terça-feira, 18 de julho de 2017

AS TRÊS NARRATIVAS, RUINS, DA CRISE

Para “explicar” a crise e tentar arregimentar adeptos, as maiores correntes politicas do país oferecem três narrativas sem nenhuma proposta realista para o futuro ou indicação de rumos, centradas, todas três, na sobrevivência de curto ou- no máximo – de médio prazo.

Duas dessas narrativas são praticamente idênticas. Fui condenado e/ou estou sendo processado sem provas, ao contrário do meu adversário, acusado/condenado com base em fatos robustos e verdadeiros. A diferença é um já estar condenado e outro, por enquanto, apenas processado. A terceira é da turma do PSDB, cujo presidente também está na mira da Justiça, que não sabe se fica ou sai do Governo e não oferece aos seus eleitores nenhuma leitura realista e do interesse da população/eleitorado para a crise.

A vitimização esgrimida pelo PT e seus aliados é coerente com o momento, mas não pode estender-se ao infinito e além. Serve para energizar a militância, tentar despertar solidariedade, mas é um discurso datado, com prazo de validade e dependente do julgamento do Lula, na segunda instância. Falta a narrativa um projeto de superação da crise que vá além do recall, retomada, dos tempos positivos da primeira gestão do Lula. O ex-presidente aliás já se deu conta disso e inseriu no seu discurso os “bons tempos” das suas gestões, principalmente a primeira, embutindo a promessa de que eles podem voltar, com a sua volta a Presidência.

A defesa do Temer é semelhante, ainda que sem a ênfase na vitimização. O presidente quer se contrapor as denúncias, realçando as conquistas do seu curto governo e com a necessidade de mudar o foco para a aprovação das necessárias reformas para tirar o país da crise. Resta saber se as vitórias políticas que conseguiu até agora no Congresso serão repetidas na volta do recesso e o apoio que possui se manterá quando novas denuncias do PGR forem apresentadas.


No PSDB a liderança tradicional é sacudida do muro no qual sempre se refugia, por figuras novas, outras nem tanto, que desejam se desligar do governo, mas cujas propostas se resumem ao vago “apoio às reformas”, com ou sem Temer. Com o seu presidente e presidenciável maior, também abatido pelas acusações do PGR, afastado “provisoriamente” do cargo,  o que sobra são as indefinições de sempre. A exceção agora é que a briga interna está chegando às ruas, onde entram inclusive a pressão pela indicação do seu candidato às próximas eleições, vivenciando uma crise declarada, que não fazia parte, até agora, do seu modelo tradicional.

Correndo por fora temos o pessoal mais a direita, neste momento capitaneada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, que muitos apostam que não chega nem ao segundo turno, mas é sempre bom lembrar de exemplos recentes, de candidatos que ninguém apostava e que foram eleitos. Creio que Trump basta.  Os demais, Ciro Gomes, Marina Silva e etc., permanecem lá atrás, sem muita perspectiva e pior, sem um discurso que entusiasme o eleitorado.

O distinto público, os eleitores, por enquanto, pelo menos, não parecem se entusiasmar com nenhuma dessas narrativas ou personagens. Lula continua na dianteira das pesquisas com o seu piso tradicional de 30%. Até quando depende muito mais do Judiciário do que de qualquer outra coisa. 

A economia dá sinais cambaleantes de melhora, mas nada que entusiasme, muito menos aos milhões de desempregados. As panelas estão mudas, as manifestações a esquerda ou a direita, restritas as torcidas organizadas.

Por enquanto é torcer para que apareça algo melhor do que está colocado e nos dê esperanças de dias realmente melhores

domingo, 16 de julho de 2017

Por quanto tempo vc sobreviverá se não se adaptar as mudanças?


Nos últimos anos foram muitas as mudanças que alteram nosso modo de vida e as relações de trabalho. (Aqui embaixo vai uma lista, bem pequena, só pra ilustrar).

E vc tem prestado atenção ao que está acontecendo no mundo?  Vc realmente pensa que pode continuar a viver como vivia há 10 anos? Já se perguntou por quando tempo conseguirá sobreviver se não se adaptar?  Por quanto tempo seu emprego/trabalho na forma atual, vai durar?

Depois de refletir um pouco sobre isso, você ainda quer viver como vivia há 10 anos?

Melhor começar a se reinventar diariamente para continuar no jogo. O negócio é ir em frente. Não porque atrás vem gente, mas porque já tem muita gente na frente. E se você nem sabe o significado de boa parte dos nomes aí em negrito tem que se apressar ainda mais. 

