sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO

Uma jogada de marketing que pode colocar o presidente Temer, apesar das negativas, nas eleições deste ano?
Vai servir, pelo menos para melhorar a aceitação do presidente e, por via de consequência, transforma-lo num player importante no processo eleitoral? 
Como fica Bolsonaro, caso a intervenção seja bem sucedida, com a sua principal bandeira nas mãos do presidente?
Sem conseguir que os seus feitos, reais, na economia, melhorem a sua aprovação, a segurança poderá alavancar índices positivos para Temer?
Essas e outras questões, sobre a intervenção, estão abordadas no programa Fala Aí desta semana, por mim e pelo meu amigo, o jornalista José Américo.

Clique no Link abaixo e assista 


https://youtu.be/VmAEnZRHeeE

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

AFINAL, A QUEM OU A QUE SERVE DELTAN DALLAGNOL?


Esse procurador da República fez nova aparição – para ser simpático – desastrada e ofensiva a democracia. Esse procurador, para reavivar memórias foi aquele que condenou o ex-presidente Lula usando um PowerPoint, onde Lula foi aparecia como chefe de quadrilha. O ineditismo, digamos assim, do devido processo legal e da condenação do ex-presidente, munido de apenas um PowerPoint não parece ter constrangido o procurador, que volta a cena agora para postar nas redes sociais mais um absurdo.


Segundo o rapazinho “se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso. Aliás, as evidências existentes colocam suspeitas muito maiores sobre o Congresso, proporcionalmente, do que sobre moradores das favelas, estes inocentes na sua grande maioria”.

Em tudo e por tudo esse procurador deveria calar a boca. Ninguém está colocando os inocentes moradores das favelas como criminosos. Como procurador Dallagnol deveria saber muito bem que os inocentes moradores das favelas do Rio estão sofrendo nas mãos dos traficantes, dos policiais corruptos, das milícias e da inoperância das autoridades. Deveria saber também que a saída não é passar todo o seu tempo demolindo a classe política, fazendo de conta que todos são criminosos, talvez piores que os fora da lei que dominam as comunidades pobres do Rio de Janeiro e alhures.

É de se perguntar, portanto, o que pretende e quem e ao que impoluto procurador está a serviço. Qual a saída que oferece? Deixar o crime correr solto? Fechar o Congresso? Desmoralizar completamente a política e, por consequência a democracia? Alguém em sã consciência neste país quer mesmo a implantação de uma ditadura da toga?

Dallagnol já deu pistas a que veio ao condenar Lula munido de um PowerPoint,  onde decidiu que o ex-presidente era chefe de quadrilha e o condenou publicamente. Lula pode ser qualquer coisa, mas é muito maior que esse procurador. É líder inconteste de um dos maiores partidos do país, é um ex-presidente, dono de dois mandatos e aprovado por um número significativo de brasileiros. É possível discordar e até mesmo condenar Lula por inúmeras coisas. Discordar não é problema, mas condenar requer provas. E provas concretas. Não é possível, inclusive para a credibilidade dos adversários do ex-presidente, que um rapazinho qualquer, use o seu cargo de procurador, para condenar sem o tal devido processo legal e muito menos passar o seu tempo interferindo na vida pública, com palavras e ações que em nada ajudam na manutenção da democracia, demonizando os políticos, como se os membros do judiciário fossem anjinhos do pau oco.

Bem fez o vice-presidente da Câmara Fábio Ramalho, ao pedir que a Casa convoque Delagnol para dar explicações e foi preciso ao dizer que se o procurador que “falar alguma coisa que vá para as ruas, se eleja e venha aqui fazer as mudanças. E completou corretamente ao afirmar que “todas as coisas que estão aí hoje, as delações, só existem porque esse Congresso votou” e que por isso merece respeito. Talvez até nem tanto, mas seguramente, do jeito que vai o procurador Deltan Dallagnol não merece.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A CONFUSA, PARA DIZER O MINIMO, PESQUISA ELEITORAL DO DATAFOLHA.


