnecessária, medida que em nada ajuda ao progresso da cidade.

Alem disso baseada em premissas erradas, numa suposta valorização do mercado. Há uma diferença entre os valores propagados pela especulação imobiliária e a valorização real dos imóveis. Nada em nossa economia justifica um aumento desse porte.

Tem sido comum na cidade, justamente nos bairros onde se verifica a maior especulação imobiliária, uma grande quantidade estabelecimentos que fecham, de negócios levados a falência, de sonhos desfeitos e empregos perdidos.

A sanha arrecadatória pode levar inúmeras famílias a perderem suas residências, sendo tangidas para a periferia em busca de uma moradia mais acessível. Grande política do nosso prefeito.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

HADDAD VAI DE ÔNIBUS, ALCKMIN DE TREM. E VOCÊ MEU BEM?

Entupiu. Saturou. Não cabe mais.

Se todos os carros de São Paulo forem as ruas ao mesmo tempo, circulando a 40 km por hora, a cidade precisaria de mais que o dobro dos 17 mil quilômetros de ruas existentes. Se os seus 5,4 milhões de carros fossem estacionados em fila indiana, ela alcançaria 27 mil quilômetros - três vezes a extensão de todo o litoral brasileiro.

Entupiu. Todo mundo concorda. Mas e as soluções?

Mas, enquanto isso continuam os estímulos para a compra de carros, com redução de IPI e prestações, a juros zero, a perder de vista.

Você vai deixar o carro em casa?

Tudo certo em priorizar os ônibus, mas se eles não tiverem um mínimo de qualidade você vai deixar o seu carro em casa?

15 propostas para acabar com o entupimento

Os técnicos falam em pelo menos 15 propostas para fazerem as cidades andar: faixas de ônibus; corredores exclusivos e segregados para ônibus; pedágio urbano (aprovado por apenas 1% dos paulistanos); estímulo a carona; cidades compactas; mais metrô; integração entre os vários modelos de transporte; estimular menos deslocamentos (adensando oportunidades); ampliar áreas de rodízio; mais ciclovias e ciclofaixas; limitação de número de garagens (para residências e comércio); menos vagas nas ruas; mais tecnologia transmitindo em tempo real as condições do trânsito; hidrovias; estimular uma nova mentalidade nos motoristas para que abandonem os carros.

Falta verba e vontade política

Dependentes do Governo Federal, as cidades, todas as grandes e médias congestionadas, não conseguem aumentar o volume dos investimentos. São Paulo, por exemplo, precisaria de 5o bilhões de reais para elevar de 74 km para 200 km a sua malha metroviária. De onde viria esse dinheiro?

No Brasil vivemos em contradições: as cidades não tem dinheiro e dependem do Governo Federal, que por sua vez não libera, ou não tem, os recursos necessários para atender a todos. Além disso, ao mesmo tempo em que discursa a favor de uma nova mobilidade urbana, incentiva, claramente, o transporte individual, ao patrocinar a isenção de impostos para facilitar a compra de carros. Estados e municípios querem resolver o problema, mas a falta de dinheiro e de vontade política, emperra a maioria das iniciativas. Até as decantadas obras para a Copa de 2014 privilegiam o transporte individual.

Calçadas. Importantes, mas esquecidas.

As soluções para que as pessoas deixem os seus carros em casa passa também por um via sempre esquecida por todas as administrações: as calçadas, que um jornal de São Paulo classificou como a pior inimiga dos "sem-motor". O péssimo estado das calçadas já virou inclusive problema de saúde pública: um estudo do Hospital das Clínicas de São Paulo aponta que no ano passado, uma em cada cinco vítimas de quedas, foram vítimas das calçadas. E, ao contrário do que se poderia pensar, a maior parte dos acidentados calçada tênis e estavam na faixa dos 36 a 50 anos.

Quem pode deixa o carro em casa

Ao contrário do que se poderia pensar, também, quem tem mais dinheiro tende a deixar mais o carro em casa. Esse pessoal procura concentrar os serviços e - se possível até mesmo o trabalho - nas proximidades das suas residências ou no máximo dentro do próprio bairro.

Poluição dos veículos mata mais que acidentes de trânsito

Enquanto as grandes e definitivas soluções não chegam, cada um vai se virando como pode para escapar do trânsito, dos congestionamentos e da poluição provocada pelos veículos que já são uma das principais causas de doenças e até mesmo de mortes.

No Estado de São Paulo 17 mil mortes foram provocadas pela poluição, só em 2011, segundo dados de uma ONG e de pesquisadores da USP. É o dobro das mortes provocadas por acidentes de trânsito. E as previsões não são nada otimistas: até 2050 a poluição do ar será a principal causa das mortes prematuras por câncer de pulmão.

