quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Como já aconteceu com outros veículos e meios de informação a morte do livro de papel foi anunciada há mais ou menos uma década. O assassino seria o livro eletrônico, o tal e-reader, que levaria as pessoas a abandonar os livros de papel. Contra todas as expectativa o livro de papel permanece firme e gozando de boa saúde.

Segundo a consultoria Euromonitor, mais de 130 milhões de aparelhos foram vendidos mundo afora desde 2007 e após o pico de vendas em 2011 só fazem cair. No Brasil então que - diga-se de passagem não é exatamente uma liderança em leitura de livros, de papel ou eletrônico - os e-readers só conseguiu alcançar o patamar em 76,2 mil.

Os motivos, para o fracasso da investida do e-readers começam pelo fato dos leitores não conseguirem se acostumar com a novidade. Os livros eletrônicos são frios, se comparados aos de papel, que tem, além da dimensão artística, tato e olfato, qualidades ainda muito apreciadas pelos leitores. O custo também influencia, já que se trata de um dispositivo que não será usado tão constantemente. No EUA, por exemplo, a média de leitura é de apenas 12 livros por ano. No Brasil a média é muito pior: apenas 4,96 livros lidos anualmente.

A venda dos smartphones também influenciou o mercado dos livros eletrônicos, com mais recursos que permitem uma leitura mais cômoda, com modelos inclusive dotados de telas maiores, algumas chegando a até 6 polegadas, tornando-se assim mais atraentes que os e-readers. Não é a toa que os fabricantes dos e-readers começaram a investir em aplicativos para leitura, que podem ser baixados tanto nos dispositivos móveis, como nos notebooks e PCs.

A mudança, digamos assim, de foco, está no reconhecimento de que os compradores de e-readers e um leitor voraz, que compra muitos livros, tanto os eletrônicos como os de papel. Assim, ao contrário de vítima, o livro de papel passou a conviver com o livro eletrônico. Os especialistas acreditam que o futuro dos e-readers pode estar em dois caminhos: seguir vivo, como um objeto de nicho, especifico, mas faturamento o suficiente para se manter de pé ou será vítima dos smartphones, dependendo apenas do surgimento de um celular com uma tela boa de leitura e uma configuração que desligue as notificações.

Vale aqui, para fechar, um trecho de uma entrevista do filósofo Umberto Eco, publicada no EStadão em 2010, onde defendeu o livro de papel, considerado por ele um objeto tão eterno quanto a colher, o machado e a tesoura. Ferozmente criticado na época, hoje a sua visão é a que parece mais próxima da verdade.

CLASSE MÉDIA BRASILEIRA SÓ EM 2023 VOLTA AO PATAMAR DE 2014

Nem nos bons tempos era fácil a vida da classe C
O estudo, feito pela Tendências Consultoria Integrada é uma linha do tempo é um retrato da economia brasileira. Em 2015 e 2016 as classes C e D chegaram a mais de 4 milhões de famílias e só daqui há seis anos, em 2023, poderá retomar o patamar de participação, que alcançou em 2014, quando 28% dos lares brasileiros tinham renda mensal de R$.2.302 a R$5.552.

É uma situação que se deve ao fim do crescimento econômico, puxado pela consumo e setor de serviços, que empregava principalmente mão de obra pouco qualificada, que não tem mais espaço. Em médio prazo, acredita-se que deve acontecer uma dinâmica mais concentradora de renda, segundo um dos economistas do instituto.

Já no caso da chamada classe A, a estimativa é que ele recupere os seus rendimentos mais rapidamente, nesses próximos anos. Enquanto a classe C deve crescer a uma média anual de 2.3% até 2016, já para os mais ricos a velocidade deve estar em 4,1%. Em 2013 a 2014 esse crescimento estava em cerca de 6%.

Os entraves ao crescimento da classe média é óbvio: educação que não é revertida em produtividade, crédito restrito e o fraco ambiente de negócios.  Para o economista da FGV Social, Marcelo Neri, nossa situação fiscal não comporta mais um empurrão na classe C por meios tributários. Na opinião do economista o governo precisa incentivar a necessidade de reformas e se firmar como agente regulador e não como agente que repassa recursos públicos para a população.

