segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ELEICÕES, ARTE, MORAL E BONS COSTUMES: TUDO JUNTO E MISTURADO.


Ao que tudo indica as próximas eleições serão mesmo polarizadas.
E a moral e os chamados “bons costumes” estarão presentes, nas suas mais diversas áreas e temas. Basta ver como repercutiram as postagens dos políticos que se expressaram de forma categórica, nas suas redes sociais, sobre exposições de arte em São Paulo e Porto Alegre, conquistando um expressivo engajamento dos seus públicos.

2o. colocado
Entre os possíveis presidenciáveis Bolsonaro foi o que maior proveito (em números) da polêmica. Foram nada menos que 348.721 as interações e 37,540 em comentários, compartilhamentos e reações em cliques em símbolos de apoio ou contrariedade. O segundo colocado foi o João Doria, com 104.142 e 12.312. Em terceiro Ronaldo Caiado com 82.103 e 5.413. 

O MAN não é meu
Ciro: contra a "censura"
Geraldo Alckmin, que se esquivou da discussão alegando que o Museu de Arte Moderna, o MAN não tem nada a ver com a exposição e Ciro Gomes, que publicou vídeos com professor de arte com críticas a “censura” da exposição em Porto Alegre ficou com 2.407 de interações e apenas 1.917 como média em comentários e reações em cliques.

Bolsonaro, Doria, Caiado usaram termos fortes para se posicionarem contra uma performance no MAN, com um modelo nu interagindo com uma criança e a exposição (Queermuseu) sobre diversidade sexual exibida inicialmente em Porto Alegre, patrocinada pelo Santander, que a cancelou diante das críticas e protestos.

Algumas coisas são certas: temas como direito de aborto, políticas de gênero, descriminalização de drogas, homofobias e tudo o mais que se relacione com a moral e os chamados bons costumes vão estar presentes, misturados com economia, impostos, politicas de saúde, previdência social e educação, entre outros na campanha para as eleições do próximo ano

Especialistas em marketing e cientistas políticos veem a inclusão desses temas na agenda política, como resultado do desencanto com a política e o período de incertezas em que vive a sociedade brasileira. Desta forma, o eleitor termina identificando-se com políticos cuja temática, além de familiar, combine com seus mais recônditos conceitos, principalmente quando outras questões, como a economia, estão muito longe das suas possibilidade de influir.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

PESQUISAS, AH AS PESQUISAS (AGAIN AND AGAIN)



Os últimos dias foram pródigos em pesquisas, de intenção de voto e avaliação, ainda que por vias transversas, de governo. Tivemos a da CNT, do Ipsos, do Poder360, da Folha, do Ibope... em todas elas o que mais chama a atenção é a rejeição a todo mundo. Sobrou até pro Luciano Huck e a recém empossada Procuradora Geral da República, Raquel Dodge. E o Temer, coitado, está prestes a se transformar na unanimidade da rejeição.

O problema, sempre tem um problema, é que pesquisas que misturam opinião sobre desempenho dos políticos com intenção de voto, levam – muitas e muitas vezes – o entrevistado a responder como se estivesse avaliando um candidato. É difícil de acreditar que o Brasil inteiro é contra o presidente e que a PGR, que sequer completou duas semanas no cargo, já carregue a rejeição de mais de 40% dos brasileiros.

A bem da verdade Temer, ao tomar posse como presidente interino, não era exatamente um campeão de popularidade. Na época contava com o apoio de apenas 13%, em pesquisa do Ibope, contra 39% dos que já o consideravam um presidente ruim. É preciso mais análise para entender os motivos de tamanha rejeição, considerando-se que em um pouco mais de um ano, sob o seu governo a taxa de juros recuou  em praticamente à metade, a inflação caiu de 9,28% para apenas 3%, a produção industrial e as vendas do varejo aumentaram e até o desemprego, ainda que lentamente, passou a dar sinais de recuperação, com novas contratações sendo registradas mês a mês.

