domingo, 31 de janeiro de 2016

Onde estão as forças que podem mudar o País?


Qualquer pesquisa sobre a história republicana do Brasil nos revela, que sempre houve grupos e/ou dirigentes, prontos para substituir os que estavam falhando na condução do Estado, em momentos críticos.  Como bem destaca, Sérgio Fausto*, em recente artigo publicado no Estado de São Paulo, é verdade, também, que nem sempre os resultados foram os melhores, como no golpe de 64, mas sempre as forças sempre estavam ali, presentes e dispostas a assumirem a tarefa, aliando-se, inclusive, muitas das vezes com grupos dissidentes do governo fracassado.

Não se trata aqui da discussão sobre “golpe”, impeachment ou qualquer coisa do gênero a respeito do governo da presidente Dilma. O que se constata é a dificuldade de se encontrar, distinguir, vislumbrar, qualquer coalizão de forças  capaz de contrabalançar as propostas do atual governo, que – noves fora o pessoal da torcida organizada – não possui nenhuma condição para propor e conduzir uma mudança nos rumos do País.

A bem da verdade, ainda que as propostas governistas não sejam das melhores, pelo contrário, ele até vem propondo, tropegamente, o que acredita serem soluções, enquanto do lado da oposição, o que temos é – basicamente – a critica ao que vem sendo proposto e nada mais.

Forças dispares,mas unidas por um País melhor
A classe política nunca esteve tão desacreditada e, com o desaparecimento das lideranças que surgiram ou se consolidaram na luta contra a ditadura, não se encontra ninguém quem os tenha substituídos a altura. Mas a escassez, como ressalta Sérgio Fausto, não está restrita ao mundo político. Líderes como Antônio Ermírio de Moraes, Paulo Evaristo Arns, Helder Câmara, Ulysses Guimarães, Tancredo, o próprio Lula... e muitos outros foram substituídos por quem?

Antes que comecem: é claro que existem lideranças, mas nada do porte de outras que podem ser encontradas ao longo da nossa história.  O ambiente político não favorece o surgimento de novas lideranças e as explicações para isso são muitas.

Em primeiro lugar a participação política se tornou menos atraente nos últimos tempos.
Participação popular diminuiu
Grandes empresários prefeririam outros caminhos para se relacionarem com o Estado. E deu no que deu. Lideranças de esquerda “descobriram e se encantaram” com as benesses proporcionadas por um governo aparelhado. Quadros da elite intelectual e científica, preferiram o caminho que leva ao setor privado e, quando muito, ao terceiro setor.

Além de outros motivos, temos recentemente o fortalecimento da ideia de que qualquer ação ou participação na política significa mergulhar em um universo “sujo”, povoado exclusivamente por corruptos. Ora direis, mas a corrupção sempre existiu. Sim é verdade, mas nunca tão escancarada como agora, nunca esteve tão arraigada no imaginário da população, independentemente de classe econômica ou formação intelectual.

O problema é que se não surgem essas lideranças, pessoas ou grupos representativos da sociedade que assumam o protagonismo, que se mostrem dispostas a formar uma nova coalizão de forças capazes de mudar os rumos do País, estaremos entregues a esses figurantes,  atores de baixíssima categoria, incapazes de escrever, cumprir, participar, atuar dentro de um outro roteiro, que nos conduza a um tempo de prosperidade e progresso (sim, eu sei, existem as exceções, mas não são fortes o suficiente para aglutinar as forças necessárias para a verdadeira mudança que precisamos).

Que venham, logo, que surjam o mais rápido possível. E o que podemos desejar. E que não demorem a aparecer.

* Sérgio Fausto é superintendente do iFHC, colaborador do Latin American Program do Baker Institute of public Policy da Rice University e membro do Gacint-USP.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PAULISTAS E CARIOCAS QUEREM DEIXAR SUAS CIDADES.



Sete em cada 10 paulistanos mudariam de cidade se pudessem. Os dados são de uma pesquisa do Ibope, feita  entre os dias 30 de novembro e 18 de dezembro de 2015 e divulgada pelo Estadão no último dia 20.


Dos 169 itens avaliados, com notas que podem variar de 1 a 10, 89% ficaram abaixo da média da escala. As áreas com maior insatisfação estão, entre outras, na infância e adolescência transporte e trânsito, acessibilidade para pessoas com deficiência, segurança, assistência social, desigualdade social, transparência e participação política.


Bombeiros, Correios e Igreja, nessa ordem lideram o ranking das instituições com maior confiança da população.


No Rio, descrença quanto ao futuro


No Rio, outra pesquisa detectou que o sentimento de orgulho do carioca de morar na cidade vem diminuindo nos últimos anos. Em 2015, a soma das notas de 7 a 10 dadas para esse sentimento foi de 43%, enquanto em 2013 esse percentual foi de 63%. 

