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OS ESTRANHOS E TORTUOSOS CAMINHOS DO VOTO

Leitura aligeirada de pesquisas dificilmente refletem o sentimento da população com relação a seus governantes e muito menos a intenção, segura e sincera, do voto. Recentemente me deparei com duas histórias curiosas de como, por razões completamente diferentes do “ideário” dos candidatos, alguns eleitores decidem depositar neles os seus votos. As duas histórias não tem nenhum valor estatístico, são apenas curiosas e divertidas, embora provavelmente reflitam bem como são tortuosos e insuspeitados os caminhos percorridos pelos votos. IA VOTAR NO HOMEM, VOTOU NA MULHER A AGORA É CONTRA OS DOIS. Conheço uma senhora, vamos chama-la de F, que é diarista e o marido cobrador de ônibus, moradora da periferia de São Paulo, com um filho adolescente. A família com renda familiar em torno dos três mil reais estava muito satisfeita com tudo, principalmente com os bens recentemente adquiridos, como computador, TV de tela plana e outro eletrodomésticos, inclusive um mod...

PESQUISAS POLÍTICAS... AH, AS PESQUISAS.

Faz tempo que nos acostumamos com as “análises” das pesquisas nas áreas de política e administração pública, na maioria das vezes, debruçadas unicamente para os números frios e secos. X por cento são a favor disso ou daquilo, X por cento aprovam ou desaprovam determinado governo e, geralmente, ficamos por aí. Recentemente pesquisas afirmam que mais de 60% por cento dos brasileiros são a favor do impeachment da presidente. Será? A meu ver temos dois problemas na análise dessas pesquisas. O primeiro deles é o bordão, recitado à exaustão por pesquisadores e profissionais do marketing políticos, de que as pesquisas são um retrato do momento – já vamos a ele. O segundo é que, poucas vezes, pouquíssimas vezes mesmo, se procura ver o que há, de verdade, por trás dos números secos e frios. No primeiro caso o bordão é – se me permitem – verdadeiro e falso ao mesmo tempo. Na verdade o que profissionais do MKP e pesquisadores querem dizer é que “em 20 minutos tudo pode muda...

OPERAÇÃO ZELOTES: NINGUÉM LEMBRA DE MIM.

  Todos os dias somos bombardeados (surpreendidos não é o caso) por novas denúncias de corrupção e bandalheiras. Corriqueiras, já nem chamam tanto a atenção, nem escandalizam como deveriam. Uma delas, talvez, por ser absolutamente sem graça, quase anônima é a Zelotes, embora o rombo, nas finanças públicas, deixe qualquer mensalão parecendo coisa de meliante pé de chinelo, com as primeiras estimativas girando em torno de 19 bilhões de reais. Zelotes é aquela operação silenciosa, sistemática, que não vai para os cofres dos partidos e alimenta apenas alguns poucos privilegiados com suborno. Talvez por isso seja tão sem graça e aos poucos vá perdendo força nos noticiários. O esquema também é simples, embora só envolva gente grande. Empresas que devem ao Fisco, milhões evidentemente, repassam uma propinazinha para consultores e conselheiros do Conselho de Recursos Fiscais (Carf) da Receita Federal, órgão encarregado de “rever” as autuações das grandes ...

O FRACASSO DO FIES

Criado para permitir o acesso dos mais pobres à universidade, os imensos recursos investidos no Fies, sem fiscalização e padrões adequados, transformou o ensino superior num grande negócio. Hoje a maior parte dos seus alunos tem renda familiar superior a 20 salários mínimo e aptos, portanto, a pagar escolas privadas. Grande parte da renda das universidades que aderiram ao programa vem do lucro sem risco, garantido pelo dinheiro do Estado. Ganhos da iniciativa privada versus perdas de dinheiro público seriam aceitáveis se as escolhas estudantis recaíssem sobre áreas estratégicas e estivessem efetivamente voltados para os mais carentes. Acontece que as áreas mais procuradas estão longe dos saberes tecnológicos, de áreas que produzissem efetivos conhecimentos para o progresso do País. Mas o que se vê são 1/3 dos contratos do Fies indo para direito, administração e enfermagem, enquanto matérias próximas ao que seria o “eixo do desenvolvimento” apenas engenharia civil a...

FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHAS: VERDADES E MENTIRAS

Opinião é que não falta, mas, sem dúvida, a doação por parte de empresas e grupos econômicos, tem sido eleita como a grande vilã do processo, aliada ao “alto custo” das campanhas. E o tal de financiamento público surge como solução mágica para o processo, sem que ninguém, ou poucos, se deem conta das intenções, nem sempre nobres, que estão por trás da proposta. Fala-se de financiamento público como se ele já não existisse, o que não é verdade. Existe isenção fiscal para as emissoras de rádio e TV que transmitem o tal “horário gratuito” e o tal fundo partidário, na casa dos milhões, tudo financiado, em última instância, pelo distinto público. E do jeito que se está desenhando, a tal de reforma vai beneficiar partidos bem específicos, deixando outros fora do processo, por um longo período, como veremos em seguida. Pelo critério – já existente – as legendas que captaram mais votos, na eleição imediatamente anterior para a Câmara dos Deputados, receberiam ma...

É O ALGORITMO, ESTÚPIDO!

A União Europeia está em pé de guerra com o Google. Com o padrão monopolista, não apenas do Google, que domina a web e é ruim para o mercado e para os usuários. Alegam que o site faz uma concorrência desleal com os seus colegas europeus e mais: direciona as buscas de acordo com as suas conveniências comerciais. Você pode até achar que não tem nada com isso, mas tem. Na verdade quando você digita uma palavra, em busca de resultados, o Google lhe dá respostas de acordo com os seus (lá dele) interesses comerciais. Os resultados apresentados podem até lhe serem úteis, mas existem outros, talvez melhores, ou não, mas que “selecionados” pelo Google “sabotam” o nosso poder e a possibilidade de diversidade de experiências. O ideal é que todos nós tenhamos acesso, fácil, que fique bem claro, a outras alternativas de consulta e de busca, que permitam que o leque seja mais aberto. O monopólio real do Google impede isso. E é exatamente aí que está a polêmica da co...

DIREITA, ESQUERDA, CENTRO, VOLVER

Estamos vivendo um fim de um ciclo, representados por 12 anos de um Governo tido como de “esquerda”, seja lá qual for o resultado do tal ajuste fiscal e das eleições de 2018. O PT, gostem ou não, jamais será o mesmo. O que, obviamente, não impede o partido de se reinventar, mas isso é outra história. Com as esquerdas (o PT e seus satélites) em baixa, ficam duas interrogações: quem representará a “nova” esquerda e quem vai se apresentar, como alternativa, representando a “direita”, rótulo que provoca urticárias em todos os partidos e políticos? Um fato é certo: quanto mais baixo o apoio ao PT e seus aliados fiéis, mas cresce a busca por um campo oposto. Mas quem faz esse contraponto? O mais adequado seria o PSDB, certo ou equivocadamente classificado, ou tratado, como de “direita”, mas que não se assume como oposição (com projetos claros), oscilando, ora no franco combate, ora no cantinho, escondido, como se convencionou chamar, em cima do muro. Os outros...