É esperar para ver.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

POR QUE NÓS POSTAMOS? SÉRIE MOSTRA SEMELHANÇAS ENTRE BRASIL, ÍNDIA E CHINA



Por que nós postamos? A pergunta norteou a série de livros Why we post do Departamento de Antropologia da University College London (UCL), no Reino Unido. Coordenada pelo antropólogo Daniel Miller, o esforço tem o ambicioso objetivo de mapear como as redes sociais estão mudando - e são mudadas - nos mais diferentes contextos em nove países, incluindo Brasil, China, Índia e Turquia. 
"É interessante ver como há semelhanças entre grupos culturalmente tão distantes como brasileiros, indianos e chineses, e há distancia entre brasileiros pobres e ricos quando o tema são o uso das redes sociais", diz Juliano Spyer, responsável pelo livro brasileiro do conjunto." Ele diz que, enquanto as camadas médias e as elites de alguns dos países entendem que as mídias sociais distraem seus filhos das obrigações escolares, nos setores populares de Brasil, na Índia ou na China, "ver o filho na lan house , de certo modo, representa um domínio de novas tecnologias que, para os pais, tem mais possibilidades de se converter em trabalho e dinheiro do que ir à escola." 
Todos os livros da série são gratuitos, incluindo o que faz a comparação entre os países.
Publicado por Flávia Marreiro em El País

terça-feira, 14 de novembro de 2017

AUMENTA NO BRASIL A INFLUÊNCIA DOS ROBÔS NO PROCESSO ELEITORAL

(Via CMSI - Comunicação & Marketing - Soluções Integradas - cmsi-solucoes.com)
O uso, cada vez maior de robôs nas eleições brasileiras, tem chamado a atenção de pesquisadores e alvo de estudos sobre a sua importância. A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP) tem divulgado alguns deles, uma fonte importante para entendermos como as chamadas “contas automatizadas” tem interferido com muita intensidade no debate político e no processo eleitoral. 
Essas interferências, que muitos creditavam apenas aos acontecimentos registrados em outros países, já são objeto de preocupação das autoridades brasileiras, principalmente pela possibilidade de propagação de noticias “fakes”, mas a ameaça dos robôs é bem maior que isso. E vamos vê-los atuando, queiram ou não nossas autoridades, com muito vigor nas próximas eleições.
O estudo da FGV revela que a maior ameaça das contas automatizadas está na manipulação dos debates nas redes sociais e a influência que podem exercer, levando a “audiência” a adotar até mesmo posições contrárias aos seus verdadeiros interesses. Nas últimas eleições presidenciais americanas, por exemplo, uma enorme quantidade de postagens (só possível com o auxilio das contas robôs) aparentemente geradas por eleitores de Bernie Sanders, aquela altura já derrotado, pregavam a abstenção como forma de protesto. Na verdade os posts, gerados pelos conservadores, tinham como objetivo diminuir a presença dos eleitores de Sanders, que poderiam optar pelo voto em Hillary Clinton, criando espaço mais confortável para a presença dos mais conservadores, os eleitores de Donald Trump. 
Os robôs não chegaram agora no Brasil. O estudo da FGV/DAPP demonstra que eles vem atuando mais fortemente no Brasil desde 2014, durante as eleições presidenciais, quando geraram mais de 10% dos debates nas redes. Em 2017, na greve geral de abril, foram mais de 20% das interações no Twitter, entre os usuários a favor da greve, provocadas por esse tipo de conta. 
A pesquisa da FGV/DAPP emite um alerta muito importante: “não estamos imunes aos robôs e devemos buscar entender, filtrar e denunciar o uso e a disseminação de informações falsas ou manipulativas por meio desse tipo de estratégia e tecnologia”.
O estudo leva a conclusões óbvias, mas extremamente importantes. Uma delas é que a proximidade das eleições de 2018, que definirão o próximo presidente da República, torna essencial mapear as ações dos robôs, como forma de evitar intervenções extremamente danosas e ilegítimas ao processo, como já aconteceu em inúmeros países recentemente.
Dar atenção ao perigo das contas automatizadas é importante, principalmente quando se constata que é crescente o número de pessoas que se informa por meio das redes sociais em todo o mundo. No Brasil, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, revela, por exemplo, que 49% das pessoas já se informam pela internet e que existe uma clara tendência de crescimento. É aí que atuam os robôs e, mais que isso, se proliferam.
Através da manipulação, como concluem os pesquisadores da FGV, “os robôs criam a falsa sensação de amplo apoio político a certa proposta, ideia ou figura pública, modificam o rumo de políticas públicas, interferem no mercado de ações, disseminam rumores, notícias falsas e teorias conspiratórias, geram desinformação e poluição de conteúdo, além de atrair usuários para links maliciosos que roubam dados pessoais, entre outros riscos”.
Desprezar o força, o poder e a influência dessas contas automatizadas é se entregar a manipulação, com perdas expressivas nas políticas públicas. Ainda que existam centenas de exemplos do uso positivo dos robôs no mundo online, as suas interferências no mundo da política podem muito rapidamente colocar a sociedade em situação de risco. Sem uma política intensa de fiscalização e combate as ações dos robôs, baseada no conhecimento das mais modernas tecnologias, as eleições de 2018 podem ter seus resultados manipulados, ameaçando seriamente a lisura do pleito e, o que é muito pior, ameaçando seriamente o nosso futuro.
>> Confira a íntegra do estudo em PDF
>> Leia também: Os robôs nas redes sociais, por Marco Aurelio Ruediger