Caiu a percepção de melhora na qualidade de vida do morador. Nesse ano, só 31% afirmam ter melhorado sua qualidade de vida, enquanto em 2013 eram 51%. Pela primeira vez nas deste que a pesquisa é realizada, um número maior da população afirma ter reduzido a qualidade de vida ao invés de ter melhorado. 

Aumentou, num fenômeno semelhante ao detectado em São Paulo, o percentual de moradores que sairiam do Rio de Janeiro se pudessem. O motivo principal para esse desejo é a violência. As expectativas com relação ao futuro também diminuíram: só 25% da população se sente otimista com relação ao futuro da cidade.
 
Pessimismo nacional


Essas pesquisas vão de encontro a uma outra, também do Ibope e do instituto Win, onde os brasileiros, até pouco tempo campeões mundiais do otimismo, passaram ao primeiro lugar em pessimismo.

As causas estão ligadas, direta ou indiretamente à crise econômica, financeira e política. Os brasileiros temem perder seus empregos, os que estão desempregados não tem esperança de voltarem ao mercado de trabalho, não acreditam que o país sairá tão cedo das dificuldades em que está enredado e com isso, as suas cidades, antes acolhedoras, passaram a ser vistas como lugares para serem abandonados.

Isso parece mais crível quando olhamos as pesquisas através da aurbanista e professora da FAU, a arquiteta Regina Maria Meyer. Ela recomenda mais cuidado na leitura dos dados. E pondera, que os paulistanos e outros que residem em grandes cidades, asssim o fazem atraídos pelas oportunidades de trabalho, de educação, de lazer etc. E adverte que apesar da visão idílica que temos das cidades menores, ainda que um tanto verdadeiras, é preciso considerar que muitos levantamentos sobre essas cidades são desalentadores, com problemas de drogas e seguranças, dos quais nem as comunidades indígenas escapam. Acho, diz a arquiteta, que essas pesquisas revelam um lamento e uma acusação pela falta de opção real.

CAEM AS VERBAS DE COMBATE AO AEDES, CRESCEM OS NÚMEROS DA EPIDEMIA.


Ainda que o volume de recursos extras para a vigilância tenha aumentado, o valor geral para o combate ao aedes aegypti caiu. Um exemplo da escassez de recursos está nas 40 cidades do Estado de São Paulo que cancelaram o Carnaval para destinar os seus poucos recursos ao combate do mosquito.

Aedes, avanço por mais de 20 países
Os municípios reclamam da falta de auxílio emergencial diante da possibilidade do aumento da epidemia neste ano, que – acredite se quiser – ainda não chegou ao período crítico de transmissão.  Para o presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose, Arthur Timerman, em entrevista recente aos jornais, diante da situação emergencial de surtos de dengue e zika, a verba extra deveria ser ampliada. “Essa redução orçamentária é calamitosa. A situação é dramática e este é o momento de empenhar todo o esforço, possível”,  afirma.

A realidade confirma o alerta do especialista. Os casos de microcefalia, já chegam perto dos 4 mil e a Fiocruz, já projeta nada menos que 16 mil casos para este ano. O cenário que se desenha é da chegada de uma geração de bebês que vão precisar de atenção especial, e intensa, durante toda as suas vidas, isso, sem levar em conta a assistência necessárias às suas famílias, num dos mais graves problemas de saúde pública já enfrentados pelo Brasil. Por enquanto, tudo o que essas famílias vão receber, se comprovadamente de baixa renda, será um salário mínimo mensal. Mas além do que já está sendo apelidado de "bolsa mosquito", o que essas famílias vão precisar vai muito além dos trocados governamentais. Elas vão precisar de apoio especializado, pelo resto da vida desses bebês, coisa que, sabemos, o sistema público de saúde está bem longe de oferecer.

O zika já circula em pelo menos 20 países, o que confirma a suspeita dos especialistas sobre a sua extraordinária capacidade de infecção, muito mais rápida do que outras doenças (virus).

No Brasil, o Sudeste é agora um foco de grande preocupação. Acredita-se que nas regiões Norte, e principalmente Nordeste, boa parte da população já estaria imunizada, por ter enfrentado uma epidemia no ano passado, mas isso não aconteceu no Sudeste, onde os casos devem aumentar, este ano, com a chegada do verão.

Além da microcefalia, de constatação mais óbvia, o zika vírus está associado também a outras doenças, que já estão sendo diagnosticadas em número cada vez maior, como a Síndrome de Guillain-Barré (SGB, autoimune, que provoca uma paralisia progressiva nas pessoas afetadas) e outras, para as quais o zika abre as portas, entre elas a encefalite, meningite, neurite óptica (inflamação no nervo ótico) e encefamielite aguda disseminada. Já se fala, também de outras, como a miosite, que já fez a sua primeira vítima fatal.

