quinta-feira, 26 de junho de 2014

GRITO DE GUERRA: TA FALTANDO UM PRA NOSSA SELEÇÃO


Seja sincero: existe coisa mais chocha, mais chata, que esse cântico (Eu,sou brasileiro, como muito orgulho...) que pretende embalar a torcida canarinho nos estádios? Torcida precisa de canto de guerra, de provocação, de vigor, de garra, nada parecido como que se vê na tal torcida brasileira nessa Copa.

As explicações são variadas, uma delas é que o tal de público presente nos estádios não é exatamente aquele público acostumado a frequentar os estádios, aquele louco pelo seu time, que sabe de cor os hinos, os cânticos e os insultos e as provocações aos adversários.

Com o preço alto dos ingressos o tal de público presente seria em sua maioria de “coxinhas”, devidamente paramentados, porém mas interessados em dar um olá pros telões e se sentir parte do espetáculo, mas não de protagonizar.

Pode ser, mas o que dizer de torcidas estrangeiras, como as da Argentina e do Chile que se comportam de fato como torcedores? Os argentinos não perdem um minuto para provocar adversários, presentes ou não, na partida e incentivam com entusiasmo a sua seleção. Os mexicanos, ainda que em menos número no Castelão, conseguiram “calar”, por diversas vezes a torcida brasileira, no empate de 0x0, em Fortaleza.

O fato é que falta alguma coisa para animar a torcida e animar a seleção. Vale lembrar que em competições passadas músicas como Poeira e Festa, cantadas por Ivete Sangalo terminaram por se transformar em “hinos” da torcida brasileira. Nesta Copa o torcedor não se apropriou de nenhuma música, para fazer a sua versão e transformá-la num hino da torcida. E de nada valeu o esforço dos anunciantes de tentar fazer com que seus jingles fossem usados pelos torcedores, mesmo que sem mencionar os nomes das empresas e produtos.

Dá a impressão, também, pra finalizar, que – embora gostemos da seleção e todos torcemos por ela – ela está tão distante do futebol que vivemos no nosso dia-a-dia (a maioria dos jogadores nem no Brasil joga) que não consegue fazer com que nos apaixonemos de verdade, como nos apaixonamos pelos nossos times de coração, aqueles pelos quais somo capazes das maiores loucuras. E pode ser, também, que ser “brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, no final das contas, só mesmo nos estádios em dia de jogo da seleção. Ainda assim, daquele jeito, meio chocho, sou, mas sem esse entusiasmo todo.

Assim, pelo visto, vamos continuar mesmo nesta Copa, sabe-se lá até aonde, com essa musiquinha sem graça.