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

DESAPROVAÇÃO AOS POLÍTICOS PAROU DE CRESCER?


Mais uma pesquisa na praça, esta do instituto Ipsos revela que a desaprovação aos políticos está começando a dar sinais de refluxo.
Em alguns casos, como nas taxas de Geraldo Alckmin e Marina Silva, a redução na desaprovação é bastante significativa. Nos demais existe uma oscilação, ainda que não tão expressivas, mas só as próximas pesquisas poderão indicar se esses resultados são uma tendência ou apenas um resultado pontual.

Uma das teses levantadas atribui essa possível tendência à constatação, por parte do eleitorado, de que serão mesmo esses os nomes dos candidatos a presidente em 2018. E como um nome “fora da política”, um “salvador da pátria”, que seria o objeto de desejo da sociedade não apareceu e nem dá sinais de quem venha a acontecer, as pessoas estariam olhando o que existe de disponível, com um olhar mais realista e menos romântico.

Essa é mais ou menos a teoria do diretor do Ipsos, Danilo Cersosimo, que acredita na possibilidade dos eleitores estarem  começando a sair do sentimento de indignação para o resignação. É possível, mas uma olhada mais rigorosa dos números revela que ainda é cedo para uma aposta segura nessa teoria.

Seja como for, nem todos os pesquisados tiveram a sorte de uma pequena oscilação, para melhor, nas suas taxas de rejeição. Pelo contrário. O senador Aécio Neves bateu recordes negativos, quase um unanimidade, com nada menos que 93% de rejeição.  O ministro do Supremo, Gilmar Mendes, está entre os menos cotados, em curva ascendente, com 75%. Temer ainda lidera o time com 95%.


De uma forma geral o pessoal do PSDB, da Rede e do PT, têm o que comemorar com essa pesquisa do Ipsos. Alckmin viu cair a sua desaprovação de 75% para 67% e Serra de 80% para 75%. Lula viu seu índice de aprovação oscilar positivamente de 40% para 41%, a mais alta da série histórica do Ipsos, com a desaprovação oscilando de 59% para 58%. Ainda que dentro da margem de erro, mostra, pelo menos estabilidade. Marina Silva, que anda escondida, vem crescendo, de forma significativa, passando de 21% para 36%, com uma queda 11% nas suas taxas de desaprovação.   
Outro, que teve queda significativa foi o Bolsonaro, de 63% para 55%.

Em contraponto, vários especialistas da área de pesquisas, ainda que a boca pequena, têm feito críticas a essas pesquisas realizadas pelos grandes institutos. Um dos argumentos é que ainda é muito cedo para que essas pesquisas de intenção de voto reflitam de alguma forma a realidade e, que o mais sensato e útil, é investigar, neste momento, o que vai na cabeça do eleitorado. Alguns mais radicais põem em cheque também os questionários,  que estariam induzindo resultados. Se tem razão ou não, só o tempo nos dirá.