Charge de Leônidas, publicada na revista O Malho
no início do século XX, mais precisamente em 1904


É o caos em termos de saúde pública e não temos nenhum Oswaldo Cruz, com a audácia e a coragem para enfrentar o problema de frente, como foi feito há décadas. É verdade que não enfrentaremos nenhum “revolta da vacina”, como aconteceu em 1904, mas a letargia governamental e a ignorância da população, que não se engaja no combate, pode nos honrar, nesta década, com uma das piores epidemias já sofridas pela humanidade.
Por conta do aedes o Brasil está de volta, também, as manchetes internacionais. A Organização Mundial da Saúde já vê o país como o "ground zero" de uma pandemia. O vírus já chegou a Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Paraguai, Venezuela e México, na América Latina e já existem casos registrados nos Estados Unidos e na Europa. Já são 24 países e territórios atingidos. Imagina-se que 4 milhões de pessoas podem ser infectadas no continente americano, só neste ano; 1,5 milhão só no Brasil.

Uma das coisas que já se sabe é que o tal aquecimento global, cuja existência muita gente duvida, também influencia na proliferação dos mosquitos mundo afora. E que outros vírus estão na fila e não dá para saber qual será o próximo, segundo o virologista Paolo Zanotto.  Nas regiões mais frias (o Sul e o Sudeste no Brasil) o mosquito tem um ciclo de vida menor, mas isso não impede, graças ao aumento das temperaturas, o surgimento de surtos.

E aqui, ao que tudo indica, o grande tema são as declarações açodadas do ministro da Saúde, desmentidas e depois confirmadas pela presidente, que também ainda não entendeu a dinâmica da proliferação, dando conselhos erráticos sobre o combate e confundindo ovos com vírus. Falta-nos, sem dúvida um Oswaldo Cruz. Enquanto isso é fazer o combate individual ao mosquito, pressionar da forma que for possível, as autoridades e, como convém sempre aos brasileiros, rezar.
 



EM 2016 VAI SOBRAR PROS PREFEITOS


As eleições de 2016 estão se aproximando, com novas regras e um eleitorado definitivamente de mal humor e descrente do que os candidatos, a vereador e principalmente a prefeito, podem oferecer. E, ao que tudo indica, a maioria dos “pré-candidatos” ainda não se deu conta do que vão enfrentar neste pleito.

Difícil encontrar um eleitor que tenha votado recentemente por convicção e com entusiasmo em algum candidato. Sim, estamos falando da maioria do eleitorado e excluindo, pela sua insignificância, as torcidas organizadas.  Já faz um bom tempo em que os eleitores vão, obrigatoriamente, às urnas, tomados pelo descrédito, a desconfiança e o ceticismo. Muita gente tem votado em uns e outros pelo medo de perder alguma conquista ou em busca de alguma recompensa concreta. O “Eu” predomina em detrimento do “Nós”.

Nas próximas eleições os candidatos vão se deparar com um eleitor que vai decidir o seu voto em função da economia e da sua capacidade de consumo.  Ao encarar qualquer candidato a pergunta que vai orientar a possibilidade do voto é”:  o que EU ganho com isso ou com ele? As benesses do passado recente batem na porta do eleitorado de fatura na mão e não há dinheiro para pagar e muito menos crédito para rolar a dívida. E o que prefeitos e vereadores tem com isso? Não importa, todos vão pagar o pato.

PREFEITOS NA LINHA DE FRENTE DA INSATISFAÇÃO

Vão pagar o pato simplesmente porque são os primeiros na fila dos avaliados nas urnas, em pleno epicentro da crise. Como se não bastasse os cofres das prefeituras estão vazios e ninguém vai acreditar em propostas mirabolantes.  Teoricamente este quadro favorece os opositores das atuais administrações. Mas vai depender muito do que a “oposição” tenha a oferecer e mais que isso, que suas propostas tenham um mínimo de credibilidade. Conseguirão dizer a verdade, nua e crua, para o eleitorado?

Uma outra pergunta, extremamente cínica, mas realista é: será que os atuais prefeitos que podem se reeleger querem mesmo vencer? Seja lá como for estão com uma imagem solidificada junto à população. Por pior que seja sempre pode piorar, com uma nova administração, sem dinheiro, e com um eleitorado (população) cada vez menos condescendente. E pode terminar fazendo a aquela velha opção: ruim com ele (ela) pior com...?

Seja como for, ou como é quase sempre, os candidatos – que já se apresentaram ou que apenas
manifestaram desejo – parecem mais alienados do que de costume. Já passou a hora de se apresentarem e iniciarem uma conversa direta e franca com o eleitorado. Promessas e truques de propaganda/marketing não vão funcionar nessas eleições. As últimas eleições presidenciais foram ao extremo do didatismo. Realidades cor de rosa e promessas mirabolantes, isso sem contar com o aperto das novas regras, não entusiasmarão nenhuma parcela do eleitorado.

