segunda-feira, 14 de março de 2016

BOLSONARO, O TRUMP DOS TRÓPICOS?


Mais que um palhaço: uma ameaça
Aqui como acolá, gente como Jair Bolsonaro e Donald Trump não costumavam, ou ainda não são, no caso brasileiro, levados a sério. Nos Estados Unidos Trump foi considerado, de início, apenas um palhaço, uma criatura exótica, a ser descartado, no seu devido tempo. Na melhor das hipóteses, poderia até servir como elemento de pesquisas, de termômetro, para que certos anseios da população, pudessem até ser adicionados às propostas dos candidatos republicanos, mais sensatos e experientes, mas que – ao contrário do que se imaginava – foram sendo descartados. Trump desprezado e/ou ignorado pelos políticos e a mídia vai crescendo.

Aqui, como acolá, quem presta atenção em Bolsonaro é no mínimo taxado de idiota. Tá o homem tem posições, teorias e propostas que envergonham os bem pensantes do país. Mas, acolá, como aqui, Trump também foi – inicialmente – ignorado e motivo de chacota e repulsa. O que interessa especular, entender, analisar, são os motivos pelos quais o eleitorado, boa parte do eleitorado, se interessa e termina dando o seu voto a representantes do tipo Bolsonaro/Trump. E nunca é demais lembrar, por exemplo, que Hitler também foi eleito. E deu no que deu.
Aplaudido nas manifestações

Nunca é demais lembrar, também, que pessoas como Trump e Bolsonaro, são eleitas, recebem apoio/adesão, quando o medo começa a superar a esperança. E medo aqui, como acolá,  pode suas causas em motivos bem variados. O medo vence a esperança quando milhares de pessoas começam a se desiludir com a política e os políticos tradicionais. Vence quando elas deixam de ver nas instituições, nos poderes constituídos, competência para encontrarem uma saída para as suas vidas, aqui e agora. Como são “simplificadores”, elas não avaliam corretamente as causas dos seus problemas e abraçam qualquer proposta que pareça atender as suas necessidades. Por aí vão junto o ódio a imigrantes, que imaginam avançando sobre seus precários empregos atuais, a resistência à política tradicional, o preconceito racial, o abraço a ideias exóticas para resolver os problemas econômicos e por aí vai.

Quando manifestantes vão às ruas, como no Brasil, para reclamar de “tudo o que está aí”, sem abraçar nenhuma proposta para resolver os seus problemas, querendo nada mais que a saída (o que não é pouco) dos atuais governantes e a prisão de políticos e empresários corruptos, incluindo aí até mesmo gente da oposição, abre-se uma janela de oportunidades para gente como Trump e Bolsonaro.

Seria bom, aqui, e o mais rapidamente possível, que políticos, veículos de comunicação, a tal sociedade civil organizada e os cidadãos bem intencionados, prestassem mais atenção ao que acontece nos EUA, ressalvadas todas as diferenças. Ou a sociedade começa a pensar melhor sobre o que quer, além do “fora fulano e beltrano” e da moralização da politica, com o fim da roubalheira institucionalizada, ou vamos terminar elegendo qualquer um que pode ser mais uma decepção que solução.

E bom refletir sobre isso. Antes que, aqui como acolá, seja tarde demais.