terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

GUERRA DAS AMANTES


Antes da prisão de João Santana ocupar as manchetes e os destaques nos noticiários, as amantes tinham entrado com força na arena política. O uso  deste tipo de recurso, para desmoralizar adversários, é relativamente recente na história política brasileira. Assuntos como esse sempre foram comentados à boca pequena, normalmente sobre uma perspectiva machista e ficava nesse campo. A mudança ocorre na campanha presidencial de 89, quando Collor fez uso da enfermeira Miriam Cordeiro para atacar e praticamente nocautear o seu adversário, na época, o ex-presidente Lula.


O caso de Lula, guarda no entanto diferenças com os mais recentes. Collor usou a questão moral, batendo na tecla dos abortos a que a enfermeira teria se submetido por pressão do ex-presidente. Os mais recentes estão na mídia por conta da origem duvidosa de dinheiro para o pagamento de “pensões alimentícias”.

O que não se sabe ao certo, apesar dos adversários, de parte à parte, usarem esses subterfúgios com entusiasmo, quais são na realidade o impacto que provocam na população/eleitores, mas pelo visto continuarão sendo utilizados na política brasileira. Nas redes sociais o assunto bomba, com documentos sendo exibidos com muito entusiasmo pelas torcidas de cada lado, ambas falando para seu público cativo. Em que poderá influenciar na aprovação ou desaprovação dos envolvidos, só mesmo o tempo dirá

Para quem já esqueceu D. Miriam (com “m”) acusou o candidato, Lula, entre outras coisinhas menores, de tê-la forçado a fazer pelo menos dois abortos. Foi quando o Brasil ficou sabendo, também, que Lula tinha uma filha, na época, acho, com uns 15 anos, fruto do seu relacionamento com a enfermeira. O caso, pela agressividade com que foi apresentado causou muita polêmica e certamente teve influencia no resultado das eleições.

Posteriormente, o público ficou sabendo das aventuras extraconjugais do atual presidente do Senado, que ficou conhecido como Renagate, Renan Calheiros teria recorrido a empreiteiros para pagar a pensão alimentícia da jornalista Monica Veloso, com a qual Renan teria uma filha. A divulgação quase provocou a cassação do senador, mas, ao contrário do uso feito por Collor, nitidamente de ordem moral, o problema com Renan estava relacionado com possível troca de favores, com empresas, e falsificação de documentos para provar que não tinha recursos para pagar a pensão.

Agora, surge outra Mirian (essa com “n”), também jornalista, como a Mônica, que veio a público expor a sua relação extraconjugal com o também ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso. Como o caso já era conhecido do público, as revelações são de outra ordem: origem dos recursos da mesada paga por FHC, que envolve uma empresa ligada ao setor do duty free e a rede Globo, empresa para a qual a jornalista prestou serviços.

Do lado de Lula ainda existe a Rosemary Noronha, que apesar das insinuações de caráter sexual, na sua relação com o ex-presidente, foram superadas pelo imbróglio relacionado a uma transferência, nunca devidamente explicada, de 25 milhões de euros para o banco Espírito Santo, da cidade do Porto, em Portugal.

Ou seja, a guerra das amantes tem ainda todos os ingredientes para durar. Resta saber se ficará restrita à questões relativas à pensões ou poderão ser acrescentados detalhes picantes. Resta saber, também, se a mosquita, a lama da Samargo, a prisão de João Santana e o impeachment de Dilma não voltarem ao noticiário ou outro escândalo qualquer.