A única saída possível é a trivial e antiga recomendação, que exclui qualquer coelho tirado da cartola: comece agora a campanha. Mas comece sendo honesto (e não estamos falando de dinheiro). Seja claro. Diga a verdade. Só prometa o que pode fazer de verdade. E acima de tudo converse exaustivamente com os eleitores. O que eles desejam dos próximos vereadores e principalmente dos prefeitos certamente irá surpreender.

domingo, 24 de janeiro de 2016

TORRAR AS RESERVAS CAMBIAIS UMA PÉSSIMA IDEIA


Os grandes gênios do bolivarianismo, noves fora o nada bobo, Evo Morales, presidente da Bolívia, conseguiram, ou estão no bom caminho para isso, acabar com as economias dos seus países. A Venezuela praticamente já torrou todas as suas reservas, sem que qualquer avanço fosse conseguido, pelo contrário, hoje a Venezuela ostenta os inacreditáveis índices 720% de inflação anual, um recorde mundial.

Por isso assusta quando a nossa presidente admite, ainda que como “hipótese”, usar as reservas cambiais.  “Eu não acho adequado fazer isso agora. Não é sagrado isso. Tem momento em que isso possa vir a ser colocado como uma hipótese. Nós não temos fuga de capital. Nós não temos fuga financeira”, justificou a presidente.

Tomara que, seja lá o que quis dizer a mandatária, a ideia não passe de mesmo uma hipótese, daquelas que após uma rápida análise são descartada sumariamente. Afinal, não se conhece a história de nenhum país, queimando as suas reservas cambiais, tenha se dado bem, obtido algum êxito na correção dos rumos das suas economias. Todos que ser arriscaram nessa "hipótese" tiveram como único resultado um conhecimento profundo do fundo do poço

Vamos rezar para tudo não passar mesmo de um hipótese, daquelas que, após uma aligeirada avaliação, são de pronto descartadas.

POR QUE OS ELETRÔNICOS PARA VESTIR NÃO COLARAM?


Confesse: quantas vezes você não esteve prestar a comprar, ou terminou comprando, uma daquelas
geringonças eletrônicas, chamadas “vestíveis” e terminou se arrependendo? Com certeza, aquela que você comprou por impulso, hoje habita o fundo de alguma gaveta, passados os primeiros momentos de euforia com o novo brinquedo.

As previsões, incluindo aí as de especialistas, eram que os “vestíveis” haviam chegado para ficar e que gerariam milhões de dólares para seus fabricantes. Quem não lembra do Google Glass, dos relógios da Apple, e mais recentemente, os da Samsumg e a startup Pebble? Pulseiras, relógios, óculos, sutiãs, camisas, tênis etc., estavam previstos para “bombar” e se tornarem produtos convencionais até, no máximo, 2018, mas tiveram todas as suas previsões adiadas, as mais otimistas, para 2019.

As explicações para o “fracasso” atual dos vestíveis, estão, em primeiro lugar, na dependência das geringonças com os smartphones. O consumidor passaria a usar dois aparelhos, o que deve ter feito muito gente optar, simplesmente, por mais um aplicativo, dentro dos seus smartphones mesmo.  Como se não bastasse, apesar dos esforços, a maioria absoluta deles são feios. E mais: todos perceberam que se tratava de uma tecnologia que não parece estar completamente pronta. Falta sempre uma coisinha ou outra. Mas são coisinhas, capazes de esfriar o ânimo dos consumidores, por mais nerds que eles sejam.

Mas ao que tudo indica, a principal barreira mesmo é o preço. Um relógio inteligente, que por sinal não é tão inteligente assim, custa aproximadamente o mesmo que um smartphone de ponta e não faz nada melhor, pelo contrário, que eles. Então, para que duplicar o número de geringonças a carregar que tem, a rigor, as mesmas funções?

Mas, se você é daqueles que vive sonhando com os novos aparelhinhos, não se desespere. Todas as empresas continuam investindo pesado nos vestíveis e, em futuro próximo, eles devem superar as barreiras e se tornarem o xodó dos nerds, como você, espalhados por todo o planeta.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

PESQUISAS ONLINE ESTÃO BOMBANDO


As pesquisas online estão bombando no Brasil. O pessoal de política ainda não descobriu o potencial, mas quem lida com opinião pública, produtos e serviços já aderiu, inclusive os grandes institutos, como o Ibope, por exemplo, que já tem uma divisão, o CONECTAi, dedicada exclusivamente ao universo online.

Vários institutos, além do Ibope com a sua divisão específica, voltaram os olhos para as pesquisas online, muito mais baratas e mais rápidas que as offline. Hoje, além das quantitativas, é possível realizar qualitativas com muita interatividade entre os participantes, moderadores e clientes. No mundo corporativo elas ganham cada vez mais espaço, mas na área política ainda existem muitas barreiras a serem derrubadas.

Os atores políticos ainda não se deram conta das vantagens proporcionadas pelas pesquisas online, principalmente na descoberta do que pensam (opinião) dos eleitores, sobre inúmeros assuntos (sim, as pesquisas online permitem questionários mais longos e mais opinativos) extremamente úteis para o planejamento das campanhas e identificação de "causas" que estão na ordem do dia da população.

