segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

CAEM AS VERBAS DE COMBATE AO AEDES, CRESCEM OS NÚMEROS DA EPIDEMIA.


Ainda que o volume de recursos extras para a vigilância tenha aumentado, o valor geral para o combate ao aedes aegypti caiu. Um exemplo da escassez de recursos está nas 40 cidades do Estado de São Paulo que cancelaram o Carnaval para destinar os seus poucos recursos ao combate do mosquito.

Aedes, avanço por mais de 20 países
Os municípios reclamam da falta de auxílio emergencial diante da possibilidade do aumento da epidemia neste ano, que – acredite se quiser – ainda não chegou ao período crítico de transmissão.  Para o presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose, Arthur Timerman, em entrevista recente aos jornais, diante da situação emergencial de surtos de dengue e zika, a verba extra deveria ser ampliada. “Essa redução orçamentária é calamitosa. A situação é dramática e este é o momento de empenhar todo o esforço, possível”,  afirma.

A realidade confirma o alerta do especialista. Os casos de microcefalia, já chegam perto dos 4 mil e a Fiocruz, já projeta nada menos que 16 mil casos para este ano. O cenário que se desenha é da chegada de uma geração de bebês que vão precisar de atenção especial, e intensa, durante toda as suas vidas, isso, sem levar em conta a assistência necessárias às suas famílias, num dos mais graves problemas de saúde pública já enfrentados pelo Brasil. Por enquanto, tudo o que essas famílias vão receber, se comprovadamente de baixa renda, será um salário mínimo mensal. Mas além do que já está sendo apelidado de "bolsa mosquito", o que essas famílias vão precisar vai muito além dos trocados governamentais. Elas vão precisar de apoio especializado, pelo resto da vida desses bebês, coisa que, sabemos, o sistema público de saúde está bem longe de oferecer.

O zika já circula em pelo menos 20 países, o que confirma a suspeita dos especialistas sobre a sua extraordinária capacidade de infecção, muito mais rápida do que outras doenças (virus).

No Brasil, o Sudeste é agora um foco de grande preocupação. Acredita-se que nas regiões Norte, e principalmente Nordeste, boa parte da população já estaria imunizada, por ter enfrentado uma epidemia no ano passado, mas isso não aconteceu no Sudeste, onde os casos devem aumentar, este ano, com a chegada do verão.

Além da microcefalia, de constatação mais óbvia, o zika vírus está associado também a outras doenças, que já estão sendo diagnosticadas em número cada vez maior, como a Síndrome de Guillain-Barré (SGB, autoimune, que provoca uma paralisia progressiva nas pessoas afetadas) e outras, para as quais o zika abre as portas, entre elas a encefalite, meningite, neurite óptica (inflamação no nervo ótico) e encefamielite aguda disseminada. Já se fala, também de outras, como a miosite, que já fez a sua primeira vítima fatal.

Charge de Leônidas, publicada na revista O Malho
no início do século XX, mais precisamente em 1904


É o caos em termos de saúde pública e não temos nenhum Oswaldo Cruz, com a audácia e a coragem para enfrentar o problema de frente, como foi feito há décadas. É verdade que não enfrentaremos nenhum “revolta da vacina”, como aconteceu em 1904, mas a letargia governamental e a ignorância da população, que não se engaja no combate, pode nos honrar, nesta década, com uma das piores epidemias já sofridas pela humanidade.
Por conta do aedes o Brasil está de volta, também, as manchetes internacionais. A Organização Mundial da Saúde já vê o país como o "ground zero" de uma pandemia. O vírus já chegou a Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Paraguai, Venezuela e México, na América Latina e já existem casos registrados nos Estados Unidos e na Europa. Já são 24 países e territórios atingidos. Imagina-se que 4 milhões de pessoas podem ser infectadas no continente americano, só neste ano; 1,5 milhão só no Brasil.

Uma das coisas que já se sabe é que o tal aquecimento global, cuja existência muita gente duvida, também influencia na proliferação dos mosquitos mundo afora. E que outros vírus estão na fila e não dá para saber qual será o próximo, segundo o virologista Paolo Zanotto.  Nas regiões mais frias (o Sul e o Sudeste no Brasil) o mosquito tem um ciclo de vida menor, mas isso não impede, graças ao aumento das temperaturas, o surgimento de surtos.

E aqui, ao que tudo indica, o grande tema são as declarações açodadas do ministro da Saúde, desmentidas e depois confirmadas pela presidente, que também ainda não entendeu a dinâmica da proliferação, dando conselhos erráticos sobre o combate e confundindo ovos com vírus. Falta-nos, sem dúvida um Oswaldo Cruz. Enquanto isso é fazer o combate individual ao mosquito, pressionar da forma que for possível, as autoridades e, como convém sempre aos brasileiros, rezar.