O caso da PGR é ainda mais curioso. A procuradora fez apenas uns dois ou três discursos, absolutamente protocolares, até a data do fechamento das pesquisas, nada justificando tão alto índice de rejeição. A de Luciano Huck é outra mal explicada. O apresentador é o típico bom moço, bem casado, não se mete em encrenca e até tem aparecido em pesquisas de outros institutos como o segundo colocado em intenções de voto para presidente, logo atrás de Joaquim Barbosa.
Outra possibilidade, ainda que apenas uma impressão, é que cada um desses institutos esteja servindo a causas não muito republicanas.

O que se pode concluir, talvez, é que a irritação dos brasileiros com os políticos e a política, insuflada, é bom que fique claro pela mídia, principalmente a televisa, pode ter chegado ao máximo, voltando-se contra qualquer que se apresente como ligado ao sistema, à política.

Sempre que qualquer notícia boa é conhecida, ouve-se, assiste-se, a ressalva: apesar da política, apesar do Congresso, apesar dos políticos... Estão todos prestando um perigosíssimo favor ao populismo, às ideias do atraso, as soluções de força. Sem a política, sem os políticos, gostemos ou não dos que aí estão, neste momento, não existe democracia, não existe liberdade. Além disso, é bom não esquecer, que essa turma aí não foi colocada lá pelos marcianos. Todos foram eleitos, foram postos nos cargos que ocupam, pela força do voto. Os brasileiros os elegeram. Cabe aos brasileiros, pela força do voto, fazer a renovação que acharem necessário. Unicamente pelo voto, unicamente de acordo com as suas consciências e convicções. E, por favor, não deleguem essa função para os nobres ocupantes do Judiciário


terça-feira, 26 de setembro de 2017

AS PESQUISAS, AH AS PESQUISAS....



É só sair uma dessas pesquisas de intenção de voto, que começam as especulações e as interpretações, a maioria delas equivocadas. Vejamos as últimas três  recentemente divulgadas:  da CNT, do Poder360 e do Ipsos.

Todas as atenções voltadas para o fato de Lula continuar na liderança, com cerca de 30% das intenções e Bolsonaro “na cola” com 20% e em franco crescimento. Daí para dar como certo que os dois já tem um lugar assegurado num hipotético segundo turno é um pulo e que não é, em absoluto verdadeiro. Já a do Ipsos, a mais recente, o que chama a atenção é o “todo mundo” com percentuais altíssimos de rejeição. Não escapa ninguém, nem mesmo a nova PGR, Raquel Dodge, que em menos de uma semana de função já chegou a casa dos 46% de rejeição.

Esquecem, no caso da CNT, principalmente os jornalistas e os comentaristas políticos, dos outros dados da pesquisa, tão o mais importante que o fato de fulano ou beltrano estarem em primeiro ou segundo lugar. Se somados as intenções de votos nesses dois, temos 50%. Os dois quartos restantes são ocupados por todos os demais presidenciáveis colocados, que juntos somam 25% das intenções e, o que é mais interessante, temos no outro quarto o pessoal que não pretende votar em nenhum deles. Está aí algo bem interessante, um enorme contingente de eleitores que eventualmente podem ser motivados por algum candidato. Um outsider? Talvez.

REJEIÇÃO NAS NUVENS PRA TODO MUNDO

Mas as tabelas mais reveladores do humor do eleitorado e do quanto vão ter que ralar os candidatos, são as dos números da rejeição. Praticamente todos estão lá pelos 50%, na pesquisa da CNT. Da turma que afirma não votar de jeito nenhum nos presidenciáveis que se apresentaram. Incluídos aí os dois que lideram a pesquisa.

A pesquisa do Poder360 é telefônica, o que exclui todos os que não possuem celular e mais um tanto de gente que não interage com gravações, revela que Lula depois de oscilar positivamente, de 26% para 32% teria retornado ao 27% tão logo acabou a caravana pelo Nordeste e o ex-presidente retornado ao noticiário negativo com as suas audiências com o juiz Sérgio Moro.
Na do Ipsos, onde todo mundo é rejeitado, o Lula obteve sinais positivos. O percentual dos não concordam com a atuação do ex-presidente caiu de 66% para 59% e a parcela que o aprova teria subido espetacularmente de 32% para 40%.