Só no ano passado foram mais de 250 pesquisas realizadas pelo CONECTAi do Ibope. Uma delas, divulgada no mês passado, revela quais são os aplicativos mais usados pelos brasileiros.  Além das chamadas "redes sociais", a pesquisa ampliou para aplicativos bancários e de aluguel de filmes e jogos, entre outros. Outra área, o mundo digital, que também está merecendo mais atenção dos atores políticos. Na pesquisa, o WhatsApp foi o campeão, com o Facebook, em segundo lugar (veja no gráfico abaixo).

















No Natal, as pesquisas online do Ibope, anteciparam, por exemplo, o comportamento dos consumidores. Descobriram que os brasileiros gastariam menos em 2015 e foi o que aconteceu. Pesquisas posteriores, e dados das associações dos lojistas, confirmaram que este foi o pior natal dos últimos 10 anos.

Institutos, que costumam ter políticos e partidos em suas carteiras de clientes, já despertaram, também, para as pesquisas online. A Perfil Urbano & Expressão e Cristina Pacheco Mercado e Opinião, já incluem as pesquisas online nos seus portfolios.

Segundo Cristina Pacheco, CEO do instituto que leva o seu nome, "as pesquisas online devem ocupar cada dia mais espaços na área do marketing político, mas é preciso ainda muito trabalho de convencimento, sobre as suas vantagens, para que os clientes da área de MKP, comecem a utilizá-las com mais frequência".

Cristina, no que concorda Ana Carla de Sá, da Perfil Urbano, não acredita numa substituição pura e simples das pesquisas offline pelas online, preferindo apostar em uma convivência entre elas. A escolha vai depender ainda das necessidades específicas de cada cliente, seus produtos e objetivos, mas as pesquisas online vieram para ficar, acreditam as pesquisadoras.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

BRASIL LIDERA PESSIMISMO MUNDIAL


O Brasil, que até pouco tempo era líder mundial em otimismo, mudou. Hoje o nosso pessimismo é duas vezes maior que o registrado mundo afora. A média mundial é de 16% (os que acham que 2016 será pior que 2015). No Brasil são 32%.  A pesquisa, em 68 países, é da rede WIN, em parceria com o Ibope, que coletou os dados no Brasil, divulgada no jornal Estado de São Paulo.

A bem da verdade a maioria (50%) ainda acredita que este ano será melhor do que 2015, abaixo, no entanto, da média mundial (54%), mas o pessimismo vem crescendo significativamente, ano a ano. Em 2011 eram apenas 6%. Em 2012 passou para 8% e em 2014 já chagava aos 26%, ultrapassando agora, a barreira dos 30%.

Os que acreditavam na melhoria das condições de vida recuou de 73% em 2011 para 57% em 2014 e para 49% em 2015. Agora são 50%.

A conclusão é óbvia: o sentimento positivo com relação ao futuro está estagnado, enquanto o pessimismo sobe velozmente e que o problema que mais aflige os brasileiros, neste momento, é a economia.

Isso fica evidente quando se constata a redução do número de participantes das classes de consumo. As A e B, que eram 30% da população há dois anos, passaram para 23% em 2015. A classe C caiu de 54% para 50%, enquanto as D e E, onde estão os mais pobres, registraram um aumento expressivo, de 27% em 2015 contra os 16% de 2014. Ou seja, gente que estava melhorando de vida, está agora, andando para trás.

Em outras palavras, 1 em cada 5 brasileiros mudou de classe de consumo. Para baixo.

Roberto de Toledo, em sua coluna no Estado de São Paulo, usa uma metáfora interessante para interpretar os números da pesquisa, que divulgou em primeira mão. Segundo ele, “na perspectiva do copo meio cheio, pode-se dizer que o brasileiro é, antes de tudo, um otimista”.  Mesmo sofrendo reveses, um atrás do outro ainda acredita que as coisas podem melhorar. Já do ponto de vista do copo meio vazio, “pode-se projetar que o desastre de opinião pública é questão de tempo”.  O aumento acelerado do pessimismo, que rapidamente se transforma em mau humor, será impulsionado pelos dois terços que andaram para trás no ano passado, no momento em que perceberem que não conseguem recuperar o térreo conquistado.

Daí, pode-se esperar, com certeza, algo mais que pessimismo. E mau humor da população é coisa para ser levada a sério, pois costuma ser explosiva, mesmo para os costumeiros cidadãos cordatos deste meu Brasil varonil.

sábado, 16 de janeiro de 2016

INTERNET, DEMOCRACIA E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES II


Em post anterior comentamos sobre a mudança de hábitos, constatada no eleitorado, que – cada vez mais – vai deixando de lado as conversas cara a cara com as pessoas do seus círculos familiares, de amizades e profissional para se informar e decidir sobre o voto, através dos chats, digitados nos seus celulares, tablets e computadores.