O espaço urbano ideal

Mas enquanto as soluções não chegam, não custa sonhar - e lutar - por uma cidade dos sonhos:
1. Sem congestionamentos, planejada para oferecer as melhores oportunidades de trabalho, lazer e cultura com várias opções de transporte.
2. Com compartilhamento de bicicletas e automóveis, que completariam o transporte público eficiente.
3. Diversidade de transportes com uma rede integrada de ônibus, metrô, monotrilho, trem, barcos de passageiros, cada um atendendo a um tipo de necessidade.
4. Calçadas seguras, acessíveis, conservadas pelo poder público e não entregues ao critério privado de cada dono de imóvel
5. Estacionamentos públicos, preferencialmente subterrâneos, integrados as estações de transporte que acomodem os carros de quem mora longe. Sem estacionamentos nas ruas, mais espaço para o fluxo de veículos, mais calçadas, ciclovias e ciclofaixas.
6. Restrições aos carros. Não é o inimigo, mas não pode ser a opção da maioria. O ideal é combinar restrições com mais oferta de transporte. Como restringir? A ver.

Enquanto isso... Haddad de ônibus, Alckmin de metrô. E você?

Enquanto isso, meu caro, é se divertir com o faz de conta das nossas autoridades: Haddad faz de conta que vai trabalhar de ônibus, Alckmin diz que vai andar de metrô e você, meu bem? Vá se virando como puder.

(Dados obtidos do Caderno Especial sobre Mobilidade Urbana do jornal Estado de São Paulo, de 12 outubro/2013).



terça-feira, 15 de outubro de 2013

BLACK BLOCS: A QUEM SERVE ESSE GRUPO?


Mais uma manifestação “pacífica” em São Paulo termina hoje (15 de outubro) termina em pancadaria por conta do tal Black Blocs. No Rio de Janeiro o mesmo problema. Cabe uma reflexão sobre os objetivos e as consequências das ações desse grupo. Classificados quase que histericamente como vândalos, pela mídia, estão assumindo um protagonismo nas manifestações que pode mudar radicalmente a opinião da sociedade sobre os protestos, e criar um clima favorável a repressão, gerar um impasse para aqueles que desejam ir as ruas, de forma pacifica, para protestar ou reivindicar.

O que se deve refletir é que, independentemente dos motivos que levam as pessoas pertencentes a esse grupo expressarem a sua “raiva” contra o sistema, é que tipo de “serviço” terminam por prestar a repressão das manifestações legitimas da sociedade, inviabilizando mesmo a sua realização. 

Depois de anos e anos afastados sem se manifestar, os mais variados segmentos da população não conseguem ir às ruas de forma organizada e muito menos conter esses grupos. Resta o que? Desistir? Compactuar? E os mais variados negócios, constantemente depredados? (Esqueçam os bancos). Como reagirão?

A sociedade se encontra nas ruas com um grupo de revoltados, de uma gente excluída, que tem plena consciência dessa exclusão e desdenha o apoio popular. Em entrevista a um jornal de São Paulo, um participante do grupo é claro: “não precisamos ser compreendidos agora”. A raiva é o componente principal que move esses grupos. Raiva e desprezo pela sociedade organizada. E como a sociedade vai reagir a isso?

Haverá um retrocesso e um apoio maciço a repressão violenta? Por enquanto um ou outro governo pode se fazer de bobo achando bom que o problema acontece no quintal do seu adversário. Mas até quando? A violência desses grupos não faz distinção ideológica. A violência pode sempre ser ampliada e sair do controle.

Os setores organizados, professores, estudantes, sindicalistas etc., sairão da zona da cínica zona de conforto, acolhendo qualquer grupo em seus protestos, terão pulso para impedir a ação dos Black Blocs e afins? Vão continuar com a cantilena de que a polícia deve agir com moderação?

Quanto tempo vai levar para que a sociedade comece a exigir uma repressão pura e simples a qualquer manifestação? Quais serão as consequências disso para a nossa jovem e ainda débil democracia?

É preciso repensar esses grupos. Contemporizar simplesmente não vai resolver. Os prejuízos que eles podem provocar são imensos, não importam as suas razões (e elas existem). O protesto desorganizado e vandalizador não é alternativa para o avanço das conquistas sociais da nossa sociedade.

Conhecer esses grupos, entende-los e combate-los é dever de quem preza pelas liberdades e pela democracia. Compactuar é erro. É caminhar numa direção que pode não ter volta e causar prejuízos irreversíveis a tudo o que foi conquistado após a derrota do regime militar. Mas é preciso oferecer uma alternativa para que está desiludido de tudo, que já são muito e tendem a aumentar nos protestos.

São tempos perigosos e se toda a sociedade não procurar entender o que está acontecendo e não se unir para resolver as questões que fazem com que os excluídos resolvam se fazer ouvir usando a violência eles vão ficar muito mais perigosos ainda.