Ou seja, tem números para agradar e desagradar a Deus e o mundo.
Apenas uma coisa é comum a todas elas. O distinto público está com muita, muita má vontade com relação a todos os atores da vida pública. Basta aparecer, ser cogitado para alguma coisa, que lá vem a avaliação negativa.

CANDIDATURAS AVULSAS

A conclusão é das mais óbvias: serão eleições difíceis, muito difíceis para todo mundo, com exceção, talvez para algum outsider que apareça por aí. Mas mesmo assim, tão logo se apresente atrairá desconfianças e rejeição, principalmente se vier atrelado a algum dos partidos que estão na mira da sociedade. O melhor dos mundos para esse “senhor(a) desconhecido(a)” seria a candidatura independente. A possibilidade talvez exista. O ministro Barroso, do Supremo liberou para julgamento uma ação sobre a possibilidade de pessoas sem filiação partidária concorrerem em eleições.

De resto espera-se, seja lá de quem for, um projeto de nação, coisa que até agora os presidenciáveis postos não apresentaram. Cientistas políticos acreditam que nas próximas eleições o voto será mais conservador e que o eleitor será, também, mais exigente. Ou seja, não vai adiantar sair por aí dizendo que vai resolver tudo na base da truculência que não vai adiantar. Os próximos meses serão bastante decisivos para ver que tem fôlego para continuar na disputa e se este tal de “desconhecido apartidário” aparecerá e será convincente. A ver.

sábado, 16 de setembro de 2017

BRASIL É CAMPEÃO MUNDIAL EM REFORMAS POLÍTICAS



Fala-se tanto de reforma política atualmente, que ficamos com a impressão de que se trata não só de uma grande novidade, como também  que ela seja capaz, como num passe de mágica, acabar de vez com todos com os nossos problemas relacionados com as eleições e a representatividade, tanto do legislativo como do executivo. E, desta vez, pretende-se inclusive incluir o judiciário.

Todos parecem esquecidos de que somos verdadeiros campeões em reformas políticas e que, na verdade, a média nacional é de uma minirreforma a cada 18 meses, começando em 1993, quando acabou o prazo para a implantação das disposições transitórias da Constituição de 1988.

E mais: todas essas alterações foram feitas sempre em véspera de ano eleitoral, atendendo às circunstâncias do momento, perfazendo nada menos que 14 alterações importantes ao longo de 22 anos, noves fora as menos relevantes. Basicamente todas elas revelam conveniências eleitorais do momento e a busca pura e simples de sobrevivência política.

Para os maior interessado, o distinto público, fica a confusão na hora de votar, sem que ninguém conheça de fato quais são as regras e o destino real do voto, principalmente nas eleições proporcionais, onde – no modelo atual, por exemplo – é possível eleger um determinado candidato votando em outro.

Neste momento um dos problemas que mais chama a atenção é de onde virá e de quanto será o dinheiro para financiar as campanhas. Mas uma série de outros estão na fila dos que serão votados/decididos por uma classe política fragilizada, acuada pelo judiciário e desacreditada pela maioria da população.

Nesse ambiente o mais provável e que, mais um vez, sejam feitas mudanças de afogadilho, que serão revistas, num ciclo vicioso, em 2020. E assim prosseguiremos, testando e mudando a legislação a cada nova eleição.

Além disso, a ingerência, cada vez maior, do Judiciário no assunto também não ajuda, ainda que boa parte dela seja provocada pelos políticos que recorrem a Justiça para resolver questões que deveriam solucionadas politicamente.

O mais sensato seria discutir projetos de reformas políticas como plataformas/propostas, a serem apresentadas e discutidas na próxima campanha de 2018. Temas fundamentais como coligações, número de agremiações partidárias,  financiamento (público, privado ou misto), formato de campanhas, voto obrigatório etc., etc. deveriam ser discutidos e aprovados ou não pela população, afinal ninguém sabe ao certo o que desejam os eleitores.

Distritão, distrital misto, financiamento público, na casa dos bilhões, 27 artigos, alterados há 2 anos, que estão de volta, entre muitos outros que estão sendo discutidos no Congresso, podem fazer suas estreias no próximo pleito. São mudanças  que terão de ser bem explicadas aos eleitores, cuja boa vontade com os políticos está no rés do chão.

