sexta-feira, 16 de agosto de 2013

NAO EXISTE IMPRENSA IMPARCIAL, O QUE PRECISAMOS É DIVERSIDADE, SEM CENSURA OU MILITANTES FANÁTICOS NO LUGAR DE JORNALISTAS.


Com o surgimento da chamada mídia digital, incluindo-se aqui no Brasil a tal de Mídia Ninja, volta a velha discussão, principalmente após as manifestações de junho, sobre a imparcialidade dos veículos de comunicação e com ela, além do choro de uns e outros por não verem os seus pontos de vista contemplados, ideias variadas sobre as possibilidades de controle do que se pode chamar genericamente de “imprensa.

A insatisfação com a cobertura dos veículos profissionais, no que diz respeito aos protestos, resvalou inclusive para a agressão a veículos (variados) das TVs e hostilização explícita a jornalistas. Em contrapartida passou-se ao elogio fácil a cobertura da Mídia Ninja, como se ali estivesse o retrato fiel e verdadeiro do que estaria se passando nessas manifestações.

Tudo falso. Em primeiro lugar não existe imprensa, veículo de comunicação, essencialmente imparcial. O máximo que se pode exigir desses veículos – e se deve – é que divulguem os diferentes pontos de vista. Ouvir os dois lados. E, defender, com todas as forças a liberdade de imprensa. Ou seja que seja permitido, que a sociedade permita a existência de órgãos de imprensa que reflitam a diversidade de opiniões. O único cerceamento possível é o da ordem, ou melhor do ordenamento que a sociedade como um todo estabeleceu como regras de convivência.

Vamos a um exemplo tosco: posso não gostar de determinada operado de telefonia. Tenho direito de reclamar, publicamente inclusive, recorrer a Justiça em caso de ilegalidade e inclusive de não usar os seus serviços. Mas não posso, evidentemente, sair por aí destruindo as suas instalações, agredindo seus funcionários. São as regras de convivência, sem as quais o caos se estabelece.
É óbvio que quando se protesta excessos daqui e dali são previsíveis e numa certa medida devem ser tolerados. Até onde a corda pode ser esticada faz parte do jogo.

Portanto, faz parte do jogo pressionar esse ou aquele veículo para que retrate determinados pontos de vista, abra espaço para que essa ou aquela corrente de pensamento se expresse. E existem muitas formas de pressão sem que para isso sejam estabelecidos controles legais, onde se obrigue a imprensa a noticiar determinados fatos, ainda por cima com a interpretação e análise ao gosto do grupo que estiver gerando a notícia. Isso nos conduz a ditadura pura e simples

As mídias digitais, entendidas aqui, como cidadãos sem vínculos com os veículos tradicionais, munidos apenas dos seus smartphones são um elemento importante na cobertura de qualquer evento. Forçam, pelo seu testemunho, a imprensa a se ater a verdade dos fatos, pode contesta-la, ampliam a informação, mas não substituem a atividade do profissional da notícia. A sua visão é parcial, particular e comprometida com suas crenças e posicionamentos. Nada contra. Está apenas ocupando o seu quadrado. E é importante, forçando uma novo olhar, uma nova perspectiva sobre o que acontece.

Já grupos como o Mídia Ninja, que se pretendem organizados e alternativos aos veículos tradicionais, não tem nada de divulgadores de notícia, de informação isenta, como muitas vezes alardeiam e isso, na minha opinião, não tem nada demais. Estão ali posicionados como elementos de uma determinada facção, determinados a exporem apenas um ponto de vista. Assim denunciam a violência policial e silenciam quando veículos de emissoras são incendiados e jornalistas profissionais hostilizados. Até aí entende-se. Mas começa a ficar difícil quando querem ser apresentar como a “verdadeira imprensa” e tentar convencer que a sua forma de ver a notícia é a única correta.

A existência da mídia digital, a possibilidade de qualquer cidadão registrar fatos e emitir a sua opinião, divulgando-os para um universo significativo de pessoas, deve ser saudada e estimulada, pois com isso se amplia a visão dos fatos, agrega-se diversidade, desestimula-se o autoritarismo e o samba de uma nota só.
A mídia tradicional e a sociedade vai aprender a conviver com isso.

Quanto a mídia tradicional o melhor que se tem a fazer é permitir que mais veículos – que expressem em suas opiniões a diversidade – possam existir. O caminho de cercear os que já existem é burro, prejudica a democracia, e nos conduz ao mudos das trevas e da ignorância.