Brasil: novos hábitos para decidir o voto
Aqui, vamos falar um mais um pouco  da cultura digital, cada vez mais comum, e dos “bombardeios políticos nas redes sociais”, na expressão de José Roberto de Toledo, em sua coluna no jornal Estado de São Paulo (14/01), onde analisa recente pesquisa do Ibope sobre os novos hábitos dos brasileiros relacionados ao debate político e a decisão sobre o voto.

Além dos dados analisados no post anterior, onde se constata que no decurso de apenas duas eleições o número de pessoas, que consideravam importante o diálogo face to face, saiu dos 47% para apenas 23%, vale lançar os olhos sobre outra pesquisa, esta internacional, feita pelo também pelo Ibope, em parceria com a rede de institutos Win, que reforça a importância dos meios digitais na formação da opinião pública no Brasil. Nada menos que 87% dos internautas brasileiros disseram, nessa pesquisa, que usaram o Facebook, Twitter ou WhatsApp, nos últimos 12 meses, para ler sobre temas políticos ou sociais, no que seria a maior taxa das Américas.

Marcia: lembra do pouco tempo nas próximas eleições
Com isso, fica mais que evidente, como ressalta Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, à coluna de Toledo, a necessidade dos atuais pretendentes aos cargos de prefeito e vereador, começarem já as suas campanhas. Cavallari lembra que "serão apenas 45 dias de campanha, autorizada na TV e só 35 com horário gratuito eleitoral, o período mas curto em décadas". Isso sem levar em conta, como lembra Toledo, a atenção dividida com a Olimpíada no Rio de Janeiro, desviando a atenção do público até o meio de agosto, pelo menos. Com tudo isso, o candidato que esperar apenas a TV entrar em campo para pedir votos vai sair em desvantagem.

Outra coisa que se deve levar em conta, observada também pelo colunista, é que – enquanto a campanha eleitoral, concentrada na TV, via debates, programas e spots publicitários, tem um “time” definido – a comunicação digital é permanente. Faz parte do dia a dia. Além de ser sub-reptícia e praticamente impossível de controlar e fiscalizar.

Os políticos, precisam enfrentar esta realidade (a maioria ainda mais para analógica), e encarar a escassez de recursos, nas próximas eleições para prefeito e vereador. Usar a internet e os seus mais variados meios é muito mais barato, que utilizar com eficiência o instrumental necessário para uma boa campanha off-line. Para ficar num só exemplo, citado inclusive por Toledo, na coluna, cada disparo para um milhão de celulares sai por cerca de 10 mil dólares, algo em torno dos 40 mil reais, atualmente. E o melhor é que podem ser disparados do exterior, são difíceis de rastrear e podem sumir, com a maior tranquilidade, da contabilidade oficial.

Marta Suplicy, pré-candidata do PMDB à prefeitura de São Paulo, aborda, sob outro ângulo a importância do mundo digital na política, em artigo publicado na Folha de São Paulo (15/01). Marta vê com bons olhos a novidade, mas ressalta, no entanto, que “apesar das redes sociais oxigenarem a democracia representativa, elas não se sobrepujarão sobre a democracia assentada nos partidos políticos”.

Marta:"investindo na democracia digital
Para a senadora o ideal é que haja “uma convivência, uma articulação positiva, jamais qualquer subordinação, entre a velha política partidária e o contemporâneo ativismo civil nas redes sociais”. Marta acredita ainda que a cidade de São Paulo, nas próximas eleições, venha a ser “um bom laboratório” para o que ela chama de “política 2.0” e faz um apelo: “Vamos acreditar e investir na democracia digital”.

Marta, nessa questão, como em muitas outras, está à frente da maioria dos seus colegas, mas os políticos, se quiserem obter algum êxito, daqui pra frente, vão ter que se deparar e se entender com o mundo digital. E não vai demorar muito. Basta lembrar os números constatados pelo Ibope no espaço de apenas duas eleições. Quem sobreviver verá.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

INTERNET, DEMOCRACIA E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES I



Definitivamente o boca a boca está perdendo espaço na política, na decisão do voto.

Segundo pesquisa do Ibope, publicada na coluna de José Roberto Toledo, no Estadão (14/01), as conversas com amigos e parentes caíram à metade na hora de escolher candidato, enquanto as interações digitais foram multiplicadas por seis.

A constatação dessa mudança está expressa também em artigo de pré-candidata a prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy,(15/01) na Folha de São Paulo, em que afirma estar se processando “uma verdadeira revolução no processo político contemporâneo”. “As pessoas, jovens especialmente, manifestam-se e influenciam os processos decisórios da sociedade, mas o fazem, porém, longe dos canais partidários”, afirma a senadora.

A opinião da Marta fica mais interessante quando comparada à prática dos nossos políticos, definitivamente analógicos. Ainda que a presença dos mesmos na internet tenha crescido extraordinariamente nos últimos anos, essa presença, no entanto, é feita de maneira improvisada, esporádica e basicamente centrada no próprio umbigo.

Os políticos, de modo geral, ainda não entenderam o potencial e as especificidades da rede. Um dos maiores erros é a falta de interação com seus “seguidores” e o distanciamento das questões do dia a dia, que afligem a população de uma forma geral. Falam sobre suas proezas e do seu métier e muito pouco, ou nada mesmo, do que interessa de fato às pessoas.