O Spotify praticamente faliu as gravadoras;  O Netflix faliu as locadoras; O Booking complicou a vida das agências de viagens;  O Google faliu a Listel, Páginas Amarelas e as enciclopédias;  O Airbnb está complicando a vida dos hotéis;  O WhatsApp complicou a vida das operadoras de telefonia;  As Mídias Sociais estão complicando a vida dos veículos tradicionais de comunicação;  O Uber e afins complicou a vida dos taxistas. E em breve os carros autônomos vão complicar a vida de todos os motoristas;  A OLX acabou com os classificados dos jornais;  Os Smartphones acabaram com as revelações dos filmes fotográficos e com as câmeras amadoras;  O Zip Car está deixando as locadoras de veículos de cabelo em pé;  A Tesla está complicando a vida das montadoras de automóveis; O e-mail e a má gestão complicaram a vida dos Correios;  O Waze acabou com o GPS; O Original e o Nubank ameaçam o sistema bancário tradicional;  A Nuvem complicou a vida dos Pen Drive;  O YouTube complica cada vez mais a vida das TVs. Muita gente nem sabe mais da existência dos canais abertos;   O Facebook complicou a vida dos portais de conteúdo;  O Coaching mudou a forma de aprender, pensar e agir de muita gente; Tinder e similares está complicando baladas e afins;  Com os bancos online quase ninguém precisa ir as agências, diminuindo o mercado dos bancários.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A ESQUERDA BRASILEIRA PRECISA APRENDER A PENSAR. Consegue reunir cerca de 30 mil "militantes" numa manifestação, mas entrega tudo para os sempre presentes "mascarados" que a transforma, também como sempre, em baderna e vandalismo, pois não consegue parar para pensar em como manter sobre controle a minoria do tanto pior melhor.
Os ilustres deputados não ficam atrás: tomam de assalto a mesa da Câmara, com seus cartarzinhos e impedem a continuidade dos trabalhos. Não satisfeitos ainda protagonizam a velha cena dos empurrões e pontapés no plenário.
 
Será que 25/30 mil militantes não são capazes de controlar a turma do quebra-quebra, totalmente previsíveis, mas que ontem foram além das provocações a polícia para tentar destruir, incendiando prédios públicos e vandalizando equipamentos e computadores, atirados pela janelas dos ministérios.
Acham mesmo que os funcionários que fazem hoje faxina nos seus locais de trabalho e que passarão um bom tempo tendo que recuperar tudo o que foi perdido, quer queiram quer não, vão ficar felizes s solidários coma turba?
Hoje, em vez de estarem felizes e sorridentes com a demonstração de força de sua militância, colheram uma bela associação com a baderna e a esculhambação.
Será que não enxergam um potencial espetacular de possíveis apoiadores no mais de 10 milhões de desempregados, mais infelizes que os demais com o atual governo e que poderiam engrossar a tropa dos insatisfeitos, mas que não estão nem um pingo dispostos a apanhar da polícia e nem acham que a melhor solução para as suas vidas está na destruição do patrimônio público?
 
Será que ninguém nas hostes esquerdista consegue pensar que o "Fora Temer" não galvaniza ninguém entre as pessoas comuns, pelo simples fato de que a maioria absoluta da população não vê o presidente com bons olhos e só não vai na onda porque simplesmente não vislumbra ninguém para substitui-lo?
Ah, mas temos o Lula, acreditam. E quanto mais depressa coloca-lo lá melhor, pois assim escapa das garras do Moro. Será que não pensam que os atuais 30% de apoiadores não são suficientes para colocar o Lula lá, sem mais motivos que o de livra-lo da cadeia?
Ninguém se dá conta que é preciso apresentar um projeto, um plano de governo que vá além do recall dos dois mandatos do Lula, por mais positivas que sejam as lembranças dos seus dois governos?
"Eleições Diretas Já", va lá, mas com quem? É essa a pergunta que interessa a população. E muito provavelmente Lula não será uma atração capaz de amealhar uma maioria ampla, geral e quase irrestrita do eleitorado. Será que acreditam também que os demais candidatos de plantão vão deixar Lula correr solto numa campanha onde, gostem ou não, ele entra com um espetacular rabo de palha?
E o projeto? Temos algo melhor que a vingança do "fora Temer", "volta Lula" e "não as reformas"e "tudo o que está aí" é que o País tanta deseja e precisa?
Acham mesmo que, seja lá quem for, o vencedor dessas hipotéticas eleições vai conseguir tocar o País pra frente sem fazer nenhuma dessas reformas?
O Brasil está a deriva, num mar tempestuoso, a espera de um comandante que tenha mais que a vontade de tomar o leme pelas mãos. Seja lá quem for precisa de um plano, um projeto crível e viável para a chegada, mais ou menos incólume, ao próximo porto. É preciso alguém, que consiga conectar pelo menos dois neurônios e pense bem no que fazer. E que convença os passageiros desta nau desgovernada do que fazer, que rota vai adotar. Nos transformarmos numa próxima Venezuela é que não vai dar.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ABRINDO A TIME LINE ÀS BESTAS DO APOCALIPSE