Está aberta a temporada das tais pesquisas de intenção de voto e boa parte delas são confundem mais  do que esclarecem. 
Um ótimo exemplo está na mais recente, divulgada pelo Data
Folha, onde se pretende avaliar as candidaturas a Presidência da República.

Pra começo de conversa são nada menos que oito cenários, onde entra todo mundo, inclusive gente que sequer manifestou a intenção de concorrer a Presidência.

Difícil imaginar o que o pobre do entrevistado pensa realmente ao ter que dar tratos à bola para escolher suas possíveis preferências nesse cipoal de alternativas e muito menos o que se pode aferir desses resultados.

Vamos ver para começar, o que deu na espontânea, aquela em que o entrevistador faz uma pergunta simples: sem apresentar os nomes dos possíveis candidatos
Lula é citado, segundo a pesquisa, por 17% dos entrevistados (o mesmo resultado atingido em novembro passado) e Bolsonaro por 10% (dentro da margem do último levantamento, quando marcou 11%). Ciro Gomes apareceu com 2%. Alckmin e Álvaro Dias com1%. Os demais citados não atingiram 1%. A fatia dos que não souberam apontar nenhum nome é de 48% (patamar similar ao de novembro: 46%). Além disso, 19% declaram votar em branco ou nulo. 

Ou seja nada de novo no Quartel de Abrantes. É um cenário que – nem precisa de bom senso, basta o comum mesmo para avaliar – corresponde ao que se poderia esperar do distinto público. As pessoas não estão decididas neste cenário confuso da politica brasileira. Quem pontua alguma coisa é quem está em evidência, para o bem ou para o mal e trabalhado intensamente nas redes sociais, e que tem recall por conta das suas atuações passadas e recentes, que os colocam na mídia. 

A coisa fica realmente confusa quando o instituto apresenta nada menos que oito cenários em combinações cujos critérios são difíceis de entender, colocando a tirando possíveis candidatos

No balaio dos oito cenários, na base do tira um e bota,  a variedade é grande e tem até gente de um mesmo partido, como Jacques Wagner e Fernando Haddad marcando presença em um mesmo cenário, como se isso fosse possível. Até o presidente Temer marcou presença na avaliação. 

Ah, direis, mas isso é para avaliar o eventual potencial dessas candidaturas.
Em primeiro lugar vários desses incluídos sequer cogitam em se candidatar. Com base em que critério foram colocados para avaliação? O do “talvez que sabe”, competindo com outros que são, de fato, pré-candidatos? 

Existem outras formas de avaliar nomes. Colocar todo mundo no mesmo balaio e fazer com que o eleitor faça um exercício desse calibre a pelo menos sete meses antes da eleição não conclui coisa nenhuma. Um estudo real das tendências atuais do eleitorado e para onde elas podem apontar exige bem mais que uma pergunta na base do “se as eleições fossem hoje e esses fossem os candidatos em quem você votaria”
 
Lula, por exemplo, foi avaliado em cinco deles. Bolsonaro, Jacques Wagner, Fernando Haddad, Rodrigo Maia, Luciano Huck, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Álvaro Dias, Marina Silva, Henrique Meireles, Manuela D’Ávila, Fernando Collor, João Amoedo, Paulo Rabello de Castro, Guilherme Boulos, João Doria, Joaquim Barbosa e Michel Temer também estiveram presentes em vários. Caberia até uma versão simplória daquele comercial da Justiça Eleitoral sobre a biometria: vem pra pesquisa, vem. Não pode faltar ninguém.

Outra coisa pra lá de confusa é a avaliação da condenação de Lula.
As perguntas sobre o “destino de Lula” são essas aí:

Na sua opinião, Lula vai disputar a eleição?
Para 43% não irá. Já 32% acreditam que sim, com certeza e 21% talvez.
A outra é: Na sua opinião, Lula deveria poder disputar a eleição?
51% acham que ele deveria ser impedido de participar da disputa, enquanto 47% vão na direção contrária e acreditam que ele deveria disputar. 4% e 2%, respectivamente cravaram o "não sabe".
 
