quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

BRASIL LIDERA PESSIMISMO MUNDIAL


O Brasil, que até pouco tempo era líder mundial em otimismo, mudou. Hoje o nosso pessimismo é duas vezes maior que o registrado mundo afora. A média mundial é de 16% (os que acham que 2016 será pior que 2015). No Brasil são 32%.  A pesquisa, em 68 países, é da rede WIN, em parceria com o Ibope, que coletou os dados no Brasil, divulgada no jornal Estado de São Paulo.

A bem da verdade a maioria (50%) ainda acredita que este ano será melhor do que 2015, abaixo, no entanto, da média mundial (54%), mas o pessimismo vem crescendo significativamente, ano a ano. Em 2011 eram apenas 6%. Em 2012 passou para 8% e em 2014 já chagava aos 26%, ultrapassando agora, a barreira dos 30%.

Os que acreditavam na melhoria das condições de vida recuou de 73% em 2011 para 57% em 2014 e para 49% em 2015. Agora são 50%.

A conclusão é óbvia: o sentimento positivo com relação ao futuro está estagnado, enquanto o pessimismo sobe velozmente e que o problema que mais aflige os brasileiros, neste momento, é a economia.

Isso fica evidente quando se constata a redução do número de participantes das classes de consumo. As A e B, que eram 30% da população há dois anos, passaram para 23% em 2015. A classe C caiu de 54% para 50%, enquanto as D e E, onde estão os mais pobres, registraram um aumento expressivo, de 27% em 2015 contra os 16% de 2014. Ou seja, gente que estava melhorando de vida, está agora, andando para trás.

Em outras palavras, 1 em cada 5 brasileiros mudou de classe de consumo. Para baixo.

Roberto de Toledo, em sua coluna no Estado de São Paulo, usa uma metáfora interessante para interpretar os números da pesquisa, que divulgou em primeira mão. Segundo ele, “na perspectiva do copo meio cheio, pode-se dizer que o brasileiro é, antes de tudo, um otimista”.  Mesmo sofrendo reveses, um atrás do outro ainda acredita que as coisas podem melhorar. Já do ponto de vista do copo meio vazio, “pode-se projetar que o desastre de opinião pública é questão de tempo”.  O aumento acelerado do pessimismo, que rapidamente se transforma em mau humor, será impulsionado pelos dois terços que andaram para trás no ano passado, no momento em que perceberem que não conseguem recuperar o térreo conquistado.

Daí, pode-se esperar, com certeza, algo mais que pessimismo. E mau humor da população é coisa para ser levada a sério, pois costuma ser explosiva, mesmo para os costumeiros cidadãos cordatos deste meu Brasil varonil.