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Diário de uma quarentena – 02 A tensão e as preocupações aumentam.

Ontem o supermercado aqui do bairro informou que vai fechar as portas. Está com problemas de abastecimento e os funcionários estão se recusando a irem trabalhar, com medo de serem infectados por clientes e fornecedores. Ontem estava com o açougue estava completamente vazio e nas prateleiras muito espaços sem reposição. Os funcionários, que ainda estava trabalhando, queixavam-se do comportamento agressivo de alguns clientes, principalmente dos mais idosos. Parece que os mais velhos são os que estão criando mais problemas. Esse supermercado faz parte da minha vida, do meu dia-a-dia. Conheço todo mundo: caixas, repositores, o pessoal da entrega... conversamos sobre nossas famílias, sobre a Bahia (sim tem uns dois ou três baianos), sou – como outros clientes habituais – tratado de forma preferencial, procuram mercadorias, escolhem as melhores frutas que eu preciso e por aí vai. Sem ele vou ter que enfrentar, quando necessário, e se possível, as grandes redes, que permanecem abertas. Con...

Diário de uma quarentena – 01

Decidi registrar aqui esses dias de quarentena. Não que tenha fatos relevantes, curiosos ou excepcionais, para contar. Afinal, ficar trancado em casa decididamente não produz fatos interessantes. Reflexões são possíveis, mas, no final das contas, o coronavírus ocupa boa parte delas. A ideia, quem sabe, é daqui há algum tempo reler e ver o que podemos aprender com tudo isso. É uma experiência única e inédita, pelo menos em minha vida. Algo parecido, ainda assim muito diferente, vivencie na década de 90, em África, quando, trabalhando em Angola, fomos proibidos de sair do hotel, para qualquer coisa, com exceção apenas da ida para a produtora, mesmo assim só com escolta armada. Mas era um hotel, éramos muitos e podíamos pelo menos circular nas dependências do dito cujo, trocar ideias e até mesmo trabalhar juntos. Esta quarentena começou bem antes para mim e família, quando a minha filha precisou, na semana anterior ao Carnaval, ser internada de urgência. Foram um pouco mais de 20 dia...

VAGINAS, BANHAS, CULTURA E FASCISTAS.

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A coisa toda começa com a afirmação feita pelo ator José de Abreu, que vagina não transforma fascista em ser humano. Tem ainda a parte das banhas da atriz Regina Duarte nas suas críticas ao fato da atriz ter aceito o convite para participar do governo, a grande motivação para as declarações do ator. Assumidamente de esquerda, entusiasta confesso do lulismo, as declarações de José de Abreu são assustadoras, uma vez que foi com conceitos semelhantes, que os nazistas se sentiram à vontade para liquidar em massa judeus e outras minorias, incluindo aí gays e o que mais servisse aos seus interesses de supremacia racial. O que espanta também, é o fato das organizações de esquerda e artistas renomados, que “pediram os sais”, indignados com o fato de Regina Duarte ter aceito um cargo no governo, não terem esboçado nenhuma reação às declarações do ator. Em silencio concordaram com absurdos, onde a vagina e as banhas de Regina Duarte, misturadas com uma hipotética indignação dos gays,...
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QUE SAUDADES DOS TEMPOS DA DITADURA ( Advertência - rsss: o título acima, como os de outros posts, é apenas um recurso “publicitário” para estimular a leitura. Se você chegou até aqui, leia o resto. Pode ser ilustrativo, juro que não dói, para pensarmos melhor o presente e o futuro de Pindorama ). Então vamos lá: pessoas de mais idade, como eu, viveram os tais anos de chumbo e a   suposta “saudade”, que sinto desse período, se refere apenas a clareza de posicionamentos (sim, sei que isto não existe mais) onde era possível identificar os “bons e os maus” facilmente, bem ao gosto dos brasileiros, que adoram uma dicotomia clauberiana, de Deus e o Diabo peleando eternamente na Terra do Sol. O sujeito estava do lado da ditadura? Pessoa má. Do lado contrário? Boa pessoa. Ou vice-versa, dependendo do lado do observador, é claro. Tudo resolvido da maneira mais simples e direta, sem sutilezas, sem muito – ou melhor, bem pouco – pensar. A ditadura f...

BOAS-VINDAS AO “ALIANÇA PELO BRASIL, 38” –

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Logo do partido feito com cartuchos de balas Acho ótimo a chegada do partido da família Bolsonaro, mesmo que ainda em processo de criação. Os brasileiros precisam se despir dos estereótipos de povo cordial, multirracial, musical, sem preconceitos e outras baboseiras. A chegada de um partido de ultradireita, ou coisa que o valha, é bem-vinda. Traz a luz do Sol ideias e personagens que durante muitos anos a sociedade brasileira fez de conta que não existiam ou, pelo menos, coisas de uma minoria insignificante. Logo após o período da ditadura militar, passou a ser vergonhoso se considerar de direita, de extrema direita nem pensar. Bonito mesmo era ser de esquerda, preocupado com o social, ou, pelo menos, de centro esquerda. Ser apenas do centro já era uma espécie de flerte com a direita. E assim fomos nós, até recentemente, felizes e fagueiros acreditando em nossas próprias mentiras. Os nossos direitistas eram, no máximo, figuras folclóricas, no estilo Enéas, ou chegados a uma...

O IGNORANTE CONVENCIDO

Esclareça-se logo que não estou me refiro a ninguém especificamente, ainda que vontade tenha, acima e abaixo, à esquerda e à direita. Trata-se da conclusão de um estudo, o Dunning-Kruger effect , de dois professores da Universidade Cornell, dos EUA, onde demonstram que indivíduos com pouco, ou nenhum, conhecimento sobre determinado assunto, acreditam saber bem mais sobre ele, que quaisquer outros mais preparados. O interessante do estudo de David Dunning e Justin Kruger, publicado há 20 anos no Journal of Personality and Social Psychology , é que a partir do momento em que esse indivíduo vai adquirindo mais informações sobre o assunto, suas convicções diminuem. Elas só voltam a aumentar, na medida em que ele se converte num expert no assunto. O mais surpreendente, no entanto,   é a conclusão do estudo: mesmo quando a pessoa está totalmente preparada e instruída sobre determinado assunto, ela jamais atinge o nível de certeza que tinha, quando o seu nível de conhecimento era mí...
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E O LADO OBSCURO DO VALE DO SILÍCIO? Após cinco anos, a série Silicon Valley, da HBO, ajusta-se aos “novos tempos” e mostra agora o lado obscuro do Vale do Silício. Os antigos heróis digitais, que só pretendiam “melhorar o mundo”, agora aparecem sendo forçados a depor no Congresso por influenciarem eleições, desacreditarem a verdade, monopolizarem o comércio mundial, semearem o genocídio e até mesmo serem cúmplices do nazismo. Exageros à parte, o que o nobre leitor pensa sobre as redes sociais e demais “inventos” do Vale do Silício? Exagero ou a série estaria realmente captando uma tendência sombria da indústria? Uma sociedade cada vez mais dominada pela tecnologia, hipnotizada pelos seus smartphones, estaria cada vez mais a mercê dessas corporações? Convém pensar. Farhad Manjoo , do The New York Times , em artigo sobre a série ressalta o que ela chama de grandes questões que a Silicon Valley traz nessa sua nova fase: pode o bem coexistir com a cobiça? É possível agir...