Ninguém ainda descobriu os limites dessa política 2.0 que inunda as redes sociais”, diz com toda razão Marta, em seu artigo. “Alguns a saúdam, por enxergarem nela uma superação do velho regime republicano, representativo, baseado na eleição de vereadores, deputados, senadores. Outros enxergam nela apenas um modismo, que mobiliza as pessoas, mas jamais conseguirá sobrepujar a democracia assentada nos partidos políticos”.

Quem aposta só no modismo tende a ficar para trás, como fica claro na pesquisa realizada pelo Ibope. Em 2008, apenas duas eleições municipais atrás, 47% do eleitorado afirmava que o diálogo presencial  com as pessoas do seu círculo familiar, de amizades e profissional era muito importante para a coleta de informações e o seu processo decisório sobre em quem votar, informa Toledo em sua coluna.  Mas em dezembro de 2015, essa taxa caiu para apenas 22%, um pouco menos da metade.

Paralelamente, segundo a mesma pesquisa, as consultas a sites na internet aumentou consideravelmente. Foi de 3% para 14% o percentual de brasileiros que cita este meio para obter informações sobre o processo eleitoral. Redes sociais como o Facebook, WhatsApp e Twitter, praticamente ignoradas em 2008, hoje são acessadas por cerca de 5% da população.

Se consideramos, como enfatiza Toledo, que a propaganda eleitoral oficial é citada por 19% como fonte de informações, temos aí um empate na relevância dos meios: (5% - redes sociais + 14% - sites), bem próximas das conversas com amigos e parentes (22%) e com o rádio (18%).

Apesar de tudo a TV ainda continua liderando, com 48% em 2008 e 51% em 2015 (vale lembrar aqui, o momento especial da última eleição presidencial, onde o vale-tudo incluiu até mesmo a morte de um dos candidatos bastante promissores e o aumento da competitividade dos candidatos oposicionistas).

A TV ainda requer um olhar mais atento: nas cidades com até 500 mil habitantes, ela é citada como a principal fonte de informação por 41% dos eleitores, contra expressivos 60% naquelas que possuem mais de 500 mil habitantes. Toledo acredita que a explicação estaria na ausência dos telejornais, nos municípios menores, onde o rádio cresce de importância (23% contra os 16% nas grandes cidades) e o boca a boca ainda é o segundo meio mais influente com 28%.

Os jornais e revistas continuam lá na rabeira, oscilando de 12% para 10%.

O certo é que apesar dos meios tradicionais ainda terem uma forte influência sobre a decisão do voto, a internet, os meios disponíveis na internet avançam aceleradamente, como fontes de informação, palcos de discussões e proporcionando elementos importantes para uma tomada de decisão na hora do voto.

A Marta em seu artigo, acredita que o “x da questão” está em saber se  “os partidos políticos conseguirão renovar seus métodos para conversar com essa sociedade engajada e suas organizações independentes e livres ou estarão fechados para esta agenda da contemporaneidade”.

Um bom sinal é que pelo menos alguns políticos, como a Marta, já estão começando a ver a importância da internet para o marketing político e eleitoral. Abrir-se para o que acontece no mundo digital será salutar para a democracia e o aperfeiçoamento do processo de escolha dos nossos representes. Amém.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

LÁ VEM AS MONTADORAS ATRÁS DE UMA BOQUINHA (MAIS UMA)


As montadoras, assustadas com a queda na compra de veículos novos, estão atrás do governo em busca de mais uma "boquinha". A proposta prevê a retirada das ruas de carros com mais de 15 anos de uso e caminhões fabricados há mais de 30 anos. Parece bom, não é mesmo? O problema, como sempre, é de quem vai financiar o plano.

Montadoras: tudo por uma boquinha.
Para que isso aconteça seria criado um fundo que bancaria um bônus para o proprietário do veículo velho fazer a troca pelo novo, financiando a diferença com recursos de uma linha de crédito especial, oferecida por bancos públicos e privados.

Estima-se que isso geraria um consumo adicional de 500 mil veículos novos por ano. Claro que as montadoras também lembram – logo – da possibilidade de uma redução do IPI, coisa que já foi feita recentemente e essa política de estímulos voltada para setores específicos já mostrou no que costuma dar.

A pergunta que não quer calar é: as montadoras juntas, tem muita força econômica e – sem dúvida – muita gordura para queimar. Por que, então, não se unem (só de entidades ligadas ao setor são 19) e resolvem elas mesmas seus problemas? Criem um banco, ofereçam facilidades, crédito com juros mais baixos, invistam em produtividade, se virem como os demais setores da economia estão tentando se virar.

