terça-feira, 14 de novembro de 2017

AUMENTA NO BRASIL A INFLUÊNCIA DOS ROBÔS NO PROCESSO ELEITORAL

(Via CMSI - Comunicação & Marketing - Soluções Integradas - cmsi-solucoes.com)
O uso, cada vez maior de robôs nas eleições brasileiras, tem chamado a atenção de pesquisadores e alvo de estudos sobre a sua importância. A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP) tem divulgado alguns deles, uma fonte importante para entendermos como as chamadas “contas automatizadas” tem interferido com muita intensidade no debate político e no processo eleitoral. 
Essas interferências, que muitos creditavam apenas aos acontecimentos registrados em outros países, já são objeto de preocupação das autoridades brasileiras, principalmente pela possibilidade de propagação de noticias “fakes”, mas a ameaça dos robôs é bem maior que isso. E vamos vê-los atuando, queiram ou não nossas autoridades, com muito vigor nas próximas eleições.
O estudo da FGV revela que a maior ameaça das contas automatizadas está na manipulação dos debates nas redes sociais e a influência que podem exercer, levando a “audiência” a adotar até mesmo posições contrárias aos seus verdadeiros interesses. Nas últimas eleições presidenciais americanas, por exemplo, uma enorme quantidade de postagens (só possível com o auxilio das contas robôs) aparentemente geradas por eleitores de Bernie Sanders, aquela altura já derrotado, pregavam a abstenção como forma de protesto. Na verdade os posts, gerados pelos conservadores, tinham como objetivo diminuir a presença dos eleitores de Sanders, que poderiam optar pelo voto em Hillary Clinton, criando espaço mais confortável para a presença dos mais conservadores, os eleitores de Donald Trump. 
Os robôs não chegaram agora no Brasil. O estudo da FGV/DAPP demonstra que eles vem atuando mais fortemente no Brasil desde 2014, durante as eleições presidenciais, quando geraram mais de 10% dos debates nas redes. Em 2017, na greve geral de abril, foram mais de 20% das interações no Twitter, entre os usuários a favor da greve, provocadas por esse tipo de conta. 
A pesquisa da FGV/DAPP emite um alerta muito importante: “não estamos imunes aos robôs e devemos buscar entender, filtrar e denunciar o uso e a disseminação de informações falsas ou manipulativas por meio desse tipo de estratégia e tecnologia”.
O estudo leva a conclusões óbvias, mas extremamente importantes. Uma delas é que a proximidade das eleições de 2018, que definirão o próximo presidente da República, torna essencial mapear as ações dos robôs, como forma de evitar intervenções extremamente danosas e ilegítimas ao processo, como já aconteceu em inúmeros países recentemente.
Dar atenção ao perigo das contas automatizadas é importante, principalmente quando se constata que é crescente o número de pessoas que se informa por meio das redes sociais em todo o mundo. No Brasil, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, revela, por exemplo, que 49% das pessoas já se informam pela internet e que existe uma clara tendência de crescimento. É aí que atuam os robôs e, mais que isso, se proliferam.
Através da manipulação, como concluem os pesquisadores da FGV, “os robôs criam a falsa sensação de amplo apoio político a certa proposta, ideia ou figura pública, modificam o rumo de políticas públicas, interferem no mercado de ações, disseminam rumores, notícias falsas e teorias conspiratórias, geram desinformação e poluição de conteúdo, além de atrair usuários para links maliciosos que roubam dados pessoais, entre outros riscos”.
Desprezar o força, o poder e a influência dessas contas automatizadas é se entregar a manipulação, com perdas expressivas nas políticas públicas. Ainda que existam centenas de exemplos do uso positivo dos robôs no mundo online, as suas interferências no mundo da política podem muito rapidamente colocar a sociedade em situação de risco. Sem uma política intensa de fiscalização e combate as ações dos robôs, baseada no conhecimento das mais modernas tecnologias, as eleições de 2018 podem ter seus resultados manipulados, ameaçando seriamente a lisura do pleito e, o que é muito pior, ameaçando seriamente o nosso futuro.
>> Confira a íntegra do estudo em PDF
>> Leia também: Os robôs nas redes sociais, por Marco Aurelio Ruediger

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

DESAPROVAÇÃO AOS POLÍTICOS PAROU DE CRESCER?