QUEM SÃO OS BLACK BLOCS?

Formado por jovens entre 15 e 25 anos, em geral de classe média baixa, que estudaram em geral em escolas públicas e universidades privadas. Apesar disso formam uma massa heterogênea composta por professores, analistas de sistemas, ecologistas, ex-presidiários, internos da Fundação Casa e revoltados em geral.

A maioria só conheceu os protestos depois que o Movimento Passe Livre foipara as ruas, que acompanharam como coadjuvantes. Até recentemente suas ações só começavam depois que a polícia tentava desbloquear as ruas ou dispersar os manifestantes. Agora começam agir antes, atacando antes mesmo de serem provocados. E as depredações tem objetivo claro: mostrar a indignação e a raiva.

Carros da polícia estão sendo incendiados, ônibus depredados, estações de metrô e paradas de ônibus destruídas. O ataque ao patrimônio público e privado está virando rotina. Como será na Copa do Mundo e na Olimpíada?


CAETANO VELOSO EM CAMPANHA CONTRA AS BIOGRAFIAS, GANHA UMA "COMUNITÁRIA".


Quem diria... Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil e tantos outros libertários de outrora, ao lado de Roberto Carlos, esse não tão libertário assim,  fazendo campanha contra as biografias não oficiais.
Ironia ou não, a campanha terminou por fazer chegar o conceito de crowdsourcing às biografias. A lacuna foi preenchida com a iniciativa da agência Mojo, que lançou a “Biografia de Caetano”, há poucos dias, no Facebook, rapidamente inundada de links, fotos, entrevistas e até GIFs animados do compositor e que já conta com milhares de fãs. 

Caetano: quem diria, já cantou É Proibido Proibir.

Paula Lavigne, ex-mulher e atual empresaria de Caetano, elogiou a comunidade, o que deixou os sócios da Mojo meio desconfiados. Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, consideraram que falar que ela ‘gostou” como “uma maneira de tentar esvaziar a nossa iniciativa".

Danilo Corci, um dos sócios da Mojo, ironizou também a escolha de Caetano para o projeto, afirmando que o motivo foi o fato de um dia ele ter cantado É Proibido Proibir”.

O fato é que o Brasil continua sendo senão o único, um dos raros países do mundo onde as biografias não oficiais são proibidas. Agora tem gente propondo que parte da renda auferida por elas seja repassada para os biografados como forma de abrandar as proibições. O que é também um absurdo. Imagina o sujeito fazendo a biografia de algum meliante como o Marcola, do PCC, por exemplo. O sujeito ainda vai ganhar uma graninha?

Em qualquer lugar – civilizado – do mundo se por acaso o biografado se sentir ofendido pelo autor vai a Justiça e pronto. Só aqui as pessoas públicas querem que a posteridade conheça as suas vidas só pelo lado cor de rosa, eliminando referencias desagradáveis e reescrevendo, a gosto, a história das suas vidas. 

sábado, 12 de outubro de 2013

CONDENADO A 115 ANOS SAI EM LIBERDADE E AFIRMA: ISSO AQUI É BRASIL.


Adriano Chafik e o capataz Washington Silva ouvem a sentença  
Adriano Chafik e o capataz Washington Silva ouvem a sentença. 



Terminou na madrugada desta sexta (11) o julgamento do fazendeiro Adriano Chafik Luedy. Chafik foi condenado a 115 anos de cadeia 
por ter encomendado e participado da chacina que matou cinco sem-terra e deixou outros 12 feridos.

Depois de ouvir a sentença ele foi pra casa. Isso mesmo. 

O crime é de 2004. No ano seguinte, o fazendeiro chegou a ser preso mas foi solto por ordem do STJ - Superior Tribunal de Justiça. Chafik voltou para a cadeia no último mês de agosto. Novamente, o STJ restituiu-lhe a liberdade. A alegação para que um sujeito condenado a 115 anos de cadeia permaneça em liberdade e que o STJ ainda não apreciou o mérito do seu penúltimo habeas corpus (!?)

Durante o julgamento o juiz quis saber de Chafik por que ele invadira terras públicas. A resposta veio em duas partes. Na primeira Chafik disse ao juiz que as terras haviam sido registradas em cartário “com o aval do Estado”.  Na segunda deu uma arrematada: “Isso aqui é Brasil”.

Tudo isso seria seria até engraçado se não fosse trágico. Esse é um país da esculhambação geral, onde a nossa justiça (sempre em letras minúsculas), prima pelo escárnio, prisioneira de firulas regimentais, ignorando o verdadeiro sentido de fazer-se Justiça, punindo criminosos e acolhendo a honestidade e o cumprimento das leis. Mas pelo visto, com a justiça que temos, privilegiado são os bandidos, os desonestos, os corruptos. 