É esse o clima que os candidatos terão que enfrentar.
Ou seja não será uma eleição fácil para ninguém.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ESTÁ NA HORA DOS BONS MOSTRAREM "O SEU VALOR"

 
“Tem esquema em todo lugar: na universidade, nos bombeiros, no Legislativo, no Executivo, na iniciativa privada...”O lamento está, hoje, no Fórum dos Leitores do Estadão. (Eu acrescentaria no Judiciário...) Mas esse é o tipo de lamento/constatação, que se constitui no maior dos perigos que ameaçam o País.

Ladroagem e “esquemas” existem em todos os segmentos das sociedades, modernas ou não, em qualquer lugar do planeta. A diferença está na impunidade e no grau de contaminação, do controle que possam exercer sobre a população.

Denúncias de toda a sorte, prisões de figurões até bem pouco tempo tidos com intocáveis, delações, premiadas ou não a roldo, depoimentos teatrais de condenados... todos os dias somos surpreendidos por toda sorte de “mal feitos”, cada um mais espetaculoso, mais grave e insuspeitado que os outros.

Com isso vamos concluindo, com uma ajudinha dos meios de comunicação e seus comentaristas especializados, que ninguém presta, que a prática de crimes, nos seus mais variados graus, é uma característica inata da política e dos políticos e, o que é bem pior, que a corrupção é algo entranhado na sociedade brasileira, onde apenas a oportunidade de cometer delitos separa os honestos dos desonestos.

Por tudo isso está mais que na hora das pessoas de bem, dos políticos honestos (sim, eles existem sim senhor), saírem da toca, transformarem a vergonha e o medo em esperança real para o País. Sim, País com letra maiúscula mesmo.

A descrença total na política e nos políticos costuma levar à ditaduras. Não importa se da direita ou da esquerda, populistas ou não. A democracia, para sobreviver, precisa da política e dos políticos. E ela, neste momento do Brasil, precisa de uma renovação total.
 
Não é a toa que começam a surgir outsiders, dispostos a concorrer em todos os cargos eletivos, cuja plataforma principal está no fato de não serem políticos, de não praticarem a política tradicional.

São bem-vindos, sem dúvida nenhuma, como um fator de renovação necessário. Mas o fato de serem apenas outsiders, neste momento, não é uma credencial completa e definitiva para que ocupem cargos, relevantes ou não. 

O Brasil precisa de pessoas, de políticos, novos ou velhos, que tenham projetos, que defendam causas, capazes de mobilizar a sociedade.

E essas pessoas, esses políticos precisam dialogar e muito com a sociedade. Menos falatórios sobre quem são e mais ideias para serem discutidas. As redes sociais estão aí e são um ótimo instrumento para oxigenação do debate, sobre os caminhos que devemos trilhar, para sair desse atoleiro e chegarmos ao lugar que merecemos entre as demais nações do planeta.

E a hora é essa. Quem se atrasar vai perde o bonde da história

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

BOLSONARO LIDERA NO FACEBOOK. MUITO BEM. E DAÍ?


Bolsonaro é líder disparado nas interações no Facebook, com a página que gera mais compartilhamentos, comentários e reações, com nada menos que 93,4 millhões de interações com usuários, desde janeiro de 2014. Lula vinha em segundo lugar, com 66,4 milhões, mas perdeu o posto para o prefeito de São Paulo, João Doria.

A página de Bolsonaro tem mais seguidores do que as de todos os seus rivais na disputa para a presidência desde março de 2016. Eles somam 4,5 milhões contra os 3 milhões da de Lula. E mais o Facebook de Bolsonaro é mais constante e orgânica que os da maioria dos seus adversários, que registram crescimentos abruptos de uma vez para o outro, um sinal de que foram “bombadas” profissionalmente.

Bolsonaro distingue-se também pelo uso intensivo de vídeos. Nenhum dos seus adversários publicou mais vídeos do que ele, que já foram assistidos por 740 milhões de vezes. O candidato é líder também em reações (64 milhões), mais comentários (5,7 milhões) e compartilhamentos (24 milhões).