Mais uma pesquisa na praça, esta do instituto Ipsos revela que a desaprovação aos políticos está começando a dar sinais de refluxo.
Em alguns casos, como nas taxas de Geraldo Alckmin e Marina Silva, a redução na desaprovação é bastante significativa. Nos demais existe uma oscilação, ainda que não tão expressivas, mas só as próximas pesquisas poderão indicar se esses resultados são uma tendência ou apenas um resultado pontual.

Uma das teses levantadas atribui essa possível tendência à constatação, por parte do eleitorado, de que serão mesmo esses os nomes dos candidatos a presidente em 2018. E como um nome “fora da política”, um “salvador da pátria”, que seria o objeto de desejo da sociedade não apareceu e nem dá sinais de quem venha a acontecer, as pessoas estariam olhando o que existe de disponível, com um olhar mais realista e menos romântico.

Essa é mais ou menos a teoria do diretor do Ipsos, Danilo Cersosimo, que acredita na possibilidade dos eleitores estarem  começando a sair do sentimento de indignação para o resignação. É possível, mas uma olhada mais rigorosa dos números revela que ainda é cedo para uma aposta segura nessa teoria.

Seja como for, nem todos os pesquisados tiveram a sorte de uma pequena oscilação, para melhor, nas suas taxas de rejeição. Pelo contrário. O senador Aécio Neves bateu recordes negativos, quase um unanimidade, com nada menos que 93% de rejeição.  O ministro do Supremo, Gilmar Mendes, está entre os menos cotados, em curva ascendente, com 75%. Temer ainda lidera o time com 95%.


De uma forma geral o pessoal do PSDB, da Rede e do PT, têm o que comemorar com essa pesquisa do Ipsos. Alckmin viu cair a sua desaprovação de 75% para 67% e Serra de 80% para 75%. Lula viu seu índice de aprovação oscilar positivamente de 40% para 41%, a mais alta da série histórica do Ipsos, com a desaprovação oscilando de 59% para 58%. Ainda que dentro da margem de erro, mostra, pelo menos estabilidade. Marina Silva, que anda escondida, vem crescendo, de forma significativa, passando de 21% para 36%, com uma queda 11% nas suas taxas de desaprovação.   
Outro, que teve queda significativa foi o Bolsonaro, de 63% para 55%.

Em contraponto, vários especialistas da área de pesquisas, ainda que a boca pequena, têm feito críticas a essas pesquisas realizadas pelos grandes institutos. Um dos argumentos é que ainda é muito cedo para que essas pesquisas de intenção de voto reflitam de alguma forma a realidade e, que o mais sensato e útil, é investigar, neste momento, o que vai na cabeça do eleitorado. Alguns mais radicais põem em cheque também os questionários,  que estariam induzindo resultados. Se tem razão ou não, só o tempo nos dirá.


E TEMER, ACREDITE, FICOU POPULAR


 Não é piada nem notícia fake. Temer “bombou” no Google Trends. Desde o impeachment não havia tanta gente procurando por Temer no Google. E sim, nada a ver com o julgamento, pelo Congresso, das denúncias contra o presidente. Os internautas queriam saber de outro assunto e as buscas foram, em primeiro lugar para “Michel Temer passa mal”; “Michel Temer internado” em segundo, seguidos por “idade”, “hospital” , “saúde Temer” e ainda, graças ao grupo de sempre que vai atrás de qualquer notícia fake, “Temer morre”.

O pico de “popularidade” deve-se à forma amadora com que a comunicação do Planalto tratou o assunto. Primeiro deixando que a notícia fosse dada como um “furo”, depois permitindo que ela fosse tratada como boato. Auxiliares do presidente trataram o assunto com adjetivos genéricos, tipo “mal estar” e até “procedimentos de rotina”. Os nobres profissionais e políticos próximos pareciam ter esquecido que a saúde de um presidente não é um assunto privado, muito pelo contrário, interessa a todo o país. Só bem mais tarde, quando Temer, coitado, já bombava no Google, resolveram dar uma nota oficial, ainda que apelando para terminologia médica.