Elas não expressam o que as pessoas pensam efetivamente sobre Lula. E hajam cruzamentos para se chegar, se for possível a alguma conclusão sobre isso.
A tal avaliação sobre a condenação de Lula passa ainda por um dos mais interessantes itens do questionário e se restringe a tentar saber se os eleitores acreditam que o ex-presidente tinha ou não conhecimento da corrupção. 

Para a maioria dos entrevistados (54%) Lula “sabia da corrupção em seu governo e deixou que ela ocorresse”. 29% acreditam que “ele sabia mas não podia fazer nada para que ela não ocorresse” (13%). Não opinaram 5%. Com esse tipo de perguntas não é possível saber se as pessoas acreditam ou não na participação direta do ex-presidente na corrupção do seu governo e dela se beneficiado. Do jeito que foi feita no máximo ele deixou acontecer. Ah, no entanto, mais adiante pergunta-se se o julgamento e a pena a que foi condenado foram justo ou não. Ah, tá. Chega-se lá por vias transversas, mas qual o motivo para não se fazer uma pergunta direta?

A culpabilidade de Lula fica intuída, mas não claramente, quando 53% dos entrevistados declaram que Lula deve ir para a prisão, uma variação de apenas um por cento com relação à pesquisas anteriores. Para 44%, no entanto o ex-presidente não deveria ser preso (em setembro 40%). Ou seja, nada mudou de lá para cá.

Apesar disso, a maioria (56%) avalia que Lula não será preso, um número menor que os 66% que acreditavam nessa possibilidade em setembro do ano passado. Ainda assim, o percentual dos que ainda acreditam na prisão subiu de 28% para 39%.  Restou saber algo além dos  percentuais as respostas: quais os motivos que fazem os eleitores acreditarem nas nessas duas possibilidades.

Informados de que o julgamento da semana passada condenou o ex-presidente Lula a 12 anos e um mês em regime fechado, 50% consideraram a decisão justa, e para 43% foi injusta, além de 7% que preferiram não opinar. 

Entre os brasileiros mais pobres, com renda mensal familiar de até 2 salários, 51% avaliaram a condenação injusta, e para 41% foi justa. Entre quem tem rendimento de 2 a 5 salários, 60% avaliam que a condenação foi justa, e 36%, que foi injusta. Na parcela com renda de 5 a 10 salários, 64% indicam que houve justiça e 34%, que houve injustiça. Entre quem tem renda superior a 10 salários, 62% indicaram que a decisão foi justa, e 34%, que foi injusta. E aqui nada há a estranhar.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Como já aconteceu com outros veículos e meios de informação a morte do livro de papel foi anunciada há mais ou menos uma década. O assassino seria o livro eletrônico, o tal e-reader, que levaria as pessoas a abandonar os livros de papel. Contra todas as expectativa o livro de papel permanece firme e gozando de boa saúde.

Segundo a consultoria Euromonitor, mais de 130 milhões de aparelhos foram vendidos mundo afora desde 2007 e após o pico de vendas em 2011 só fazem cair. No Brasil então que - diga-se de passagem não é exatamente uma liderança em leitura de livros, de papel ou eletrônico - os e-readers só conseguiu alcançar o patamar em 76,2 mil.

Os motivos, para o fracasso da investida do e-readers começam pelo fato dos leitores não conseguirem se acostumar com a novidade. Os livros eletrônicos são frios, se comparados aos de papel, que tem, além da dimensão artística, tato e olfato, qualidades ainda muito apreciadas pelos leitores. O custo também influencia, já que se trata de um dispositivo que não será usado tão constantemente. No EUA, por exemplo, a média de leitura é de apenas 12 livros por ano. No Brasil a média é muito pior: apenas 4,96 livros lidos anualmente.

A venda dos smartphones também influenciou o mercado dos livros eletrônicos, com mais recursos que permitem uma leitura mais cômoda, com modelos inclusive dotados de telas maiores, algumas chegando a até 6 polegadas, tornando-se assim mais atraentes que os e-readers. Não é a toa que os fabricantes dos e-readers começaram a investir em aplicativos para leitura, que podem ser baixados tanto nos dispositivos móveis, como nos notebooks e PCs.