É certo que boa parte das reações (comentários) é negativa, mas é óbvio que os números indicam sem sombra de dúvida que – ao contrário dos seus adversários – Bolsonaro tem uma militância digital muito mais aguerrida e atuante.

O que isso significa de verdade para a transformação dessas interações e numero de seguidores em votos reais no mundo off-line só as urnas dirão com certeza. Mas é fato verdadeiro que – sejam quais forem os resultados – quem desejar fazer uma boa campanha não pode desprezar as redes sociais e muito menos usa-las amadoristicamente, sem a ajuda de profissionais da área.

(Números extraídos de reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 21 de agosto).



terça-feira, 18 de julho de 2017

AS TRÊS NARRATIVAS, RUINS, DA CRISE

Para “explicar” a crise e tentar arregimentar adeptos, as maiores correntes politicas do país oferecem três narrativas sem nenhuma proposta realista para o futuro ou indicação de rumos, centradas, todas três, na sobrevivência de curto ou- no máximo – de médio prazo.

Duas dessas narrativas são praticamente idênticas. Fui condenado e/ou estou sendo processado sem provas, ao contrário do meu adversário, acusado/condenado com base em fatos robustos e verdadeiros. A diferença é um já estar condenado e outro, por enquanto, apenas processado. A terceira é da turma do PSDB, cujo presidente também está na mira da Justiça, que não sabe se fica ou sai do Governo e não oferece aos seus eleitores nenhuma leitura realista e do interesse da população/eleitorado para a crise.

A vitimização esgrimida pelo PT e seus aliados é coerente com o momento, mas não pode estender-se ao infinito e além. Serve para energizar a militância, tentar despertar solidariedade, mas é um discurso datado, com prazo de validade e dependente do julgamento do Lula, na segunda instância. Falta a narrativa um projeto de superação da crise que vá além do recall, retomada, dos tempos positivos da primeira gestão do Lula. O ex-presidente aliás já se deu conta disso e inseriu no seu discurso os “bons tempos” das suas gestões, principalmente a primeira, embutindo a promessa de que eles podem voltar, com a sua volta a Presidência.

A defesa do Temer é semelhante, ainda que sem a ênfase na vitimização. O presidente quer se contrapor as denúncias, realçando as conquistas do seu curto governo e com a necessidade de mudar o foco para a aprovação das necessárias reformas para tirar o país da crise. Resta saber se as vitórias políticas que conseguiu até agora no Congresso serão repetidas na volta do recesso e o apoio que possui se manterá quando novas denuncias do PGR forem apresentadas.


No PSDB a liderança tradicional é sacudida do muro no qual sempre se refugia, por figuras novas, outras nem tanto, que desejam se desligar do governo, mas cujas propostas se resumem ao vago “apoio às reformas”, com ou sem Temer. Com o seu presidente e presidenciável maior, também abatido pelas acusações do PGR, afastado “provisoriamente” do cargo,  o que sobra são as indefinições de sempre. A exceção agora é que a briga interna está chegando às ruas, onde entram inclusive a pressão pela indicação do seu candidato às próximas eleições, vivenciando uma crise declarada, que não fazia parte, até agora, do seu modelo tradicional.

Correndo por fora temos o pessoal mais a direita, neste momento capitaneada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, que muitos apostam que não chega nem ao segundo turno, mas é sempre bom lembrar de exemplos recentes, de candidatos que ninguém apostava e que foram eleitos. Creio que Trump basta.  Os demais, Ciro Gomes, Marina Silva e etc., permanecem lá atrás, sem muita perspectiva e pior, sem um discurso que entusiasme o eleitorado.

O distinto público, os eleitores, por enquanto, pelo menos, não parecem se entusiasmar com nenhuma dessas narrativas ou personagens. Lula continua na dianteira das pesquisas com o seu piso tradicional de 30%. Até quando depende muito mais do Judiciário do que de qualquer outra coisa. 

A economia dá sinais cambaleantes de melhora, mas nada que entusiasme, muito menos aos milhões de desempregados. As panelas estão mudas, as manifestações a esquerda ou a direita, restritas as torcidas organizadas.

Por enquanto é torcer para que apareça algo melhor do que está colocado e nos dê esperanças de dias realmente melhores