segunda-feira, 28 de abril de 2014

QUEM MATOU O TORTURADOR PAULO MALHÃES?

De início a principal hipótese simplista levantada foi latrocínio (roubo seguido de morte). Mas quem levaria das 13h às 22h em um local para levar algumas armas, dois computadores, joias e (pouco) dinheiro? Um ganho material muito modesto para tanto tempo. E mais um dos "assaltantes"estava mascarado e todos usavam luvas. Do lado de fora mais dois, provavelmente, os responsáveis pela fuga. Muito planejamento, muito aparato para uma ação desse tipo (roubo corriqueiro).

Agora, chega a Comissão da Verdade do Rio de Janeiro uma informação de que um dos invasores teria dito ser parente de alguém que o coronel da reserva do Exército teria assassinado. Vingança? Queima de arquivo? Malhães abriu o jogo nas Comissões da Verdade do Rio e Nacional, além de dar entrevistas, onde confessou torturas, assassinatos e desaparecimentos de opositores da ditadura. Divulgou detalhes sobre como os corpos eram mutilados, para dificultar a identificação e assumiu que ajudou a dar sumiço no corpo do ex-deputado Rubens Paiva, embora tenha recuado, depois, dessa afirmação.

Difícil, embora não impossível, que o crime tenha sido cometido por parentes de alguma das suas vítimas, ainda mais a afirmativa tendo vindo de um dos "assaltantes", em tom suficiente para ser ouvido pela viúva do oficial. Muita ingenuidade ou, então, necessidade de "assinar" o delito. Ainda assim muito improvável. Bem mais provável é que seja uma queima de arquivo, uma lição que fica para quem abrir a boca e revelar mais do que deve sobre os anos de chumbo. Acredito muito mais nisso. E deixar implantada a dúvida, ou a ideia, de uma vingança de uma das suas vítimas.

A Comissão da Verdade do Rio quer acompanhar o caso. Vamos ver no que vai dar.