quinta-feira, 27 de junho de 2013

A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO

LEGISLATIVO, EXECUTIVO E JUDICIÁRIO TRABALHAM AGORA FRENETICAMENTE. MAS A PRESSA É INIMIGA DA PERFEIÇÃO. O PERIGO MAIOR ESTÁ NO TAL DE PLEBISCITO.

Os otimistas que me perdoem, mas tenho muito receio ao ver, de repente, com nunca dantes na história desse país, nossos governantes trabalhando num ritmo de tirar o fôlego! Cai a PEC 37, a corrupção agora é crime hediondo, o dinheiro do petróleo (dizem) vai para a educação e a saúde... e por aí vai. E o tal de "plebiscito popular" (tem algum que não seja?) está na ordem do dia.

Insisto: a pressa é inimiga a perfeição. E exceção não basta. Pressionados pelo clamor popular todos resolveram mostrar serviço. Vamos ver, em primeiro lugar, se quando as manifestações arrefecerem o ritmo continuará o mesmo. O momento é propício para todo o tipo de demagogia e medidas de afogadilho que podem mais tarde trazer mais prejuízos que benefícios. Toda cautela é pouca. Como disse Dora Kramer, hoje, o poder público corre para zerar em dias o passivo acumulado por décadas.

Não vimos, também, até agora, nenhuma auto-crítica por não terem se esfalfado, trabalhado como é de obrigação, por... décadas e décadas, quando os clamores clamavam (sim, sempre existiram, só não estavam presentes nas ruas) por mudanças. O melhor exemplo de açodamento é esse tal de plebiscito. A população vai decidir sobre financiamento público, privado ou misto nas campanhas eleitorais. Vai dizer se prefere voto distrital, distritão, lista aberta, fechadas, mais ou menos... E tem gente pleiteando uma votação em dois turnos, um tal de "voto transparente". No primeiro o eleitor escolhe o partido e no segundo o candidato. Para valer já para as próximas eleições esse plebiscito teria que ser realizado a toque de caixa antes de outubro. Ou seja, uma campanha relâmpago, dita de "esclarecimento", onde os "grupos"(?) que defendem cada uma das propostas apresentaria a defesa de suas ideias. Isso ao custo de 300 milhões de reais, segundo estimativas do TRE. Duvido que a população vá votar conscientemente num prazo tão exíguo sobre propostas de tal complexidade.

Uma coisa é sair do marasmo e passar a trabalhar como se deve ouvindo de verdade a população, seus anseios, suas reivindicações, outra é sair por aí, atabalhoadamente, chutando pra todos os lados numa tentativa cínica de calar a voz das ruas. O clima, cito mais uma vez Dora Kramer, está mais pra fogo na palha que para fogos de palha. É preciso cuidado e cautela, inclusive, ou principalmente, daqueles que querem as mudanças, rápidas com certeza, mas sem demagogia e que não venha a gerar ainda mais prejuízos de toda a ordem ao país.