E TEMER, ACREDITE, FICOU POPULAR


 Não é piada nem notícia fake. Temer “bombou” no Google Trends. Desde o impeachment não havia tanta gente procurando por Temer no Google. E sim, nada a ver com o julgamento, pelo Congresso, das denúncias contra o presidente. Os internautas queriam saber de outro assunto e as buscas foram, em primeiro lugar para “Michel Temer passa mal”; “Michel Temer internado” em segundo, seguidos por “idade”, “hospital” , “saúde Temer” e ainda, graças ao grupo de sempre que vai atrás de qualquer notícia fake, “Temer morre”.

O pico de “popularidade” deve-se à forma amadora com que a comunicação do Planalto tratou o assunto. Primeiro deixando que a notícia fosse dada como um “furo”, depois permitindo que ela fosse tratada como boato. Auxiliares do presidente trataram o assunto com adjetivos genéricos, tipo “mal estar” e até “procedimentos de rotina”. Os nobres profissionais e políticos próximos pareciam ter esquecido que a saúde de um presidente não é um assunto privado, muito pelo contrário, interessa a todo o país. Só bem mais tarde, quando Temer, coitado, já bombava no Google, resolveram dar uma nota oficial, ainda que apelando para terminologia médica.

Para os mais velhos, impossível não lembrar de episódio que começou assim, meio banal, com uma “internação de rotina do presidente recém eleito, Tancredo Neves, que terminou, tragicamente com a sua morte, lembrança estimulada pelos repetidos erros de comunicação que costumam ser cometidos pelos profissionais palacianos, sempre que os eventos saiam da confortável rotina.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ELEICÕES, ARTE, MORAL E BONS COSTUMES: TUDO JUNTO E MISTURADO.


Ao que tudo indica as próximas eleições serão mesmo polarizadas.
E a moral e os chamados “bons costumes” estarão presentes, nas suas mais diversas áreas e temas. Basta ver como repercutiram as postagens dos políticos que se expressaram de forma categórica, nas suas redes sociais, sobre exposições de arte em São Paulo e Porto Alegre, conquistando um expressivo engajamento dos seus públicos.

2o. colocado
Entre os possíveis presidenciáveis Bolsonaro foi o que maior proveito (em números) da polêmica. Foram nada menos que 348.721 as interações e 37,540 em comentários, compartilhamentos e reações em cliques em símbolos de apoio ou contrariedade. O segundo colocado foi o João Doria, com 104.142 e 12.312. Em terceiro Ronaldo Caiado com 82.103 e 5.413. 

O MAN não é meu
Ciro: contra a "censura"
Geraldo Alckmin, que se esquivou da discussão alegando que o Museu de Arte Moderna, o MAN não tem nada a ver com a exposição e Ciro Gomes, que publicou vídeos com professor de arte com críticas a “censura” da exposição em Porto Alegre ficou com 2.407 de interações e apenas 1.917 como média em comentários e reações em cliques.

Bolsonaro, Doria, Caiado usaram termos fortes para se posicionarem contra uma performance no MAN, com um modelo nu interagindo com uma criança e a exposição (Queermuseu) sobre diversidade sexual exibida inicialmente em Porto Alegre, patrocinada pelo Santander, que a cancelou diante das críticas e protestos.

Algumas coisas são certas: temas como direito de aborto, políticas de gênero, descriminalização de drogas, homofobias e tudo o mais que se relacione com a moral e os chamados bons costumes vão estar presentes, misturados com economia, impostos, politicas de saúde, previdência social e educação, entre outros na campanha para as eleições do próximo ano

Especialistas em marketing e cientistas políticos veem a inclusão desses temas na agenda política, como resultado do desencanto com a política e o período de incertezas em que vive a sociedade brasileira. Desta forma, o eleitor termina identificando-se com políticos cuja temática, além de familiar, combine com seus mais recônditos conceitos, principalmente quando outras questões, como a economia, estão muito longe das suas possibilidade de influir.