O condenado tem toda razão: isso é Brasil.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

45 MILHÕES DE DEFICIENTES DISCRIMINADOS NA PROPAGANDA.

O Brasil tem mais de 45 milhões de deficientes. A colunista Inês de Castro da BandNews chama a atenção para o fato de que esse contingente não é visto como consumidor. É verdade. Nenhum deficiente aparece em comerciais a não ser em peças para divulgar associações médicas que tratam de suas deficiências ou entidades em busca de doações. O setor ainda não se deu conta que esse pessoal também consome e tem rendimentos. Uma fotógrafa Kika de Castro, criou uma agência de modelos exclusivamente com deficientes. Já tem 81 cadastrados. É um grande passo, mas é muito pouco ainda diante da exclusão que sofrem dos anunciantes. Será que veremos em breve alguma agência e/ou anunciante que tenha coragem de inserir esses consumidores em seus comerciais?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

INSS QUER QUE AGRESSORES PAGUEM OS GASTOS DAS SUAS VÍTIMAS.


Se depender da Advocacia Geral da União e da Procuradoria do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, agressores terão de pagar os gastos da Previdência com as vítimas de racismo e homofobia. O INSS também quer de volta o dinheiro gasto no tratamento de vítimas de acidentes de trânsito, provocados por motoristas irresponsáveis e dos culpados por violência doméstica.

A tese é juridicamente complexa, com juristas a favor e contra, já que existem seguros, na legislação, que – em tese pelo menos – cobririam esses gastos. Os procuradores querem, no entanto, firmar jurisprudência que levem todo condenado criminalmente por agressão ou homicídio seja alvo de um ação regressiva do INSS – como é chamada a cobrança.

“A ideia é que todo mundo se acostume que, quando faz algo errado, a Previdência vai atrás dele buscar o prejuízo”, diz Alessandro Stefanutto,, procurador-geral do INSS. A Previdência já moveu cerca de duas mil e 900 ações desse tipo para tentar ressarcir algo em torno dos 586 milhões de reais.

Se juridicamente discutível a medida pode, talvez, servir como freio, forçando o agressor a pensar duas vezes, já que os prejuízos financeiros podem ser uma perda mais significativa que as penas costumeiramente impostas pela nossa leniente Justiça.

SUÍÇA AMEAÇA DEVOLVER DINHEIRO DE CONDENADOS BRASILEIROS


Nada menos que 20 milhões de dólares podem voltar para as mãos de condenados por corrupção, no caso que ficou conhecido como “propinoduto", graças a conhecida lentidão da justiça brasileira.

A Suíça já avisou ao governo brasileiro que pelas leis daquele país 10 anos – o tempo que já dura o processo – é o prazo limite para reter o dinheiro e que, sem uma decisão final da justiça do Brasil, terão que liberar os recursos para saque dos donos originais das contas bancárias. Ou seja, os condenados.

Vale ressaltar que esse caso teve consequências na própria Suíça, onde cinco banqueiros foram condenados por lavagem de dinheiro e que, além da prisão, amargaram multas que variaram de 12 a 59 mil dólares.

No Brasil há quatro anos o processo passeia de um gabinete para outro, no Superior Tribunal de Justiça, sem que seja apreciado. Já passou pelas mãos de nada menos que cinco diferentes relatores. E mesmo que seja julgado agora, ainda vai passar pela análise do nosso célere Supremo Tribunal Federal.

Esse caso foi descoberto em 2002. Em 2003, numa demonstração surpreendente de agilidade, todos os acusados foram condenador pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. Quatro anos depois, e depois de todos os questionamentos em torno da legalidade do julgamento da primeira instância, pelo fato de ter sido muito rápido (só rindo), foram todos novamente condenados pelo Tribunal Regional Federal da 2a. Região (haja tribunal e instâncias). Finalmente, com base nos habituais e intermináveis recursos da nossa legislação, chegam em 2009 ao STJ, onde permanece passeando pelo gabinetes.

O caso envolve um ex-subsecretário de Administração Tributária, um ex-assessor e genro do primeiro secretário da Fazenda, um ex-chefe da Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte e um fiscal de rendas da inspetoria, todos da gestão do ex-governador Anthony Garotinho. Além desses estão também condenados tres fiscais da Receita Federal, dois ex-empresários de Ronaldo Fenômeno e quatro funcionários desses empresários. 

Na Suíça, além da surpresa que a agilidade da nossa justiça provoca nas autoridades, o caso pode virar um interessante precedente (pra eles) quando elementos sabidamente criminosos e condenados, ao fim e ao cabo, terão acesso legal aos milhões de dólares roubados. Só mesmo no Brasil varonil.