Para os mais velhos, impossível não lembrar de episódio que começou assim, meio banal, com uma “internação de rotina do presidente recém eleito, Tancredo Neves, que terminou, tragicamente com a sua morte, lembrança estimulada pelos repetidos erros de comunicação que costumam ser cometidos pelos profissionais palacianos, sempre que os eventos saiam da confortável rotina.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ELEICÕES, ARTE, MORAL E BONS COSTUMES: TUDO JUNTO E MISTURADO.


Ao que tudo indica as próximas eleições serão mesmo polarizadas.
E a moral e os chamados “bons costumes” estarão presentes, nas suas mais diversas áreas e temas. Basta ver como repercutiram as postagens dos políticos que se expressaram de forma categórica, nas suas redes sociais, sobre exposições de arte em São Paulo e Porto Alegre, conquistando um expressivo engajamento dos seus públicos.

2o. colocado
Entre os possíveis presidenciáveis Bolsonaro foi o que maior proveito (em números) da polêmica. Foram nada menos que 348.721 as interações e 37,540 em comentários, compartilhamentos e reações em cliques em símbolos de apoio ou contrariedade. O segundo colocado foi o João Doria, com 104.142 e 12.312. Em terceiro Ronaldo Caiado com 82.103 e 5.413. 

O MAN não é meu
Ciro: contra a "censura"
Geraldo Alckmin, que se esquivou da discussão alegando que o Museu de Arte Moderna, o MAN não tem nada a ver com a exposição e Ciro Gomes, que publicou vídeos com professor de arte com críticas a “censura” da exposição em Porto Alegre ficou com 2.407 de interações e apenas 1.917 como média em comentários e reações em cliques.

Bolsonaro, Doria, Caiado usaram termos fortes para se posicionarem contra uma performance no MAN, com um modelo nu interagindo com uma criança e a exposição (Queermuseu) sobre diversidade sexual exibida inicialmente em Porto Alegre, patrocinada pelo Santander, que a cancelou diante das críticas e protestos.

Algumas coisas são certas: temas como direito de aborto, políticas de gênero, descriminalização de drogas, homofobias e tudo o mais que se relacione com a moral e os chamados bons costumes vão estar presentes, misturados com economia, impostos, politicas de saúde, previdência social e educação, entre outros na campanha para as eleições do próximo ano

Especialistas em marketing e cientistas políticos veem a inclusão desses temas na agenda política, como resultado do desencanto com a política e o período de incertezas em que vive a sociedade brasileira. Desta forma, o eleitor termina identificando-se com políticos cuja temática, além de familiar, combine com seus mais recônditos conceitos, principalmente quando outras questões, como a economia, estão muito longe das suas possibilidade de influir.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

PESQUISAS, AH AS PESQUISAS (AGAIN AND AGAIN)



Os últimos dias foram pródigos em pesquisas, de intenção de voto e avaliação, ainda que por vias transversas, de governo. Tivemos a da CNT, do Ipsos, do Poder360, da Folha, do Ibope... em todas elas o que mais chama a atenção é a rejeição a todo mundo. Sobrou até pro Luciano Huck e a recém empossada Procuradora Geral da República, Raquel Dodge. E o Temer, coitado, está prestes a se transformar na unanimidade da rejeição.

O problema, sempre tem um problema, é que pesquisas que misturam opinião sobre desempenho dos políticos com intenção de voto, levam – muitas e muitas vezes – o entrevistado a responder como se estivesse avaliando um candidato. É difícil de acreditar que o Brasil inteiro é contra o presidente e que a PGR, que sequer completou duas semanas no cargo, já carregue a rejeição de mais de 40% dos brasileiros.

A bem da verdade Temer, ao tomar posse como presidente interino, não era exatamente um campeão de popularidade. Na época contava com o apoio de apenas 13%, em pesquisa do Ibope, contra 39% dos que já o consideravam um presidente ruim. É preciso mais análise para entender os motivos de tamanha rejeição, considerando-se que em um pouco mais de um ano, sob o seu governo a taxa de juros recuou  em praticamente à metade, a inflação caiu de 9,28% para apenas 3%, a produção industrial e as vendas do varejo aumentaram e até o desemprego, ainda que lentamente, passou a dar sinais de recuperação, com novas contratações sendo registradas mês a mês.