A mudança, digamos assim, de foco, está no reconhecimento de que os compradores de e-readers e um leitor voraz, que compra muitos livros, tanto os eletrônicos como os de papel. Assim, ao contrário de vítima, o livro de papel passou a conviver com o livro eletrônico. Os especialistas acreditam que o futuro dos e-readers pode estar em dois caminhos: seguir vivo, como um objeto de nicho, especifico, mas faturamento o suficiente para se manter de pé ou será vítima dos smartphones, dependendo apenas do surgimento de um celular com uma tela boa de leitura e uma configuração que desligue as notificações.

Vale aqui, para fechar, um trecho de uma entrevista do filósofo Umberto Eco, publicada no EStadão em 2010, onde defendeu o livro de papel, considerado por ele um objeto tão eterno quanto a colher, o machado e a tesoura. Ferozmente criticado na época, hoje a sua visão é a que parece mais próxima da verdade.

CLASSE MÉDIA BRASILEIRA SÓ EM 2023 VOLTA AO PATAMAR DE 2014

Nem nos bons tempos era fácil a vida da classe C
O estudo, feito pela Tendências Consultoria Integrada é uma linha do tempo é um retrato da economia brasileira. Em 2015 e 2016 as classes C e D chegaram a mais de 4 milhões de famílias e só daqui há seis anos, em 2023, poderá retomar o patamar de participação, que alcançou em 2014, quando 28% dos lares brasileiros tinham renda mensal de R$.2.302 a R$5.552.

É uma situação que se deve ao fim do crescimento econômico, puxado pela consumo e setor de serviços, que empregava principalmente mão de obra pouco qualificada, que não tem mais espaço. Em médio prazo, acredita-se que deve acontecer uma dinâmica mais concentradora de renda, segundo um dos economistas do instituto.

Já no caso da chamada classe A, a estimativa é que ele recupere os seus rendimentos mais rapidamente, nesses próximos anos. Enquanto a classe C deve crescer a uma média anual de 2.3% até 2016, já para os mais ricos a velocidade deve estar em 4,1%. Em 2013 a 2014 esse crescimento estava em cerca de 6%.

Os entraves ao crescimento da classe média é óbvio: educação que não é revertida em produtividade, crédito restrito e o fraco ambiente de negócios.  Para o economista da FGV Social, Marcelo Neri, nossa situação fiscal não comporta mais um empurrão na classe C por meios tributários. Na opinião do economista o governo precisa incentivar a necessidade de reformas e se firmar como agente regulador e não como agente que repassa recursos públicos para a população.

É esperar para ver.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

POR QUE NÓS POSTAMOS? SÉRIE MOSTRA SEMELHANÇAS ENTRE BRASIL, ÍNDIA E CHINA



Por que nós postamos? A pergunta norteou a série de livros Why we post do Departamento de Antropologia da University College London (UCL), no Reino Unido. Coordenada pelo antropólogo Daniel Miller, o esforço tem o ambicioso objetivo de mapear como as redes sociais estão mudando - e são mudadas - nos mais diferentes contextos em nove países, incluindo Brasil, China, Índia e Turquia. 
"É interessante ver como há semelhanças entre grupos culturalmente tão distantes como brasileiros, indianos e chineses, e há distancia entre brasileiros pobres e ricos quando o tema são o uso das redes sociais", diz Juliano Spyer, responsável pelo livro brasileiro do conjunto." Ele diz que, enquanto as camadas médias e as elites de alguns dos países entendem que as mídias sociais distraem seus filhos das obrigações escolares, nos setores populares de Brasil, na Índia ou na China, "ver o filho na lan house , de certo modo, representa um domínio de novas tecnologias que, para os pais, tem mais possibilidades de se converter em trabalho e dinheiro do que ir à escola." 
Todos os livros da série são gratuitos, incluindo o que faz a comparação entre os países.
Publicado por Flávia Marreiro em El País

