segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PAULISTAS E CARIOCAS QUEREM DEIXAR SUAS CIDADES.



Sete em cada 10 paulistanos mudariam de cidade se pudessem. Os dados são de uma pesquisa do Ibope, feita  entre os dias 30 de novembro e 18 de dezembro de 2015 e divulgada pelo Estadão no último dia 20.


Dos 169 itens avaliados, com notas que podem variar de 1 a 10, 89% ficaram abaixo da média da escala. As áreas com maior insatisfação estão, entre outras, na infância e adolescência transporte e trânsito, acessibilidade para pessoas com deficiência, segurança, assistência social, desigualdade social, transparência e participação política.


Bombeiros, Correios e Igreja, nessa ordem lideram o ranking das instituições com maior confiança da população.


No Rio, descrença quanto ao futuro


No Rio, outra pesquisa detectou que o sentimento de orgulho do carioca de morar na cidade vem diminuindo nos últimos anos. Em 2015, a soma das notas de 7 a 10 dadas para esse sentimento foi de 43%, enquanto em 2013 esse percentual foi de 63%. 

Caiu a percepção de melhora na qualidade de vida do morador. Nesse ano, só 31% afirmam ter melhorado sua qualidade de vida, enquanto em 2013 eram 51%. Pela primeira vez nas deste que a pesquisa é realizada, um número maior da população afirma ter reduzido a qualidade de vida ao invés de ter melhorado. 

Aumentou, num fenômeno semelhante ao detectado em São Paulo, o percentual de moradores que sairiam do Rio de Janeiro se pudessem. O motivo principal para esse desejo é a violência. As expectativas com relação ao futuro também diminuíram: só 25% da população se sente otimista com relação ao futuro da cidade.
 
Pessimismo nacional


Essas pesquisas vão de encontro a uma outra, também do Ibope e do instituto Win, onde os brasileiros, até pouco tempo campeões mundiais do otimismo, passaram ao primeiro lugar em pessimismo.

As causas estão ligadas, direta ou indiretamente à crise econômica, financeira e política. Os brasileiros temem perder seus empregos, os que estão desempregados não tem esperança de voltarem ao mercado de trabalho, não acreditam que o país sairá tão cedo das dificuldades em que está enredado e com isso, as suas cidades, antes acolhedoras, passaram a ser vistas como lugares para serem abandonados.

Isso parece mais crível quando olhamos as pesquisas através da aurbanista e professora da FAU, a arquiteta Regina Maria Meyer. Ela recomenda mais cuidado na leitura dos dados. E pondera, que os paulistanos e outros que residem em grandes cidades, asssim o fazem atraídos pelas oportunidades de trabalho, de educação, de lazer etc. E adverte que apesar da visão idílica que temos das cidades menores, ainda que um tanto verdadeiras, é preciso considerar que muitos levantamentos sobre essas cidades são desalentadores, com problemas de drogas e seguranças, dos quais nem as comunidades indígenas escapam. Acho, diz a arquiteta, que essas pesquisas revelam um lamento e uma acusação pela falta de opção real.