Prestes a publicar uma nova página no Face, como “Figura Pública”, me deparei com um velho dilema. Não foram poucas as vezes em que dei “likes”, alguns acompanhados de comentários solidários, para muitos amigos,  irritados com posts de conteúdo ofensivo, não só às suas ideias, como pela forma grosseira com que se referem a qualquer um que lhes ofereça um contraditório. Fartos, decidiram não só apaga-los, como deletar, também, essas pessoas de suas vidas no Face.

Eu mesmo, confesso, já fiz isso também. Mas, nesse momento, decidi ir em sentido contrário: vou abrir a minha página, assim como o Blog do Mena, para qualquer um que queira comentar qualquer coisa, mesmo correndo o risco de transformar a time line em um ringue. Preservarei a minha página pessoal, fechada aos amigos e familiares, com questões – digamos assim – mais brandas.

A razão é, de certo modo, simples: Estamos perto, muito perto, de uma campanha eleitoral que será, com toda certeza, demasiadamente acirrada, marcada pela carência de lógica e pela polarização. E aí você deve estar se perguntando: vai abrir espaço para isso? Sim, essa é a ideia. Abrir não só para o debate político, não importa o nível, e para outras ideias que na maioria das vezes o destino seria a lata de lixo.

Sim, o radicalismo derruba a democracia, a boa convivência entre as pessoas e passa longe da verdade. A opção pelo ódio e a recusa ao contraditório é atraente, pois fica fácil jogar a culpa de tudo de ruim nos outros, nas pessoas que discordam dos seus argumentos. É o que talvez explique, a quantidade de indivíduos que esgrimem esse tipo de ideias, que os deixam confortavelmente imune às críticas.

Apesar disso, quero, de forma absolutamente otimista, abrir espaço para reflexões e diálogos até mesmo com as “bestas do apocalipse”, aquele tipo de gente que só enxerga o paraíso nas suas ideias e o apocalipse nas dos outros.  Quero acreditar – sem a pretensão de convencer ninguém – que refletir, dialogar, perguntar, sem adjetivos, sem insultos, com honestidade, pode ser uma pequena semente para, no mínimo, deixarmos florescer o conhecimento do outro. No momento em que, no nosso País, os projetos de nação, de convivência humana e cidadã, sequer reconhecem a existência legitima do outro, acho que vale, pelo menos, experimentar a possibilidade de um encontro de ideias sobre a possibilidade de um futuro de bem-estar que inclua todos nós e não apenas aqueles mais próximos dos nossos narizes.


Vamos ver, então, o quanto será possível. Que venham as bestas do apocalipse e também os anjos. O espaço vai estar aberto. Quem sabe, pelo menos uns dois ou três podem tirar proveito disso.

Veremos.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

STF UMA CORTE POLÍTICA –


Pelo visto uma das estratégias utilizadas na Operação Lava Jato de utilizar as prisões preventivas para forçar as tais de delações está com os seus dias contados. Pelo menos no que depender dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.

O que há por trás do Gilmar?
O que se observa é que, desde a morte do ministro Teori Zavascki, as decisões do STF tem ido de encontro, mais claramente, à política de prisões preventivas. Ao longo dos últimos anos, ao contrário do que começa a se desenhar, o STF adotou soluções jurídicas que deram suporte a Lava Jato. O que mudou agora, nas decisões mais recentes, capitaneadas pelo ministro boquirroto Gilmar Mendes?

Toffoli: o fiel escudeiro
O Supremo vai admitir que errou no passado? Não se espera muitas flexibilidades de uma corte suprema. Para funcionar adequadamente ela tem que funcionar com critérios jurídicos sólidos e o mais permanentes possíveis. Não dá para compreender e respeitar um Supremo que muda de ideias, que interpreta leis de acordo com as conveniências e/ou da postura política, momentânea ou não, dos seus ministros.

Fachin, derrotado tres vezes
Nos bastidores, procuradores e o juiz Sérgio Moro, já travam uma guerra silenciosa com alguns dos ministros. Quem sairá vencedor? O certo é que hoje temos um Supremo que só pode ser visto e analisado, em suas decisões pela via política. O Direito começa (?) a ser deixado de lado. E o resultado disso não fará nenhum bem ao País.