terça-feira, 14 de novembro de 2017

AUMENTA NO BRASIL A INFLUÊNCIA DOS ROBÔS NO PROCESSO ELEITORAL

(Via CMSI - Comunicação & Marketing - Soluções Integradas - cmsi-solucoes.com)
O uso, cada vez maior de robôs nas eleições brasileiras, tem chamado a atenção de pesquisadores e alvo de estudos sobre a sua importância. A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP) tem divulgado alguns deles, uma fonte importante para entendermos como as chamadas “contas automatizadas” tem interferido com muita intensidade no debate político e no processo eleitoral. 
Essas interferências, que muitos creditavam apenas aos acontecimentos registrados em outros países, já são objeto de preocupação das autoridades brasileiras, principalmente pela possibilidade de propagação de noticias “fakes”, mas a ameaça dos robôs é bem maior que isso. E vamos vê-los atuando, queiram ou não nossas autoridades, com muito vigor nas próximas eleições.
O estudo da FGV revela que a maior ameaça das contas automatizadas está na manipulação dos debates nas redes sociais e a influência que podem exercer, levando a “audiência” a adotar até mesmo posições contrárias aos seus verdadeiros interesses. Nas últimas eleições presidenciais americanas, por exemplo, uma enorme quantidade de postagens (só possível com o auxilio das contas robôs) aparentemente geradas por eleitores de Bernie Sanders, aquela altura já derrotado, pregavam a abstenção como forma de protesto. Na verdade os posts, gerados pelos conservadores, tinham como objetivo diminuir a presença dos eleitores de Sanders, que poderiam optar pelo voto em Hillary Clinton, criando espaço mais confortável para a presença dos mais conservadores, os eleitores de Donald Trump. 
Os robôs não chegaram agora no Brasil. O estudo da FGV/DAPP demonstra que eles vem atuando mais fortemente no Brasil desde 2014, durante as eleições presidenciais, quando geraram mais de 10% dos debates nas redes. Em 2017, na greve geral de abril, foram mais de 20% das interações no Twitter, entre os usuários a favor da greve, provocadas por esse tipo de conta. 
A pesquisa da FGV/DAPP emite um alerta muito importante: “não estamos imunes aos robôs e devemos buscar entender, filtrar e denunciar o uso e a disseminação de informações falsas ou manipulativas por meio desse tipo de estratégia e tecnologia”.
O estudo leva a conclusões óbvias, mas extremamente importantes. Uma delas é que a proximidade das eleições de 2018, que definirão o próximo presidente da República, torna essencial mapear as ações dos robôs, como forma de evitar intervenções extremamente danosas e ilegítimas ao processo, como já aconteceu em inúmeros países recentemente.
Dar atenção ao perigo das contas automatizadas é importante, principalmente quando se constata que é crescente o número de pessoas que se informa por meio das redes sociais em todo o mundo. No Brasil, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, revela, por exemplo, que 49% das pessoas já se informam pela internet e que existe uma clara tendência de crescimento. É aí que atuam os robôs e, mais que isso, se proliferam.
Através da manipulação, como concluem os pesquisadores da FGV, “os robôs criam a falsa sensação de amplo apoio político a certa proposta, ideia ou figura pública, modificam o rumo de políticas públicas, interferem no mercado de ações, disseminam rumores, notícias falsas e teorias conspiratórias, geram desinformação e poluição de conteúdo, além de atrair usuários para links maliciosos que roubam dados pessoais, entre outros riscos”.
Desprezar o força, o poder e a influência dessas contas automatizadas é se entregar a manipulação, com perdas expressivas nas políticas públicas. Ainda que existam centenas de exemplos do uso positivo dos robôs no mundo online, as suas interferências no mundo da política podem muito rapidamente colocar a sociedade em situação de risco. Sem uma política intensa de fiscalização e combate as ações dos robôs, baseada no conhecimento das mais modernas tecnologias, as eleições de 2018 podem ter seus resultados manipulados, ameaçando seriamente a lisura do pleito e, o que é muito pior, ameaçando seriamente o nosso futuro.
>> Confira a íntegra do estudo em PDF
>> Leia também: Os robôs nas redes sociais, por Marco Aurelio Ruediger