O que não se compreende, nem se pode aceitar, novamente, é que por influência política - e sei lá mais o que - mais uma vez a "viúva" tenha que fazer sacrifícios, ou seja o conjunto da população, para ajudar uma poderosa indústria. Sim, senhores, no momento em que os bancos oficiais e privados forem “chamados” a colaborar, vai diminuir a oferta de crédito, as taxas para outras atividades subirão e por aí vai.

Tá com peninha das montadoras? Compre um carro novo, de preferência de luxo.
Eu tô fora. Se virem.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

CLIENTES ESTÃO DISPENSANDO AGENCIAS E INDO DIRETO ÀS PRODUTORAS

Recentemente fui convidado por uma produtora, aqui de Sampa, para fazer uma análise de pesquisas e, como consequência, um planejamento para uma concorrência de um órgão público, nitidamente relacionada com atividades de uma agência de propaganda.

Por conta disso terminei por me deparar com uma tendência, creio que recente, em que – antes apenas intermediárias – as produtoras estão desenvolvendo trabalhos sob encomenda para o cliente final, principalmente as que estão voltadas para a produção de documentários e séries.

Para enfrentar a novidade muitas produtoras já possuem núcleos criativos, reforçados por ex-diretores de criação de agências.  Ainda que, em geral, esses núcleos se dediquem a construção de roteiros de séries para a televisão e filmes (segmento que hoje já se constitui na segunda fonte de renda das produtoras), o interesse de clientes em produzir conteúdos (branded content) criou uma nova demanda para os criativos das produtoras.

Por enquanto a questão ainda não é motivo para atritos entre agências e produtoras, já que não estariam “roubando” o papel das agências, de pensar em um posicionamento para as marcas.  As produtoras alegam que estão apenas numa área de produção de conteúdos que fogem do formato de publicidade, em sua maioria voltados para as redes sociais e meio específicos como as TVs de bordo das empresas aéreas, por exemplo.

É um assunto que ainda vai render pano pra muita manga.


Em matéria sobre o assunto, publicada na página de Mídia & MKP do Estadão, a Associação Brasileira de Agências de Propaganda – ABAP, eximiu-se de comentar o assunto. E, via-se claramente, no depoimentos dos executivos das produtoras, uma tentativa de evitar confrontos, tentando classificar os trabalhos, que fazem diretamente para os clientes, como material alheio as agências.

No caso da produtora que me contratou, o estratagema para participar de uma concorrência pública foi mais claro: associou-se a uma agência de propaganda, dividindo com ela os resultados. Mas este certamente não será o caminho trilhado pela maioria das produtoras e é muito tênue a diferença entre as atribuições de uma e de outra. É comentado no mercado, por exemplo, o fato de uma produtora, depois de ter entregue a agência o trabalho encomendado (um filme para TV) sugeriu ao cliente um documentário, como peça completar, a ser divulgado nas redes sociais. A pergunta que ficou no ar: deveria a produtora ter sugerido a agência? Foi legal tê-lo feito diretamente, ainda que considerando que não se tratava de um trabalho especifico de agência?

Ou seja, nada muito claro no mercado e certamente está criada uma saia justa, principalmente quando se sabe que boa parte, a maior parte na verdade, do faturamento das produtoras vem das agências.

QUANDO CHAMAR ALGUÉM DE FASCISTA É BOM SABER DO QUE SE TRATA


Como ultimamente tornou-se lugar comum chamar uns e outros de fascista, não importa se à esquerda ao à direita, faço aqui minha colaboração para uma melhor compreensão do epiteto. Assim todos poderão enxovalhar-se em um nível... digamos assim, mais erudito.

Mussolini e Hitler, os mais radicais.
Um governo fascista e por consequência os seus admiradores e militantes, é – em sua essência, totalitário, pois desconhece limites para seu poder. É, deixemos claro, uma ditadura, mas baseada no princípio da liderança.

Permite, é verdade, a existência de algum mercado, mas controlado e devidamente atolado numa imensa burocracia. A economia é cartelizada e controlada por sindicatos.

O planejamento econômico é baseado no princípio da autarquia.

O governo se sustenta com gastos e empréstimos.
Os gastos são destinados, via de regra para as Forças Armadas, nomeadamente com fins imperialistas, mas existem exceções.

É possível destinar esses recursos para um aparelhamento da polícia política/interna, grupos paramilitares e afins. Os fins imperialistas podem também serem praticados através de alianças estratégicas com seus assemelhados e, em vez do uso simples da força, é possível exerce-los via pressões e políticas econômicas.

Excetuando-se as duas penúltimas definições dinheiro para forças armadas com fins imperialistas – mais ou menos) podemos encontrar exemplos de sobra na Latino América.
Antonio Salazar, os moderados.
Francisco Franco e
 Vale ainda ressaltar que para subir ao poder, os fascistas disputam eleições livremente, e logo começam com conchavos com empresários que aceitem trocar a livre concorrência no mercado por monopólios com o Estado.

Então é isso, da próxima que o caro leitor resolva chamar o nobre colega ou oponente de “fascista”, convém levar esses conceitos em conta, evitando assim “xingamentos” equivocados.