O caso da PGR é ainda mais curioso. A procuradora fez apenas uns dois ou três discursos, absolutamente protocolares, até a data do fechamento das pesquisas, nada justificando tão alto índice de rejeição. A de Luciano Huck é outra mal explicada. O apresentador é o típico bom moço, bem casado, não se mete em encrenca e até tem aparecido em pesquisas de outros institutos como o segundo colocado em intenções de voto para presidente, logo atrás de Joaquim Barbosa.
Outra possibilidade, ainda que apenas uma impressão, é que cada um desses institutos esteja servindo a causas não muito republicanas.

O que se pode concluir, talvez, é que a irritação dos brasileiros com os políticos e a política, insuflada, é bom que fique claro pela mídia, principalmente a televisa, pode ter chegado ao máximo, voltando-se contra qualquer que se apresente como ligado ao sistema, à política.

Sempre que qualquer notícia boa é conhecida, ouve-se, assiste-se, a ressalva: apesar da política, apesar do Congresso, apesar dos políticos... Estão todos prestando um perigosíssimo favor ao populismo, às ideias do atraso, as soluções de força. Sem a política, sem os políticos, gostemos ou não dos que aí estão, neste momento, não existe democracia, não existe liberdade. Além disso, é bom não esquecer, que essa turma aí não foi colocada lá pelos marcianos. Todos foram eleitos, foram postos nos cargos que ocupam, pela força do voto. Os brasileiros os elegeram. Cabe aos brasileiros, pela força do voto, fazer a renovação que acharem necessário. Unicamente pelo voto, unicamente de acordo com as suas consciências e convicções. E, por favor, não deleguem essa função para os nobres ocupantes do Judiciário


terça-feira, 26 de setembro de 2017

AS PESQUISAS, AH AS PESQUISAS....



É só sair uma dessas pesquisas de intenção de voto, que começam as especulações e as interpretações, a maioria delas equivocadas. Vejamos as últimas três  recentemente divulgadas:  da CNT, do Poder360 e do Ipsos.

Todas as atenções voltadas para o fato de Lula continuar na liderança, com cerca de 30% das intenções e Bolsonaro “na cola” com 20% e em franco crescimento. Daí para dar como certo que os dois já tem um lugar assegurado num hipotético segundo turno é um pulo e que não é, em absoluto verdadeiro. Já a do Ipsos, a mais recente, o que chama a atenção é o “todo mundo” com percentuais altíssimos de rejeição. Não escapa ninguém, nem mesmo a nova PGR, Raquel Dodge, que em menos de uma semana de função já chegou a casa dos 46% de rejeição.

Esquecem, no caso da CNT, principalmente os jornalistas e os comentaristas políticos, dos outros dados da pesquisa, tão o mais importante que o fato de fulano ou beltrano estarem em primeiro ou segundo lugar. Se somados as intenções de votos nesses dois, temos 50%. Os dois quartos restantes são ocupados por todos os demais presidenciáveis colocados, que juntos somam 25% das intenções e, o que é mais interessante, temos no outro quarto o pessoal que não pretende votar em nenhum deles. Está aí algo bem interessante, um enorme contingente de eleitores que eventualmente podem ser motivados por algum candidato. Um outsider? Talvez.

REJEIÇÃO NAS NUVENS PRA TODO MUNDO

Mas as tabelas mais reveladores do humor do eleitorado e do quanto vão ter que ralar os candidatos, são as dos números da rejeição. Praticamente todos estão lá pelos 50%, na pesquisa da CNT. Da turma que afirma não votar de jeito nenhum nos presidenciáveis que se apresentaram. Incluídos aí os dois que lideram a pesquisa.

A pesquisa do Poder360 é telefônica, o que exclui todos os que não possuem celular e mais um tanto de gente que não interage com gravações, revela que Lula depois de oscilar positivamente, de 26% para 32% teria retornado ao 27% tão logo acabou a caravana pelo Nordeste e o ex-presidente retornado ao noticiário negativo com as suas audiências com o juiz Sérgio Moro.
Na do Ipsos, onde todo mundo é rejeitado, o Lula obteve sinais positivos. O percentual dos não concordam com a atuação do ex-presidente caiu de 66% para 59% e a parcela que o aprova teria subido espetacularmente de 32% para 40%.