COMO EDUCAR AS NOSSAS FILHAS PARA SEREM FEMINISTAS




É um desafio e tanto, principalmente para evitarmos radicalismos ou ficarmos apenas num feminino light, que não leva a lugar nenhum. Num mundo onde as mulheres são constantemente discriminadas, recebem menos que os homens,  muitas ainda tendo de cumprir uma dupla jornada de trabalho e onde o tema igualdade de gênero, mais que nunca está em pauta, um pequeno livro (apenas 79 páginas) da consagrada escritora nigeriana Chimamanda Adichiei– PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS – UM MANIFESTO traz conselhos simples de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, independentemente de gênero.

No livro escrito, no formato de uma carta a uma amiga, que acaba de se tornar mãe de uma menina, Chimamanda lembra como é extremamente urgente discutirmos novas maneiras de criarmos os nossos filhos, preparando-os para serem pessoas melhores e a como enfrentarem, com sucesso, o mundo atual, cidadãos conscientes do que é preciso fazer para mudarmos a sociedade e fortalecermos as relações entre homens e mulheres.

São apenas 15 sugestões para criar filhos dentro de uma perspectiva feminista, mas acima de tudo libertária, que podem ajudar muito às pessoas que ainda acreditam que a educação é o passo inicial para a construção de uma sociedade mais justa e plural.

Chimamanda é autora de três livros fantásticos, que recomendo com entusiasmo: Meio Sol Amarelo de 2008, Hibisco Roxo (2011) e Americanah (2014). Ela assina também  uma coleção de contos (The Thing araound Your Neck de 2009) e um manifesto Sejamos todos feministas, http://yedxtalks.ted.com/video/We-should-all-be-feminist-Chim)  e musicado por Beyoncé (http://www.youtube.com/watch?v=IyuUWOnS9BY) Tem ainda uma segundo conferencia sobre os perigos de uma história única, onde ela chama a atenção para o fato de nossas  vidas, nossas culturas serem compostas de muitas histórias sobrepostas. Se ouvimos apenas uma história, seja sobre uma pessoas, um país, uma cultura, corremos o risco de gerar grandes mal=entendidos. As duas valem muito, muitíssimo a pena.
uma adaptação de discurso feito por ela no TEDx Euston, que já foi visualizado por mais de um milhão e meio de pessoas. (

quarta-feira, 5 de abril de 2017

VADIAR PARA PRODUZIR MAIS


Executivos em geral, jornalistas e publicitários, entre muitos outros, são vítimas da produtividade de aparência e das reuniões improdutivas do mercado de trabalho. Até aí nenhuma novidade. Mas já tem gente contestando tudo isso e advogando o ócio produtivo.

Pesquisas informais indicam que os dias de trabalho dos brasileiros são muito mais longos que seus pares em outros países. E, é claro, muito menos produtivos.

Discute-se em longas reuniões assuntos que poderiam ser substituídas por uma simples troca de e-mails e outros recursos. A conexão eletrônica é outra vilã, ao invadir a vida pessoal com trabalho, na maior parte do tempo, com questões que poderiam, sem nenhum problema, ser tratado durante o expediente normal. A falto de foco é outro problema apontado para explicar, também, o tempo excessivo dos brasileiros no trabalho.

Para quem estiver disposto a mudar de vida há alento. Lucia Guimarães,
colunista do Estadão, que mora em Nova York, comentando o assunto, trouxe depoimentos de algumas personalidades mundiais, bem sucedidas, que incluem horas de ócio como fator de aumento da produtividade, como Charles Darwin e Ingmar Bergman. Os dois trabalhavam apenas algumas horas por dia, mas deixaram uma produção alentada.

Alex Soojung-Kim Pang, um autor americano, acredita que algumas grandes figuras históricas deveriam ser estudadas não apenas por suas conquistas, mas também pela maneira como descansavam. Alex, um veterano do Vale do Silício e fundador da Restful Company, uma consultoria que se debruça sobre o problema do excesso de trabalho e seus efeitos na produtividade, é autor do livro Rest, Why You Get More Done When You Work Less (Descanso, Por Que Você Faz Mais Quando Trabalha Menos).

Segundo Alex, pessoas talentosas vão longe, não apesar do lazer e/ou do descanso, mas – para surpresa geral – por causa deles. Ressalta, no entanto, a necessidade de uma disciplina, de manter o foco, durante o trabalho e ao mesmo tempo administrar corretamente as horas, os momentos de lazer e descanso, distribuindo-os de forma correta, deliberada e consciente.

Faço coro a Lúcia Guimarães: mais ócio, menos reuniões, mais produtividade.