terça-feira, 10 de dezembro de 2013

GIGANTES DA TECNOLOGIA SE UNEM CONTRA ESPIONAGEM

Temendo a fuga de clientes, receosos de terem os seus dados pessoais sendo postos a disposição dos mais variados órgãos de espionagem mundo afora, 'no atacado, em segredo e sem supervisão independente', como disse o presidente do Google, Larry Page, em crítica aos governos, grandes empresas de tecnologia divulgaram carta ao Presidente Obama, pedindo restrições ao monitoramento dos dados dos seus clientes, ao mesmo tempo que anunciaram medidas para proteger a privacidade dos usuários.

Se engana que acredita que as grandes companhias, Google, Microsoft, Apple, Facebook, Twitter, Lindedin, Yahoo e AOL, tenham sido vítimas de um surto democrático. A mudança vem da forma mais eficiente do sistema capitalista, a dor no bolso, conhecida como "efeito Snowden". Uma empresa de pesquisas, a Forrester, estimou que a área de computação em nuvem, exploradas basicamente pela Amazon, Google e Microsoft podem sofrer uma queda em torno de 180 bilhões nas suas receitas, no próximo ano, provocadas pelo receio dos usuários com a devassa nos seus dados. 

Outras companhias, como a Cisco, fabricante de equipamentos de rede de telecomunicações, já havia informado sobre queda nos seus negócios provocadas pelo "efeito Snowden".
"As pessoas não usarão a tecnologia se não confiarem", deixou bem claro o consultor geral da Microsoft, Brad Smith. "Governos puseram em risco essa confiança, e governos precisam ajudar a restaurá-la".

O problema está, entre outros, na quantidade de informação sobre seus usuários, coletados e mantidos por essas companhias. Esse colossal banco de dados é alvo da cobiça dos governos, que desejam a todo custo se apropriar desses dados, que sozinhos não teriam jamais condições de obter. E aí está o dilema para essas companhias. Essas informações são importantíssimas para o desenvolvimento dos seu negócios, mas ao terem os seus bancos de dados transformados em objeto de desejo para os mais variados órgãos de governos espalhados pelo mundo, estão, ao mesmo tempo, criando motivos  para evasão de clientes. Um conflito que não é fácil de resolver para essas empresas, que por enquanto vão continuar trilhando dois caminhos: pressionar os governos para critérios mais eficientes e controlados na sua abelhudice, inclusive com supervisão independente e criar mecanismos para protegerem com mais eficiência os dados dos seus clientes. 

O fato é que os sistemas de vigilância em massa só podem existir se houver cooperação das companhias de tecnologia e telecomunicação. Se as empresas se recusarem, efetivamente, a cooperar, elas terão influência para forçar uma reforma significativa no modelo de espionagem eletrônica atualmente em curso