Ou seja, tem números para agradar e desagradar a Deus e o mundo.
Apenas uma coisa é comum a todas elas. O distinto público está com muita, muita má vontade com relação a todos os atores da vida pública. Basta aparecer, ser cogitado para alguma coisa, que lá vem a avaliação negativa.

CANDIDATURAS AVULSAS

A conclusão é das mais óbvias: serão eleições difíceis, muito difíceis para todo mundo, com exceção, talvez para algum outsider que apareça por aí. Mas mesmo assim, tão logo se apresente atrairá desconfianças e rejeição, principalmente se vier atrelado a algum dos partidos que estão na mira da sociedade. O melhor dos mundos para esse “senhor(a) desconhecido(a)” seria a candidatura independente. A possibilidade talvez exista. O ministro Barroso, do Supremo liberou para julgamento uma ação sobre a possibilidade de pessoas sem filiação partidária concorrerem em eleições.

De resto espera-se, seja lá de quem for, um projeto de nação, coisa que até agora os presidenciáveis postos não apresentaram. Cientistas políticos acreditam que nas próximas eleições o voto será mais conservador e que o eleitor será, também, mais exigente. Ou seja, não vai adiantar sair por aí dizendo que vai resolver tudo na base da truculência que não vai adiantar. Os próximos meses serão bastante decisivos para ver que tem fôlego para continuar na disputa e se este tal de “desconhecido apartidário” aparecerá e será convincente. A ver.

sábado, 16 de setembro de 2017

BRASIL É CAMPEÃO MUNDIAL EM REFORMAS POLÍTICAS



Fala-se tanto de reforma política atualmente, que ficamos com a impressão de que se trata não só de uma grande novidade, como também  que ela seja capaz, como num passe de mágica, acabar de vez com todos com os nossos problemas relacionados com as eleições e a representatividade, tanto do legislativo como do executivo. E, desta vez, pretende-se inclusive incluir o judiciário.

Todos parecem esquecidos de que somos verdadeiros campeões em reformas políticas e que, na verdade, a média nacional é de uma minirreforma a cada 18 meses, começando em 1993, quando acabou o prazo para a implantação das disposições transitórias da Constituição de 1988.

E mais: todas essas alterações foram feitas sempre em véspera de ano eleitoral, atendendo às circunstâncias do momento, perfazendo nada menos que 14 alterações importantes ao longo de 22 anos, noves fora as menos relevantes. Basicamente todas elas revelam conveniências eleitorais do momento e a busca pura e simples de sobrevivência política.

Para os maior interessado, o distinto público, fica a confusão na hora de votar, sem que ninguém conheça de fato quais são as regras e o destino real do voto, principalmente nas eleições proporcionais, onde – no modelo atual, por exemplo – é possível eleger um determinado candidato votando em outro.

Neste momento um dos problemas que mais chama a atenção é de onde virá e de quanto será o dinheiro para financiar as campanhas. Mas uma série de outros estão na fila dos que serão votados/decididos por uma classe política fragilizada, acuada pelo judiciário e desacreditada pela maioria da população.

Nesse ambiente o mais provável e que, mais um vez, sejam feitas mudanças de afogadilho, que serão revistas, num ciclo vicioso, em 2020. E assim prosseguiremos, testando e mudando a legislação a cada nova eleição.

Além disso, a ingerência, cada vez maior, do Judiciário no assunto também não ajuda, ainda que boa parte dela seja provocada pelos políticos que recorrem a Justiça para resolver questões que deveriam solucionadas politicamente.

O mais sensato seria discutir projetos de reformas políticas como plataformas/propostas, a serem apresentadas e discutidas na próxima campanha de 2018. Temas fundamentais como coligações, número de agremiações partidárias,  financiamento (público, privado ou misto), formato de campanhas, voto obrigatório etc., etc. deveriam ser discutidos e aprovados ou não pela população, afinal ninguém sabe ao certo o que desejam os eleitores.

Distritão, distrital misto, financiamento público, na casa dos bilhões, 27 artigos, alterados há 2 anos, que estão de volta, entre muitos outros que estão sendo discutidos no Congresso, podem fazer suas estreias no próximo pleito. São mudanças  que terão de ser bem explicadas aos eleitores, cuja boa vontade com os políticos está no rés do chão.

É esse o clima que os candidatos terão que enfrentar.
Ou seja não será uma eleição fácil para ninguém.